Charles Gentil

Charles Gentil é Bacharel em Filosofia, Presidente do Diretório Zonal PT do Centro e Coordenador pela Inclusa/MMIS do Grupo de Base de Luta Por Moradia “Lélia González”. Foi coordenador Geral do Comitê do Centro Fora Bolsonaro e Lula Presidente (2019-2022).

Coluna

A herança maldita de Flávio Bolsonaro

Podemos impedir que a detestável herança maldita carregada e defendida por Flávio Bolsonaro, nunca mais volte a assombrar, incomodar, maltratar e infernizar o Brasil

Charles Gentil, do Partido dos Trabalhadores (PT)

O provérbio popular que diz “quando o diabo não vem, manda o secretário” é muito oportuno para dialogar com as recentes declarações do Secretário de Flávio Bolsonaro, o também empresário: Pablo Marçal, que aproveitando dos dados recentes das pesquisas de intenções de voto para presidente, pôs-se a fazer alarido sobre a suposta invencibilidade daquele que secretaria.

Francamente, Pablo Marçal, na condição de secretário daquele que não veio, se superou, ao afundar-se em um lamaçal de ideias incoerentes para defender Flávio Bolsonaro.

De acordo com Pablo Marçal, em entrevista no Metrópoles (14.04.2026), supõe que Lula para vencer as eleições presidenciais pode articular a libertação de Jair Bolsonaro, uma vez que, seria o único candidato, capaz de ser derrotado pelo petista.

Então, quer dizer que o Secretário de Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal, se põe agora, publicamente, a recomendar o que seus adversários políticos devem fazer para ganhar a eleição na qual, no entanto, ele, o secretário do dito cujo, se engaja, para, assim, ajudar a derrotar esses mesmos adversários aos quais presume administrar bons conselhos?

Que confusão !!! Que contradição !!! Que eloquência desvairada essa do secretário do mal !!! Como pode Pablo Marçal secretariar o diabo e, simultaneamente, oferecer a estratégia para vencê-lo, enquanto, na verdade, quer é que o invertido ganhe?.

Pablo Marçal, despeja um aglomerado de ilações tão absolutamente desprovidas de sentido e mais: tão desagradáveis e descartáveis quanto seu desprezível conselho e que mesmo na condição de Secretário de Flávio Bolsonaro, pretende dar a receita para a vitória de Lula no escrutínio de 2026.

Ora ora,ora.

Primeiro: somente Pablo Marçal pode ambicionar o feito de querer, ao mesmo tempo, ser a favor, sendo contra.

Segundo: afinal, será que esse secretário dos diabos supõe que somos ingênuos em política para propor que se perdoe Jair Bolsonaro para viabilizá-lo eleitoralmente a fim de derrotá-lo nas urnas e, então, diante desta hipótese completamente surreal ainda ser capaz de cogitar que alguém possa aceitar tão indecente alternativa ?

Terceiro: é preciso colocar Pablo Marçal em seu devido lugar e dizer-lhe que: sua mentoria é, para nós, irrelevante, sobretudo, naquilo que concerne a tática e estratégia eleitoral

Aliás, será que Pablo Marçal ainda não assimilou que Jair Bolsonaro, na condição de delinquente, implicado em aventura autoritária recente, em estreito conluio com uma quadrilha, pretendeu assassinar o Estado Democrático de Direito e foi, então, por isso, exemplarmente, punido? Será que Pablo Marçal não assimilou esta página de nossa história?

E que Jair Bolsonaro foi punido pelas instituições democráticas, que em contundente repulsa a sua deliberada conduta não só criminosa, mas, inclusive, antipatriótica, em que praticou, de forma viciada, reiterados maus feitos contra a democracia, optou a República por defender-se e assim, não conceder anistia ao celerado, será que Pablo Marçal, ainda não compreendeu o b-a-ba do que é correto e justo?

Então, será que Pablo Marçal ainda não assimilou que Jair Bolsonaro foi colocado em seu devido lugar: a prisão ( e que a prisão domiciliar é, hoje, apenas a ante-sala do que virá a ser, em breve, seu verdadeiro domicílio e destino definitivo: a cadeia).

E mais, que saiba o secretário do capiroto, que nem o PT, nem as forças democráticas e progressistas temem quem quer que seja o adversário nesse ou em outros pleitos.

Que em seu secretariado, Pablo Marçal, aprenda que não temos preferências por adversários. Que seja quem for será bem-vindo para ser enfrentado com energia e destemor vibrante.

Que nem Caiado, nem Zema, nem Flávio, que fosse Jair, nenhum deles, absolutamente, nenhum deles é preferível aos demais, pois, sendo igualmente inimigos da democracia, serão, por consequência, igualmente combatidos, uma vez que, o fascismo pode ter várias faces, mas o método será sempre o mesmo: autoritário e praticante da necropolítica decidindo, assim, quem deve viver e quem deve morrer. E isso, nós combatemos ardentemente.

