Trégua temporária

Uma vitória extraordinária do Hamas contra Israel

Netanyahu e a cúpula de seu governo falaram que iriam destruir Gaza e o Hamas. No entanto, a invasão fracasso, o exército sofreu pesadas baixas e foi forçado a negociar com o Hamas

No dia 24 de novembro teve início uma trégua temporária entre a resistência palestina, liderada pelo Hamas, e o Estado de Israel. A trégua foi uma vitória extraordinária para o povo palestino e suas organizações armadas, afinal, após a ação revolucionária do 7 de outubro, que, expôs a debilidade do sionismo, Netanyahu e a cúpula de seu governo falaram que iriam destruir Gaza e o Hamas.

Às declarações seguiram-se incessantes bombardeios, que já levaram à morte de mais de 15 mil palestinos, inclusas 6.150 crianças e 4.000 mulheres. Os bombardeios serviram para preparar a invasão terrestre. No entanto, apesar de todo o genocídio, a invasão terrestre fracassou, e o exército sionista sofreu pesadas baixas, não conquistou nenhum objetivo militar significativo, não fez a resistência recuar, e ainda teve de lidar com deserções em suas fileiras, conforme já noticiado neste Diário.

Tropas israelenses se recusam a enfrentar resistência palestina

 

Uma vitória extraordinária o Hamas, e uma derrota acachapante para os sionistas. Não coincidentemente, no dia seguinte ao seu início, houve uma reunião em Beirute, Líbano, entre os líderes do Hesbolá, Hamas e Jiade Islâmica, para discutir a vitória.

Diante dessa profunda derrota, Netanyahu e seu governo não teve alternativa senão aceitar uma trégua, a qual serviu viu para consolidá-la. A trégua tanto foi uma derrota, que Israel evitou até o último momento aceita-la. Incialmente deveria ter se iniciado no dia 23 de novembro, mas foi adiada para o dia seguindo.

Os termos do acordo expuseram ainda mais a fraqueza e decadência do sionismo. E quais termos foram estes? Uma pausa temporária nos combates, durante quatro dias, a entrada de ajuda humanitária em Gaza; que Israel cessasse todo tipo de missões aéreas sobre o sul de Gaza; que fosse estabelecida uma zona de exclusão aérea sobre o norte durante seis horas, diariamente; e, o principal, a troca de prisioneiros, através da qual o Hamas deveria libertar 50 reféns israelenses, enquanto que “Israel” deveria libertar 150 prisioneiros palestinos.

A libertação dos prisioneiros palestinos, em especial, solidificou a vitória do Hamas, e a derrota de “Israel”. Afinal, eram pessoas que estavam presas nas masmorras israelenses há anos. Várias delas foram presas quando crianças, de forma que quando foram liberadas agora nessa última semana, já eram adolescentes ou quase adultos.

Sua libertação foi recebida em Gaza e na Cisjordânia com grandes mobilizações populares, nas quais se viam inúmeras bandeiras do Hamas, mostrando a popularidade do partido, ao contrário do que diz a imprensa imperialista, de que o grupo estaria perdendo apoio entre os palestinos em razão da ação do dia 7.

 

 

 

 

As forças sionistas, por sua vez, até mesmo em momentos como este desataram a reprimir os palestinos na Cisjordânia, em Jerusalém.

 

 

 

E quanto aos reféns israelenses? Vídeos de sua libertação servem para desmascarar que os militantes do Hamas não os monstros pintados pela máquina de propaganda do sionismo.

 

 

 

Inúmeros dos reféns israelenses que puderam falar à imprensa sionista e imperialista deram seus depoimentos validando o tratamento humano e digno que receberam do Hamas, conforme já noticiado neste Diário.

 

“Israel matou os reféns, não o Hamas”

 

Contudo, por causa disto, agora sofrem censura e perseguição por parte do governo sionista, sendo inclusive objeto de internação compulsória em hospitais psiquiátricos.

 

Israelenses são internados em hospitais para evitar testemunhos

 

Aliás, até mesmo órgãos da imprensa sionista estão sendo ameaçados de censura pelo Estado de “Israel”, simplesmente por reverberarem os depoimentos dos reféns libertos. O porquê? Pois desmascara a propaganda sionista contra o Hamas, os palestinos e suas organizações de resistência. Segundo reportagem do sítio The Conversation, “O ministro das comunicações, Shlomo Karhi, sugeriu que fossem aplicadas sanções financeiras ao jornal, acusando-o de “propaganda mentirosa e derrotista” e de “sabotar Israel em tempo de guerra”. A proposta visa cancelar assinaturas estaduais do jornal e “proibir a publicação de editais”.

Tudo isto demonstra a natureza ditatorial do Estado israelense. Mesmo durante a trégua, a repressão aos palestinos (e mesmo a israelenses), continuou. Sobre isto, cumpre informar que apesar da libertação vitoriosa dos 150 presos palestinos, o Estado de “Israel”, em medida desesperada para mascarar a derrota, prendeu quase o mesmo número nesses 7 dias em que durou o acordo temporário. Foram 133 palestinos presos pelas forças sionistas apenas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, uma verdadeira violação do acordo, e um sinal de que o governo Netanyahu estava sendo pressionado pelos setores mais extremistas da política israelense para agir sem meias medidas contra os palestinos.

Conforme dito acima, a trégua teve duração de 7 dias. Inicialmente, duraria por quatro. Mas houve uma primeira prorrogação que a estendeu até o dia 30. A reunião da qual resultou a prorrogação foi realizada no Qatar, e contou inclusive com a presença da CIA e do Mossad, demonstrando o tamanho da crise gerada resistência palestina.

Quando estava prestes a acabar, foi prorrogada novamente a um dia. Contudo, novamente sob pressão do setor mais fascista de “Israel” (ainda mais do que o próprio Netanyahu), o primeiro-ministro violou a trégua neste dia 1º de dezembro. Apesar de toda a pressão internacional para que a trégua fosse extendida, inclusive aprofundada em direção à solução definitiva do conflito, mesmo sob pressão do imperialismo europeu e norte-americano, Netanyahu retomou os bombardeios sobre Gaza, como se nunca tivesse os cessado, resultando em quase 200 mortos apenas neste dia 1º de dezembro.

O que mostra que a crise se aprofunda, tanto a do Estado de “Israel”, que não consegue controlar seu setor mais fascista, quando a do imperialismo, que não consegue controlar “Israel”, para voltar a ter um domínio estável sobre o Oriente Médio.

Nisto, a corrupta Autoridade Palestina, que diz representar os palestinos, mas é um fantoche de “Israel” e dos EUA entra em uma espiral de crise que tente da leva-la à sua dissolução.

Por outro lado, a resistência palestina e suas organizações armadas, cuja principal é o Hamas, segue se fortalecendo e ganhando apoio perante a população, pois travam uma luta consequente contra o sionismo, assestando pesadas derrotas aos invasores.

Tanto é assim que mesmo após a violação da trégua por “Israel”, as organizações da resistência, e demais grupos que apoiam o povo palestino, como o Hesbolá, os houtis do Iemem, e as milícias iraquianas, não recuaram. Subiram o tom e intensificaram os ataques e os preparativos para novas ofensivas contra as tropas sionistas.

De forma que se o Estado israelense já sofreu uma grande derrota no dia 7, e se a trégua do dia 24 foi uma vitória extraordinária para resistência palestina, “Israel” poderá se deparar com uma derrota ainda maior caso insista tentar esmagar os palestinos. 

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