O presidente do Líbano, Joseph Aoun, declarou que não aceitará a permanência de soldados israelenses em “um único centímetro” do território nacional. A declaração é dura, mas contrasta com a política seguida por seu próprio governo diante da ocupação.
Aoun aposta nas negociações para conseguir a retirada de “Israel”. Ao mesmo tempo, rejeita a política de responder militarmente à invasão e sustenta que aquilo que foi tomado pela força não precisa necessariamente ser recuperado pela força.
Enquanto o presidente fala em negociações, os ataques israelenses continuam.
Tropas sionistas permanecem em posições no sul do Líbano, drones israelenses continuam operando sobre o país e incursões militares voltam a atingir localidades libanesas. O acordo de cessar-fogo não levou “Israel” a abandonar completamente o território que ocupou.
A experiência da própria guerra libanesa contradiz a confiança depositada nas negociações. O Estado sionista não retirou suas tropas por respeito à soberania do Líbano. A resistência armada foi justamente o elemento que tornou a ocupação cada vez mais custosa ao exército israelense.
É por esse motivo que a exigência pelo desarmamento do Hesbolá ocupa lugar tão importante nas pressões dos Estados Unidos e de “Israel” sobre o governo libanês. O objetivo é retirar do Líbano a força que efetivamente possui organização, armamento e experiência militar para enfrentar uma nova invasão.
O governo quer que o Hesbolá entregue suas armas antes mesmo da retirada completa das tropas israelenses. O movimento rejeita essa exigência e afirma que não abandonará seu arsenal enquanto houver território libanês ocupado e agressões israelenses.
A diferença é concreta. Aoun diz que não permitirá que “Israel” fique no Líbano. O Hesbolá mantém as armas necessárias para obrigar o ocupante a sair.



