No dia 2 de janeiro, “Israel” assassinou Salah al-Arouri, vice-presidente do gabinete político do Hamas, por meio de um ataque de drones na capital libanesa, Beirute. O evento foi visto por todos como uma escalada no conflito entre a resistência palestina e o Estado sionista, uma vez que Beirute não está envolvida nas conflitos. Embora “Israel” e Hesbolá estejam em conflito, a guerra acontece apenas na fronteira entre o território ocupado pelos sionistas e o Líbano.
O assassinato de Salah al-Arouri, além de ser mais uma ilegalidade do Estado sionista, é uma clara provocação. É uma tentativa de “Israel” arrastar para a guerra outros países, levando a uma generalização do conflito. Por mais perigoso que isso seja para o Estado sionista, esta é a alternativa que restou à extrema direita: arrastando o Hesbolá e o Irã para a guerra, “Israel” conseguiria, assim, um envolvimento direto dos Estados Unidos. Isso, por sua vez, reverteria qualquer possibilidade de o imperialismo norte-americano abandonar “Israel”, coisa que tem sendo visto como cada vez mais possível, uma vez que o apoio à política de Benjamin Netanyahu tem minado o apoio do presidente Joe Biden.
O assassinato já despertou várias reações. A mais contundente foi o discurso de Hassan Nasralá, líder do Hesbolá, feito no dia 3 de janeiro. Conforme explicado por Nasralá, o Hesbolá entrou na guerra contra “Israel” após o 7 de Outubro com “honestidade”, alegando francamente que o seu objetivo era “apoiar os palestinos”, reduzindo a “tensão” do exército sionista sobre a resistência em Gaza e na Cisjordânia. Essa guerra, no entanto, vem acontecendo somente na fronteira entre “Israel” e o Líbano. Uma guerra, conforme explicou Nasralá, cheia de “equações” – isto é, de cálculos para que o conflito não se expandisse.
No entanto, as agressões de “Israel” estão praticamente obrigando o Hesbolá a tomar uma atitude mais enérgica. A fala de Nasralá, neste sentido, foi, em grande medida, um ultimato ao enclave imperialista. Disse ele:
“Estamos lutando no sul do Líbano com equações definidas. Se o inimigo pensar em uma guerra contra o Líbano, nosso combate será sem limites, sem equações, e ele sabe muito bem o que significa isso. Apenas vou falar essas poucas palavras. Não temos medo da guerra, não temos dúvidas. Todo mundo já nos ameaçou, os norte-americanos, os ingleses. Isso não nos fez temer. Se o Estado de ‘Israel’ entrar em guerra com a gente, eles vão se arrepender”.
O líder do Hesbolá ainda disse que a Operação Dilúvio al-Aqsa teria colocado “Israel” no caminho de sua “não existência”. Sua fala não é mero discurso: o envolvimento direto de organizações como o Hesbolá, no Líbano, e os Ansar Alá, no Iêmen, pode levar a uma derrota militar sem precedentes para “Israel”, o que levaria inevitavelmente a sua dissolução enquanto Estado policial do Oriente Médio.