Organização das Nações Unidas

ONU aprova resolução em apoio à criação de Estado da Palestina

Declaração também determina que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), maior partido da palestina, seja desarmado

A Assembleia Geral das Nações Unidas votou esmagadoramente a favor de uma declaração que delineia “passos tangíveis, com prazo e irreversíveis” para o estabelecimento de um Estado palestino.

A votação de 142 a 10, realizada na sexta-feira (12), declarou apoio à chamada Declaração de Nova Iorque, um comunicado pedindo uma solução de dois Estados, elaborado pela França e Arábia Saudita em julho.

Juntando-se a “Israel” e aos Estados Unidos na oposição à resolução, estavam Argentina, Hungria, Micronésia, Nauru, Palau, Papua Nova Guiné, Paraguai e Tonga. Doze países se abstiveram. A declaração, que foi endossada pela Liga Árabe e co-assinada em julho por 17 estados membros da ONU, incluindo vários países árabes.

Aliados de longa data de “Israel”, como Bélgica, França, Reino Unido, Canadá e Austrália, já haviam anunciado planos de reconhecer a soberania palestina durante as próximas sessões da Assembleia Geral da ONU, de 8 a 23 de setembro. Eles se juntariam a 147 nações que já reconhecem formalmente a Palestina.

Embora a declaração peça uma “ação coletiva para acabar com a guerra de Israel em Gaza e a implementação efetiva da solução de dois Estados”, ela também determina que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), maior partido da palestina, seja desarmado.

Benjamin Netaniahu, primeiro-ministro israelense, insistiu na quinta-feira (11) que “Israel” jamais aceitaria um Estado palestino.

O ministro das Finanças de extrema-direita de Israel, Bezalel Smotrich, anunciou planos para anexar mais de 80% da Cisjordânia ocupada, em uma tentativa de bloquear o estabelecimento de um Estado palestino.

À época da publicação da Declaração de Nova Iorque, o Hamas e demais grupos armados na palestina criticaram duramente o documento, que consiste em uma violação flagrante ao direito de autodeterminação do povo palestino.

Na sessão da ONU, o representante da República Islâmica do Irã pediu a palavra para lembrar que “o desrespeito sistemático às resoluções das Nações Unidas, protegido por repetidos vetos no Conselho de Segurança e por transferências contínuas de armas, demonstrou que as abordagens atuais, embora apresentadas como decisivas, não conseguem atingir seus objetivos declarados”. O diplomata reforçou que “uma solução justa e duradoura permanecerá fora de alcance, a menos que a comunidade internacional adote resoluções vinculantes que abordem as causas-raiz, garantam a responsabilização e defendam os direitos inalienáveis do povo palestino”.

O Irã também reiterou “seu apoio inabalável à firme resistência do povo palestino à ocupação, intervenção estrangeira e políticas de apartheid”, acrescentando que “a paz duradoura só pode ser alcançada através do fim da ocupação e da plena realização da independência e soberania do Estado da Palestina”. Para a República Islâmica, isso deve ser fundamentado “na vontade genuína de seus habitantes originais – muçulmanos, judeus e cristãos – expressa através de um referendo livre e inclusivo”.

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