A operação criminosa e ilegal da Polícia Filial contra Rui Costa Pimenta procura apresentar o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e outros dirigentes como integrantes de um esquema de desvio de recursos eleitorais.
A campanha procura produzir uma imagem simples: o PCO receberia dinheiro público, seus dirigentes se apropriariam desses recursos e utilizariam o Partido para enriquecer.
Na Análise da Terça de ontem (25), exibida pela Rádio Causa Operária, Rui Costa Pimenta e João Pimenta, membro da direção nacional do Partido, apresentaram fatos da própria trajetória do Partido que desmontam essa versão.
A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de contas de vários militantes. Segundo João, a soma encontrada nas contas atingidas não chegou a R$2 mil.
Durante o programa, o dirigente mostrou uma correspondência relativa a uma antiga conta bancária sua. O valor bloqueado era de R$232,38. Em outra conta de uso cotidiano, foram alcançados cerca de 250 reais.
Enquanto isso, o PCO enfrenta uma cobrança de aproximadamente R$4,5 milhões relacionada aos recursos eleitorais.
A acusação fala em milhões. Nas contas dos supostos beneficiários existem apenas algumas centenas de reais.
Uma corrupção sem enriquecimento
Não é necessário que um militante revolucionário viva na pobreza. O problema da acusação é outro: se Rui e os dirigentes do PCO teriam utilizado o Partido para enriquecer, esse enriquecimento deveria aparecer em algum lugar.
Mas não apareceu.
“Eles estão investigando e não vão encontrar nada. Vão encontrar um automóvel velho, não vão encontrar imóveis, não vão encontrar poupança”, afirmou Rui.
Sua própria trajetória material segue na direção contrária à história construída pela operação.
Antes de dedicar sua vida à atividade política, Rui trabalhava como jornalista e possuía uma situação financeira relativamente melhor. A militância durante décadas não produziu uma fortuna pessoal, imóveis de luxo ou grandes aplicações.
João Pimenta lembrou que vários militantes que chegaram ao PCO em condições materiais melhores terminaram mais pobres depois de anos dedicados à organização.
Rui resumiu o problema: “Se você se dedica a uma atividade revolucionária, você não ganha dinheiro”.
Um episódio contado no programa dá uma medida das dificuldades financeiras enfrentadas na construção do Partido. Em determinada ocasião, joias de uma tia de João Pimenta foram penhoradas para conseguir recursos para a atividade política. Não houve dinheiro para resgatá-las e as peças foram perdidas.
Essa é a história material de uma organização que a Polícia Filial do Mossad e da CIA procura apresentar como uma máquina de enriquecimento.
Um partido que vive fazendo campanha financeira
Quem conhece o PCO conhece também suas constantes campanhas de arrecadação.
O Partido pede contribuições de militantes, filiados e simpatizantes para sustentar jornais, atividades políticas, manifestações, campanhas eleitorais e sua organização cotidiana.
A necessidade de arrecadar dinheiro tornou-se inclusive uma característica conhecida do Partido.
Seria uma forma particularmente absurda de enriquecimento: desviar milhões e, ao mesmo tempo, passar décadas pedindo pequenas contribuições para financiar as atividades mais elementares da organização.
Rui recordou que a construção do PCO exigiu sacrifícios durante toda a sua existência. Seus fundadores foram expulsos do PT, enfrentaram perseguições, dificuldades financeiras e décadas de trabalho para manter uma organização independente.
“Para que você vai construir um partido com a maior dificuldade, ser expulso do PT, perseguido, caluniado, para botar a mão no dinheiro do fundo eleitoral?”, questionou.
Se a finalidade fosse simplesmente ganhar dinheiro, existiam caminhos muito mais fáceis.
Bastava colocar a legenda à venda
O próprio funcionamento dos partidos burgueses oferece um desses caminhos.
O aluguel de legendas é um fenômeno conhecido na política brasileira. Partidos negociam alianças, candidaturas e suas estruturas conforme as vantagens oferecidas.
Rui afirmou que o PCO já recebeu diversas propostas desse tipo.
