O mais novo pretexto para os ataques contra as redes sociais – e à toda liberdade de expressão, consequentemente – tem sido a tragédia envolvendo as chuvas e enchentes do Rio Grande do Sul. Bastou que fossem feitas críticas ao governo por setores da oposição, bolsonarista ou não, que políticos da própria esquerda voltassem à farsesca e, a essa altura, absurda campanha contra as “fake news”.
Já se pôde ver um exemplo dessa política quando o ministro Paulo Pimenta exigiu que se fizesse uma investigação de todos os perfis que fizessem críticas à atuação das Forças Armadas, da Polícia Federal ou de quaisquer outras instituições do estado no atendimento às vítimas das enchentes, em um comportamento totalmente incompatível com o que se espera de um governo de esquerda ou minimamente democrático.
Agora, há todo um setor da esquerda fazendo uma apologia da política de censura. O deputado distrital do PT, Chico Vigilante, publicou uma coluna no portal Brasil 247, onde afirma que é preciso “afrontar as inverdades da extrema direita”. Para Vigilante, “é urgente a aprovação de uma legislação de combate a fake news no Brasil”. Nesse sentido, ele bota mais lenha na fogueira do já extinto e ressuscitado duas vezes PL das Fake News, também conhecido como “PL da Censura”.
Vigilante afirma que os bolsonaristas e críticos do governo em geral estariam fazendo “terrorismo psicológico”, e que suas supostas mentiras estariam “atrapalhando o atendimento às pessoas e aos animais que necessitam de apoio urgente”, o que é absurdo. Como que uma crítica ao governo ou às Forças Armadas poderia atrapalhar esse trabalho de alguma forma? Trata-se de uma colocação sem sentido algum.
Ele também menciona o caso do Uruguai, “Tem mais: ficam inventando que o governo federal está barrando a entrada de alimentos, exigindo habilitação de barqueiros e ignorando ajuda de países, como o Uruguai. Tudo mentira”. Se é tudo mentira, então qual seria o problema? Se é assim, é fácil de desmentir o que está sendo dito, não há a menor necessidade de se criar uma lei para aumentar a censura nas redes sociais.
Chico Vigilante levanta que “Se eles são capazes de fazer isso com uma tragédia, imagina o que serão capazes de fazer durante as eleições”. No entanto, o mesmo pode ser dito daqueles que defendem a censura. Se são capazes de se aproveitar de uma tragédia para promover essa política anti-democrática, imagine o quanto estarão dispostos a censurar durante o período eleitoral. As eleições anteriores já têm demonstrado a grande capacidade da burguesia de procurar “silenciar” as redes sociais e a Internet em geral sobre quaisquer assuntos, da mesma forma que já praticamente excluíram o tempo de televisão da maior parte dos partidos. A cada eleição que passa, esse processo se aprofunda ainda mais.
Infelizmente, uma parte da esquerda está vivendo sob a ilusão de que é possível e desejável uma união com a burguesia dita “democrática” para combater o bolsonarismo, uma ilusão extremamente prejudicial, pois é parte do motivo pelo qual esse setor está apoiando a censura e a perseguição às redes sociais. O próprio Chico Vigilante ilustra isso: “Está na hora da nação, cada qual com seu pensamento ideológico, se unir para combater o veneno deste País: a extrema direita. Vamos todos combater aquilo que é nocivo aos interesses nacionais”. Não, Chico. O que é nocivo aos “interesses nacionais” é a perseguição e censura das pessoas na internet.
Deveria já estar mais do que claro que a questão da liberdade de expressão é das mais fundamentais para a sociedade e não deve ser nunca sobrepujada por interesses eleitorais ou por oportunismo, principalmente diante de uma tragédia que está chocando a todos no País. Nesse sentido, é preciso demonstrar a catástrofe da política de figuras como Chico Vigilante e outros que defendem a censura. Toda essa política já está se voltando contra a esquerda e contra os trabalhadores, mas isso parece não ser o suficiente para que o PT “acorde”





