Iemên

Marinha do Brasil declara apoio ao genocídio na Palestina

Militares brasileiros foram colocados pelos Estados Unidos no comando de força multinacional para combater a ação revolucionária dos Ansar Alá no Mar Vermelho

Mostrando que está à serviço do imperialismo,  a Marinha do Brasil foi colocada pelos Estados Unidos no comando da força multinacional para combater a ação revolucionária do Iemên no Mar Vermelho.

Segundo a imprensa burguesa, a Marinha assumiu o comando das Forças Marítimas Combinadas (Combined Task Force – CTF – 151) no final desse mês de janeiro, com a tarefa de coordená-las. Essas forças marítimas fazem parte do Comando Central das Forças Navais dos Estados Unidos, que tem como área de atuação o Mar Vermelho, o Golfo de Omã, o Golfo Pérsico e o Mar Arábico.

O objetivo oficial da tarefa assumida pela marinha seria o combate a pirataria. Contudo, foi designada como área de atuação o Golfo de Áden, a Bacia da Somália e o Mar da Arábia, acidentes geográficos próximos ao Mar Vermelho, justamente a região onde o Ansar Alá, partido que governa o Iêmen, realiza o bloqueio contra as embarcações vinculadas a “Israel”, Estados Unidos e Reino Unido, como parte da luta revolucionária em defesa do povo palestino.

Desde o dia 19 de outubro, as Forças Armadas do Iemên vem realizando um bloqueio no Mar Vermelho, impedindo o tráfego de embarcações israelenses e vinculadas a “Israel”. Desde então, o imperialismo, liderado pelos Estados Unidos e Grã Bretanha, iniciou uma operação militar (Guardião da Prosperidade), consistindo em uma coalizão de mais de 10 países, a maioria deles imperialistas.

A coalizão tentou, mas não conseguiu combater a ação revolucionária do Iêmen, a ponto de já recorrerem mesmo a ataques ao próprio território iemenita. Em resposta, o Ansar Alá ampliou o bloqueio às embarcações norte-americanas e britânicas no final do mês de janeiro.

Agora, conforme noticiado no início deste artigo, o imperialismo está usando os militares brasileiros como ponto de lança contra o Iemên (a quem a cínica imprensa burguesa chama de “milícia houthi”, sem nem mesmo usar o termo em português: “huti”, e como se não fossem eles o governo do país) e, consequentemente, os palestinos.

O próprio jornal golpista O Globo foi forçado a reconhecer, dado o acirramento da crise, que a função da Marinha Brasileira está sendo justamente a de combater o Ansar Alá:

“O comando rotativo está nas mãos do Brasil em um momento de escalada de tensões entre países do Ocidente e a milícia houthi no Iêmen. […] Quem estará à frente da força-tarefa é o contra-almirante brasileiro Antonio Braz de Souza, que afirmou que o foco estará nos casos de pirataria e os ataques a navios mercantes praticados pelos rebeldes houthis do Iêmen.”

A declaração do contra-almirante, ao assumir o comando em cerimônia no Barém, demonstra um completo servilismo da marinha brasileira ao imperialismo norte-americano:

“Ao aceitar o convite para liderar esta força mais uma vez, a Marinha do Brasil, primeiro país sul-americano a desempenhar papel de destaque nesta coalizão marítima multinacional, reafirma sua dedicação à comunidade marítima e, particularmente, às Combined Maritime Forces. Esse compromisso visa intensificar a segurança e estabilidade global, contribuindo para o bem-estar coletivo”.

Segundo informa o jornal burguês, o grupo inclui os seguintes países, além do Brasil: Barém, Dinamarca, Japão, Jordânia, Cuaite, Paquistão, Filipinas, Nova Zelândia, República da Coreia, Singapura, Tailândia, Turquia, Reino Unido e EUA, sendo seu comando rotativo, com mandato entre três a seis meses.

Além disto, uma das tarefas da Marinha Brasileira no comando da CMF será basicamente a de uma polícia dos Estados Unidos, devendo fazer vigilância 24 horas por dia da região. Aliás, pior que uma mera atividade policial, o Brasil cumprirá a função de delatar qualquer atividade suspeita, denunciando-as “às autoridades”, isto é, aos EUA, segundo informações d’o Globo.

Uma demonstração de que a Marinha do Brasil está completamente nas mãos dos norte-americanos, isto é, do imperialismo. Consequentemente, uma demonstração de que o Brasil não é um país soberano, mas uma semi-colônia dos Estados Unidos.

Essa notícia, além de ser por si só grotesca, dado o servilismo dos militares brasileiros perante os norte-americanos, também serve para esclarecer a posição do governo Lula em relação à luta em defesa do povo palestino

Até hoje o governo não assumiu uma posição firme contra “Israel”, em defesa da Palestina. E é assim, pois o imperialismo e o sionismo encurralaram o governo dentro do próprio País, de todas as formas imagináveis: através da imprensa burguesa; da grande burguesia (capitalistas); de políticos burgueses e pequeno burgueses; das instituições repressivas (judiciário, polícia federal, polícias em geral).

Recentemente, foi revelado com o escândalo da “Abin Paralela” que o sionismo também estava presente na agência de espionagem, ou seja, em meio aos militares e à Polícia Federal.

Agora, com esta matéria d’o Globo, está claro que a própria Marinha também está a serviço do sionismo, declarando apoio ao genocídio que “Israel” perpetra diariamente na Palestina.

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