Quando as tropas do Xá Reza Pahlavi abriram fogo contra os manifestantes na Praça Jalé, em Teerã, em 8 de setembro de 1978, o regime esperava intimidar a oposição com uma demonstração de força. O efeito foi o oposto. O massacre da Sexta-Feira Negra empurrou a classe operária iraniana para a greve geral. Em poucas semanas, o petróleo, os bancos, as ferrovias e o funcionalismo público haviam parado. A ditadura que controlava o Irã havia 26 anos perdeu o controle do país.
A Universidade Marxista realizará entre os dias 27 de junho e 5 de julho o curso A História do Irã e da República Islâmica, parte da Universidade de Férias de inverno da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR). A greve geral de 1978 e o papel decisivo da classe operária na queda do Xá são alguns dos grandes assuntos do curso, ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República.
Diante da escala da revolução, o Xá foi obrigado a recuar em diversos terrenos. Pôs fim à censura, libertou centenas de presos políticos, prometeu eleições, dissolveu o partido único do regime. Cada concessão era recebida pela oposição não como vitória definitiva, mas como confirmação de que o regime estava em queda. As greves não recuaram. Pelo contrário, se generalizaram.
O petróleo paralisa o Irã
A greve dos trabalhadores do petróleo foi o golpe decisivo. O Irã era um dos maiores produtores mundiais de petróleo, e a indústria petroleira era a principal fonte de receita do Estado e a principal exportação para o imperialismo. Quando os trabalhadores cruzaram os braços, em outubro, a economia inteira começou a se desorganizar. O regime tentou enviar tropas para operar as instalações petroleiras. Não funcionou. Os militares não tinham capacidade técnica para substituir os trabalhadores, e a presença das tropas só radicalizava ainda mais o movimento.
A paralisação do petróleo arrastou consigo o restante da economia. Os bancos pararam. As ferrovias pararam. Os trabalhadores dos correios, das alfândegas e dos ministérios entraram em greve. O funcionalismo público paralisou. Até mesmo os trabalhadores dos jornais aderiram ao movimento, deixando o País sem imprensa por períodos prolongados.
A classe operária à frente do processo
A composição social do movimento é o que explica sua força. A classe operária iraniana havia se formado nas décadas anteriores como resultado da urbanização forçada imposta pela ditadura. Era uma classe operária jovem, concentrada nas grandes cidades, ligada às mesquitas e aos clérigos xiitas que vinham organizando a oposição havia anos. Quando entrou em cena, fez o que nenhuma outra força social havia conseguido: paralisar a estrutura econômica do regime.
O paralelo com outras revoluções é evidente. Foi a greve geral dos trabalhadores que derrubou os Romanov na Rússia em fevereiro de 1917. Foi a greve geral dos trabalhadores que paralisou a França em maio de 1968. No Irã, em 1978, a greve geral cumpriu a mesma função histórica: demonstrou que a continuidade do regime havia se tornado materialmente impossível.
A fuga do Xá
Em desespero, o Xá tentou todas as manobras possíveis. Nomeou um governo militar em novembro. Não funcionou. As greves continuaram. Tentou então uma manobra inversa: nomeou um nacionalista de oposição, Shapur Bakhtiar, como primeiro-ministro, em janeiro de 1979. A tentativa de cooptar a ala mais moderada da oposição também fracassou. Khomeini, de Paris, denunciou Bakhtiar como traidor e chamou pela continuidade da revolução.
Em desespero completo, o Xá deixou o país em 16 de janeiro de 1979. A imagem do monarca chorando ao embarcar no avião correu o mundo. Era o fim de 26 anos de ditadura imposta pela CIA. Mas a revolução ainda não havia terminado. Restavam as forças armadas, restava o aparato repressivo, restavam os generais. A próxima fase seria a tomada efetiva do poder.
O curso A História do Irã e da República Islâmica será ministrado por Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO. As inscrições podem ser feitas pelo sítio unimarxista.org.br ou pelo telefone (11) 99741-0436.




