No dia 21 de janeiro, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) publicou um extenso documento respondendo às principais questões relacionadas ao atual conflito entre israelenses e palestinos. O texto, intitulado Nossa narrativa sobre a Operação Dilúvio al-Aqsa, possui cinco capítulos e foi traduzido para o português com exclusividade por este Diário. Você encontra o texto na íntegra aqui.
Abaixo, reproduzimos o terceiro capítulo, que trata dos crimes de “Israel” contra a resistência palestina.
Rumo a uma investigação internacional transparente
1 – A Palestina é um Estado-membro do Tribunal Penal Internacional (TPI) e aderiu ao seu Estatuto de Roma em 2015. Quando a Palestina solicitou uma investigação sobre crimes de guerra israelenses cometidos em seus territórios, foi confrontada com a intransigência e a rejeição de “Israel”, além de ameaças de punição de palestinos em pedidos feitos junto ao TPI. É também lamentável mencionar que houve grandes potências, que afirmam defender valores de justiça, que se aliaram completamente à narrativa da ocupação e se opuseram às iniciativas palestinas no sistema de justiça internacional. Essas potências querem manter “Israel” como um estado acima da lei e garantir que escape à responsabilidade e prestação de contas.
2 – Instamos esses países, especialmente os governos dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Reino Unido, se realmente pretendem que a justiça prevaleça, como afirmam, a declararem seu apoio à investigação de todos os crimes cometidos na Palestina ocupada e a dar total apoio para que os tribunais internacionais possam desempenhar efetivamente seu papel.
3 – Apesar das dúvidas desses países em apoiar a justiça, instamos ainda o procurador do TPI e sua equipe a virem imediatamente e urgentemente à Palestina ocupada para investigar os crimes e violações cometidos lá, em vez de apenas observar a situação remotamente ou estarem sujeitos às restrições israelenses.
4 – Em dezembro de 2022, quando a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução buscando a opinião da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre as consequências legais da ocupação ilegal de “Israel” nos territórios palestinos, aqueles (poucos) países que apoiam “Israel” anunciaram sua rejeição à iniciativa, aprovada por quase 100 países. E quando nosso povo – e seus grupos de direitos humanos – buscou processar criminosos de guerra israelenses nos tribunais europeus – por meio do sistema de jurisdição universal – os regimes europeus obstruíram as ações em favor dos criminosos de guerra israelenses, que permaneceram impunes.
5 – Os eventos de 7 de outubro devem ser colocados em seu quadro mais amplo, e todos os casos de luta contra o colonialismo e as ocupações em nosso tempo devem ser evocados. Essas experiências de luta mostram que, no mesmo nível de opressão cometida pelo ocupante, haverá uma resposta equivalente pelo povo sob ocupação.
6 – O povo palestino e os povos em todo o mundo percebem a escala de mentiras praticadas por esses governos que apoiam a narrativa israelense em suas tentativas de justificar seu viés cego e encobrir os crimes israelenses. Esses países conhecem as causas fundamentais do conflito, que são a ocupação e a negação do direito do povo palestino de viver com dignidade em suas terras. Esses países mostram pouco interesse na continuação do bloqueio injusto a milhões de palestinos em Gaza e também demonstram pouco interesse pelos milhares de detentos palestinos em prisões israelenses, onde seus direitos básicos são em grande parte negados.
7 – Saudamos os povos livres do mundo de todas as religiões, etnias e origens que se reúnem em todas as capitais e cidades do mundo para manifestar sua rejeição aos crimes e massacres israelenses e para mostrar seu apoio aos direitos do povo palestino e sua justa causa.




