É noticiado aos quatro ventos que Estados Unidos e União Europeia enviarão tanques de guerra à Ucrânia. Os noticiários dão o número e falam em defesa da Ucrânia e da generosidade da Europa e dos EUA para com o país oprimido pelo monstro Putin.
Entretanto, perguntamo-nos: Qual a efetividade de um tanque de guerra no campo de batalha?
Em 11 de junho, a BBC, principal porta-voz da OTAN, publicou uma matéria cujo título era: “Como a guerra na Ucrânia torna futuro dos tanques incerto”.
A reportagem procura mostrar que os 700 tanques russos perdidos na primeira ação contra Quieve foram o resultado de uma tática mal-empregada, pois deveriam ter apoio de “infantaria, artilharia e aeronaves”. Dessa forma, o problema não seria os tanques, mas o apoio de terra e ar.
Na guerra do Alto Carabaque, o Azerbaijão dizimou o efetivo de tanques da Armênia, usando, para isso, drones turcos. Outros exemplos indicam que tanques de guerra se tornaram alvos frágeis no campo de batalha, sobretudo devido ao uso de drones.
Agora, a Europa anuncia enviar tanques Leopard, de fabricação alemã. para a Ucrânia. Até pouco tempo atrás, esses tanques eram considerados imbatíveis – tecnologia de ponta, como diziam. Mas não conseguiram enfrentar os guerrilheiros do Estado Islâmico, em 2016 e 2018.
Eu não sei se os militares alemães têm fascinação por gatos, pois, além dos Leopards, na Segunda Grande Guerra, anunciaram os Tigers, uma superarma de guerra. O problema é que, enquanto se fabrica uma unidade dessas armas altamente tecnológicas, pode-se fabricar uma dezena de tanques convencionais. Na guerra, o que importa é o número, o efetivo. O fator numérico é entre 10 e 11 vezes superior ao poder de fogo.
Outro grande problema do envio de tanques para a Ucrânia é o anúncio barulhento que a Polônia e a Finlândia estão fazendo. Anunciaram que enviarão esses mesmos tanques de suas reservas para o campo de batalha.
Esses países fazem fronteira com a Rússia e não deveriam ficar provocando o vizinho. São como cachorros domésticos: latem no portão, mas, quando o perigo se aproxima, escondem-se atrás das pernas do dono. Polônia e Finlândia só latem porque têm o respaldo da OTAN. No entanto, a OTAN é uma organização moribunda. Quando fechar as portas, deverá soltar os cachorros. E cachorro, na rua, é presa fácil para a carrocinha.
A imprensa, por outro lado, deveria ter a mesma preocupação, pois está vendendo sua credibilidade a preço vil. O fim da OTAN representará o fim de muitos jornais.
A imprensa que cobre essa guerra só é levada a sério por gente incauta ou desinformada a respeito do conflito. E essa mesma imprensa anuncia hoje a entrega de tanques como uma grande coisa. Ontem, porém, desdenhava dessas armas. É preciso ter coerência para informar.
A verdade é que, na guerra, o que conta não são mísseis, tanques, drones, apoio aéreo, nem nada. O que conta são corpos mortos no campo de batalha.