Logo, uma vez que, tudo indica ser Flávio Bolsonaro quem fará a disputa à presidência, saiba Flávio Bolsonaro e companhia por meio de seu secretário, Pablo Marçal, que não terá campanha fácil, pois, o elo que o une a Jair Bolsonaro, é, antes de tudo, genético, e, com isso, herdou do pai o negacionismo que custou 700 mil vidas pela omissão, descaso e negligência no combate à Covid-19.

E mais.A gestão desastrosa de Jair Bolsonaro (que entre outras coisas, lançou pessoas na fila de espera, para alimentarem-se de osso), pretende ser como um bastão passada tal gestão para o filho, que nada mais seria do que um sucessor dos insucessos do pai trazendo ainda mais sofrimentos para a população.

Ora,ora ora. Se “filho de peixe, peixinho é” evidencia-se que Flávio Bolsonaro executaria a mera continuidade do governo do pai. Seria mais do mesmo. A repetição do inferno e da fuzarca autoritária que se abateu sobre nossa pátria.

Flávio Bolsonaro continuaria tensionando os Três Poderes ( Executivo, Legislativo e Judiciário) no propósito de gerar o caos institucional com vistas o dito cujo a legitimar uma ditadura.

Flávio Bolsonaro principiaria uma nova guerra contra o Judiciário instalando a instabilidade institucional, a perspectiva de uma nova tentativa de ruptura das instituições democráticas e incendiaria o esforço de pacificação nacional mergulhando o país em um permanente caos político, econômico e social.

Flávio Bolsonaro voltaria a estimular o armamento da população, incitando o apocalipse da guerra civil, o que, por sua vez, conduziria a uma nova escalada de violência sem precedentes, por meio da difusão da intolerância e da perseguição e execução física de adversários políticos.

Tais práticas políticas condenáveis retornariam não só pelo vínculo consanguíneo e do qual Flávio Bolsonaro se faz, naturalmente. herdeiro, mas também porque Flávio herda de Jair a concepção de mundo moldada, obrigatoriamente, em valores que prezam a força, o poder e o domínio a qualquer preço.

Ora,ora,ora. No entanto, desta herança maldita, nós podemos – já vacinados que estamos – escapar incólumes.

Consequentemente, pergunto: Será que não ocorreu a Pablo Marçal pensar que é cedo, muito cedo, para dar como certa a vitória daquele que secretaria?

Será que não ocorreu ao secretário e também empresário Pablo Marçal abandonar esse pretenso triunfalismo oco e ater-se que pela frente ainda há uma disputa por vir? Será que Pablo Marçal não considerou que o povo brasileiro pode optar por não assistir ao replay do terror que pairou, ainda ontem, sobre nossas cabeças ?

Que a hipotétíca vitória de Flávio Bolsonaro celebrada, aliás, aos quatro ventos e antecipadamente evidenciada pela alegria de vistoso entusiasmo do seu séquito, talvez, não dure muito tal contentamento, de modo que, no momento oportuno, deverá, porém, não permitir-se que se converta tal efusão em pretexto para uma nova insurgência autoritária, após um desfecho que porventura contrarie as expectativas pretendidas.

Até porque o fato de concorrer-se a um cargo eletivo não assegura, necessariamente, a vitória. A vitória assim como a derrota são resultados possíveis no tabuleiro do jogo democrático, bem como a alternância de poder é uma probabilidade democrática razoável e faz parte da disputa nas sociedades governadas pelo voto direto da população, aspectos esses rejeitados pela extrema-direita.

Desta forma, não só o secretário do diabo, mas o próprio invertido, o capiroto mesmo deve compreender que parte do país, fará a mudança de sua escolha atual, quando estiver diante da urna, no último momento, optando, naquele instante fatal em que o eleitor encontra-se sozinho, apenas consigo mesmo, isto é, com sua própria consciência, e, ali, felizmente – apesar de toda fake news e desserviço da grande imprensa – decida mudar sua convicção e não trocar o certo pelo duvidoso, nem querer que o país arda em chamas, pois, o retorno do inferno entre nós, mais cedo ou mais tarde, mostrará não ser benéfico a ninguém, sendo, por isso, prejudicial a todos.

Logo, combater sem tréguas o retorno da banalidade do mal, confiar também que contando nossa narrativa – até os mais resistentes ainda que seja diante da urna – podem e devem alterar sua convicção, porque todos, juntos, de mãos dadas, podemos impedir que a detestável herança maldita carregada e defendida por Flávio Bolsonaro, nunca mais volte a assombrar, incomodar, maltratar e infernizar o Brasil.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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