Assim como nos Estados Unidos, principal país do bloco imperialista, neste ano de 2024 haverá eleições presidenciais na Venezuela, um dos principais inimigos do imperialismo, país que vem há anos sendo fonte de instabilidade para a ditadura dos EUA na América Latina.
Diante dessa conjuntura, é necessário acompanhar o desenvolvimento das eleições presidenciais venezuelanas.
Nesta sexta-feira (26) o Tribunal Supremo de Justiça – TSJ (suprema corte venezuelana) confirmou a inelegibilidade da candidata María Corina Machado, eleita nas primárias da oposição, em 22 de outubro de 2023, para disputar contra Nicolás Maduro a presidência da República da Venezuela.
A ex-parlamentar da Assembleia Nacional Venezuelana não é apenas uma candidata de oposição. Possui antigos vínculos com o imperialismo.
Bolsista da Universidade de Yale em 2009, através do Programa World Fellows – um programa para internacional de bolsas para “líderes globais em ascensão”, isto é, para o imperialismo criar políticos artificiais – Corina Machado também fundou, em 2002, a ONG Súmate, organização para monitorar as eleições venezuelanas.
Tais organizações, normalmente, servem para acusar os governos nacionalistas de Chávez e Maduro de serem ditaduras.
Não coincidente, a ONG Súmate esteve à frente das mobilizações golpistas contra o governo Chávez, em 2004, apenas 2 anos após o golpe de Estado contra Hugo Chavéz, que foi perpetrado pelos EUA, mas derrotado pela mobilização revolucionária do povo venezuelano.
Nas eleições de 2012, María Corina apoiou a candidatura do agente do imperialismo Henrique Capriles, contra Hugo Chávez. Já em 2014, foi uma das lideranças da tentativa de golpe de Estado contra Nicolás Maduro, que os Estado Unidos desatou na esteira da morte de Chávez.
Aquela ofensiva golpista se deu na forma de uma “revolução” colorida, e teve como principais figuras golpistas Leopoldo López e ninguém menos que Juan Guaidó. Esta foi a época das famosas guarimbas, basicamente ataques realizados por bandos fascistas da extrema direita venezuelana, que chegaram até mesmo a assassinar militantes de esquerda ateando fogo neles.
De forma que, ao ser declarada inelegível, o judiciário venezuelano apontou as ligações de Corina Machado com o imperialismo. Segundo a decisão da Sala Político-Administrativo do TSJ, a líder da oposição foi “partícipe da trama de corrupção orquestrada pelo usurpador Juan Antonio Guaidó M., que propiciou o bloqueio criminoso à República Bolivariana da Venezuela, assim como a espoliação descarada das empresas e riquezas do povo venezuelano no exterior, com a cumplicidade de governos corruptos”.
A decisão se deu no âmbito de processo movido pela Controladoria Geral da Venezuela.
No mesmo dia, o Tribunal já havia confirmado a inelegibilidade do golpista Henrique Capriles por 15 anos, após este contestar a decisão original, proferida em 2017, em relação ao seu mandato de governador de Barbados. Capriles também tinha se lançado como candidato nas primárias da oposição. Mas, ao contrário do que ocorreu em 2012, foi ele quem desistiu em favor de Corina Machado.
As inelegibilidades da candidata da oposição e do golpista ocorrem na esteira de um anúncio feito pelo Ministério Público da Venezuela nesta segunda-feira (22), de que as autoridades teriam desbaratado um plano para assassinar Nicolás Maduro, plano que teria sido arquitetado pelos Estados Unidos. Foram presas 32 pessoas envolvidas na conspiração, entre civis e militares. Outras 11 ainda estariam foragidas.
Segundo declara Tarek William Saab, procurador-geral da Venezuela os planos foram organizados a partir da Colômbia, com envolvimento da DEA, da CIA e do exército colombiano:
“Todos essas pessoas e planos foram organizados a partir do território colombiano, com a participação da DEA [agência norte-americana antidrogas], da CIA [Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos] e dos serviços de inteligência do Exército colombiano. Abertamente durante o governo de Iván Duque e secretamente durante a administração de Gustavo Petro”
O assassinato de Maduro seria desatado através de cinco etapas, dentre as quais:
- Acesso a informações confidenciais sobre a segurança do presidente;
- Organização de “atos terroristas”;
- Recolhimento de informações militares e fornecimento das mesmas à CIA;
- Atentado contra Maduro e seu ministro da Defesa.
Ainda segundo o procurador serão realizadas novas prisões, pois “há grupos que se dizem políticos, mas pertencem à ala mais radical da oposição. Eles estão felizes com isso. Eles são lacaios, estão sendo investigados e sua participação nesse roteiro já foi determinada. Temos seus cúmplices e fontes de financiamento”
À luz disto, Maduro declarou na quinta-feira (25) que “Os acordos de Barbados estão mortalmente feridos”.
No caso, o presidente se refere aos acordos feito entre o governo e a oposição, para que as eleições fossem monitoradas por observadores internacionais, dentre os quais, painel de especialistas eleitorais da ONU, a União Africana, a União Interamericana de Organismos Eleitorais e o Centro Carter, todos órgãos do imperialismo.
A declaração se dá na esteira da suposta tentativa de assassinato.
Não se pode afirmar com certeza se essa tentativa de fato ocorreu. Mas não seria algo impossível. Afinal, o imperialismo vem tentando tirar o chavismo do poder desde 2002, tendo feito várias tentativas de golpe de Estado. Chegam inclusive a impor a política genocida do bloqueio, para jogar a população venezuelana na miséria, a fim de criar uma oposição popular ao governo.
Além disso, vale lembrar que, recentemente, Nicolás Maduro realizou um referendo pela anexação da Guiana Essequibo, a qual foi aprovada pela maioria da população. Sendo uma região rica em petróleo e uma reivindicação histórica da Venezuela, contra a Inglaterra e os Estados Unidos, é algo que contraria os interesses do imperialismo na região.
Diante dessa conjuntura, tudo indica que as eleições presidenciais de 2024 na Venezuela irão ocorrer em um cenário de forte contradição entre o país sul-americano e o imperialismo.





