No dia 21 de janeiro, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) publicou um extenso documento respondendo às principais questões relacionadas ao atual conflito entre israelenses e palestinos. O texto, intitulado Nossa narrativa sobre a Operação Dilúvio al-Aqsa, possui cinco capítulos e foi traduzido para o português com exclusividade por este Diário. Você encontra o texto na íntegra aqui.
Abaixo, reproduzimos o quinto capítulo, que trata dos próximos passos da luta.
O que é necessário ser feito?
Ocupação é ocupação, não importa como se descreva ou se autodenomine, e continua a ser uma ferramenta para ignorar a vontade dos povos e continuar oprimindo-os. Por outro lado, as experiências dos povos e nacionalidades ao longo da história sobre como se libertar da ocupação e do colonialismo confirmam que a resistência é a abordagem estratégica e o único caminho para a libertação e o fim da ocupação. Alguma nação foi liberta da ocupação sem luta, resistência ou sacrifício?
Os imperativos humanitários, éticos e legais exigem que todos os países ao redor do mundo apoiem a resistência do povo palestino e não colaborem contra ela. Eles devem confrontar os crimes e a agressão da ocupação, bem como apoiar a luta do povo palestino para libertar suas terras e exercer seu direito à autodeterminação, assim como todos os povos ao redor do mundo. Com base nisso, fazemos os seguintes apelos:
1 – A imediata interrupção da agressão israelense em Gaza, dos crimes e da limpeza étnica cometida contra toda a população de Gaza, com a abertura das fronteiras e a permissão da entrada de ajuda humanitária em Gaza, incluindo materiais para a sua reconstrução.
2 – Responsabilizar legalmente a ocupação israelense pelo sofrimento humano causado ao povo palestino e acusá-la pelos crimes contra civis, bem como contra sua infraestrutura, seus hospitais, suas instalações educacionais, suas mesquitas e suas igrejas.
3 – O apoio à resistência palestina face à ocupação israelense com todos os meios possíveis, como um direito legitimado pelas leis e normas internacionais.
4 – Apelamos aos povos livres ao redor do mundo, especialmente aqueles que foram colonizados e compreendem o sofrimento do povo palestino, para adotar posições sérias e eficazes contra as políticas de duplo padrão adotadas por potências e países que apoiam a ocupação israelense. Pedimos a essas nações que iniciem um movimento global de solidariedade com o povo palestino e enfatizem os valores da justiça e igualdade, e o direito dos povos de viverem em liberdade e dignidade.
5 – As superpotências, especialmente os Estados Unidos, o Reino Unido e a França, entre outros, devem parar de fornecer à Entidade Sionista cobertura contra e parar de lidar com ela como um país acima da lei. Esse comportamento injusto por parte desses países permitiu que a ocupação israelense, por mais de 75 anos, cometesse os piores crimes contra o povo palestino, contra suas terras e contra suas santidades. Instamos os países ao redor do mundo, hoje mais do que nunca, a cumprir suas responsabilidades em relação ao direito internacional e às relevantes resoluções da ONU que pedem o fim da ocupação.
6 – Rejeitamos categoricamente quaisquer projetos internacionais ou israelenses destinados a decidir o futuro de Gaza, que só servem para prolongar a ocupação. Ressaltamos que o povo palestino tem a capacidade de decidir seu futuro e organizar seus assuntos internos. Assim, nenhuma parte no mundo tem o direito de impor qualquer forma de tutela ao povo palestino ou decidir por eles.
7 – Resistir às tentativas israelenses de causar outra onda de expulsão – ou uma nova Nakba – aos palestinos, especialmente nas terras ocupadas em 1948 e na Cisjordânia. Ressaltamos que não haverá expulsão para o Sinai, ou à Jordânia, ou a qualquer outro lugar, e se houver realocação para os palestinos, será em direção às suas casas e áreas das quais foram expulsos em 1948, como afirmado por muitas resoluções da ONU.
8 – Pedimos a manutenção da pressão popular ao redor do mundo até o fim da ocupação; pedimos resistência contra as tentativas de normalização das relações com a entidade israelense e um boicote abrangente à ocupação israelense e seus apoiadores.