Em uma ocasião, chegaram a oferecer cerca de 5 milhões de reais pelo Partido. A proposta foi recusada, obviamente.
“Para que você vai pegar o dinheiro do fundo partidário? Você pode alugar a legenda. Ganha mais alugando a legenda. Mas a gente não faz isso, nunca fez”, afirmou.
João Pimenta lembrou ainda o relato de uma candidata ao governo do Piauí segundo o qual havia partido político cobrando cerca de R$200 mil simplesmente para colocar sua sigla numa coligação eleitoral.
Se o PCO fosse a organização descrita pela PF, poderia ter ingressado há muito tempo nesse mercado.
Não precisaria desviar dinheiro do fundo eleitoral. Poderia negociar sua legenda, suas candidaturas e suas posições políticas diretamente com quem pagasse mais.
Nem para entrar na chapa de Lula
A história eleitoral do Partido mostra uma conduta oposta.
Rui lembrou que, em 2018, o PCO apoiava a candidatura de Lula contra a perseguição promovida pelo Judiciário e pela direita. Naquele momento, integrar uma composição com o PT poderia proporcionar ao Partido enorme vantagem política e eleitoral.
O PCO recusou.
A divergência era programática.
“Nós falamos que não, porque nós não concordávamos com o programa do PT. Quer dizer, um partido corrupto não age assim”, disse Rui.
O Partido também se manteve fora das federações partidárias, embora esse tipo de associação pudesse facilitar seu funcionamento eleitoral e financeiro.
Essa independência custa caro. O PCO disputa eleições com menos recursos, recusa acordos vantajosos e apresenta como candidatos principalmente seus próprios militantes, que defendem abertamente o programa da organização.
Um partido criado apenas para fazer dinheiro faria exatamente o contrário.
O programa dos partidos de aluguel vale enquanto for conveniente
Rui mencionou, como contraste, o caso do Patriota.
A organização nasceu como Partido Ecológico Nacional. Quando surgiu a possibilidade de receber Jair Bolsonaro, o partido mudou de nome e adaptou suas posições à nova oportunidade eleitoral.
O que deveria ser seu programa político tornou-se negociável diante da perspectiva de receber um candidato eleitoralmente valioso.
Não se trata de uma exceção dentro da política burguesa.
Legendas mudam de posição, entram e saem de alianças, negociam candidaturas e oferecem sua estrutura de acordo com cargos, dinheiro e vantagens eleitorais.
Para essas organizações, a política é um negócio.
O PCO poderia ter seguido esse caminho. Sua direção decidiu fazer o contrário e preservar a independência do Partido mesmo quando isso significa permanecer com poucos recursos.
A função política da operação
É nesse quadro que deve ser compreendida a invasão da residência de Rui pela Polícia Filial.
“A operação da Polícia Federal na minha casa foi uma operação de teatro”, afirmou o presidente do PCO.
A entrada de agentes da PF na casa do dirigente produz imediatamente uma manchete e uma associação com criminalidade, ainda que depois não apareça patrimônio algum correspondente às acusações feitas.
A própria operação passa a funcionar como propaganda contra o Partido.
A imprensa pode anunciar que o presidente do PCO foi alvo da Polícia Filial. A partir daí, a existência do inquérito é utilizada para alimentar a impressão de que o crime já estaria demonstrado.
Mas a propaganda de um PCO enriquecido pelo fundo eleitoral entra em choque com décadas de atividade partidária.
Não apareceram dirigentes milionários. Não apareceram grandes patrimônios. Nas contas bloqueadas apareceram valores irrisórios.
O que existe é um Partido conhecido por pedir contribuições aos próprios militantes, que recusou negociar sua legenda, ficou fora de composições mais vantajosas e preservou suas posições mesmo quando poderia obter benefícios materiais fazendo o contrário.
É essa diferença que a campanha contra o PCO precisa esconder.
Os partidos da burguesia transformam programas, alianças e até suas próprias legendas em mercadoria. O “PCO corrupto” fabricado pela perseguição policial seria justamente um partido que, durante décadas, recusou-se a fazer aquilo que os verdadeiros partidos de aluguel fazem abertamente.





