Querem um novo 2016

PSTU repete: “impeachment de Dilma não foi golpe!”

A linha de frente da esquerda golpista de 2016 agora requenta seus argumentos como base para sua nova campanha de apoio ao golpe contra o presidente Lula

Passados sete anos do golpe de Estado de 2016 a esquerda pequeno burguesa retorna sua campanha golpista contra o governo do PT. A mais golpista das organizações, o PSTU, lidera a “luta” contra o Arcabouço Fiscal, uma campanha velada para derrubar o governo Lula. Em seu jornal Opinião Socialista de junho, os morenistas publicaram um artigo defendendo a tese de que não houve golpe contra Dilma “Impeachment não é golpe e jabuti não sobe em árvore”. Para o PSTU é preciso anular a loucura de 2015/6 para que possam atuar novamente contra o PT sem sofrer um amplo repúdio.

O artigo já começa com a afirmação na lata: “Não houve ‘golpe’ em 2016. Em política, um golpe ocorre quando uma disputa entre dois setores da classe dominante termina em uma mudança de regime político, em que o Estado não se organiza via democracia burguesa, e deixa de se apoiar na independência dos três poderes para a resolução de conflitos internos à classe dominante.”  Os morenistas já alteram completamente a teoria do golpe como base para sua tese. De acordo com o PSTU o golpe só existe entre dois setores da classe dominante. Não existe golpe contra um governo popular. Na América Latina o mais tradicional golpe foi justamente quando um governo nacionalista, apoiado na classe operária foi derrubado pelo imperialismo e um setor da burguesia nacional. 

Na tese do PSTU o golpe de 1964 também não foi golpe, pois foi contra um setor da classe dominante, o latifundiário Jango do partido nacionalista burguês PTB. Mas para se contrapor imediatamente a esse argumento eles continuam: “Apoiado nas Forças Armadas ou policiais, centraliza o poder numa ditadura ou até num regime fascista. Pode ser um golpe organizado por um setor das Forças Armadas, por um movimento fascista baseado em grupos armados, ou até mesmo por um grupo civil apoiado por forças policiais e militares”. Aqui o grande erro é que o golpe termina necessariamente em uma ditadura. Existem golpes de todas as formas, o golpe contra Dilma gerou o governo Temer, um governo de ataque total aos trabalhadores, mas que não é frequentemente considerado uma ditadura.

Houve golpes que geraram regimes que seriam considerados democráticos. O golpe da burocracia para pôr um fim à URSS gerou um regime “democrático”. O golpe contra Zelaya em Honduras não terminou em ditadura, mas em outra “democracia”. Na verdade, os golpes do século XXI, em geral, tem uma feição democrática, dado que o imperialismo tem dificuldades de manter ditaduras. Outro argumento é que é necessária a participação das Forças Armadas, isso está correto. Mas essa participação não precisa ser aberta. Para o PSTU, no entendo, os militares não participaram do golpe de 2016. Uma análise totalmente rasa. Uma das principais figuras do golpe foi o general Etchegoyen, ministro do GSI, e em 2017 e 2018 ficou muito claro que eles haviam sido um baluarte de todo golpismo.

O PSTU segue com a sua tese democrática: “quando existe a possibilidade de se impor um regime autoritário, a obrigação de um partido revolucionário é lutar com tudo contra o golpe, fazendo unidade de ação com todas as forças que defendem as liberdades democráticas”. Essa análise de democracia x autoritarismo é exatamente a tese do imperialismo. É assim que pode se sustentar o governo Temer, o governo Lasso, Dina Boluarte etc. A análise correta é a de classes. Quem quer derrubar o governo é o imperialismo, nesse caso é preciso defender o governo sem tergiversar. Ele pode ser uma ditadura, um governo de fundamentalistas religiosos, de anti-comunistas, ou o que quer que seja. 

Esse erro de análise faz o PSTU tomar a política errada internacionalmente, não só no Brasil. Eles atacam Putin, o governo do Irã, o governo Assad, Lula, Maduro e o governo Cubano. Na verdade, atacam todos os governos que são atacados pelo imperialismo por estes serem autoritários. Esse é o resultado de seguir a tese imperialista, e não a tese marxista, o partido fica a reboque da política imperialista. O PSTU é quase o modelo para explicar essa ideia pois parece estar 100% das vezes alinhado com a política dos EUA. Outro fator secundário interessante é que o partido afirma que as liberdades democráticas devem ser defendidas em caso de golpe, mas nos últimos anos entrou de cabeça na campanha pela supressão dos direitos democráticos, um dos motivos é justamente por nem considerar a possibilidade de golpe.

Se não houve golpe é preciso explicar a derrubada de Dilma: “A oposição burguesa não queria e nem precisava de um golpe, porque a maioria absoluta da população desejava que o governo Dilma fosse embora de uma forma ou de outra”. Esse é o problema das teses erradas, para que sejam sustentadas é preciso entrar em uma espiral de loucura. Se a população queria a derrubada do governo do PT pq já em 2018 Lula venceria novamente as eleições caso fosse candidato? E se a oposição não queria o golpe porque armou toda a operação Lava Jato, por que o Congresso e o STF entraram em conjunto para derrubar a presidenta Dilma? A mobilização artificial da classe média contra o governo do PT impulsionada pela Rede Globo é confundida com a luta real da população. Isso é bom para explicar o caráter de classe do PSTU, um partido totalmente pequeno burguês, que não sabe nem reconhecer um ato popular.

É tão absurdo que o artigo se contradiz logo depois: “o que aconteceu no Brasil foi a luta entre dois campos burgueses, se utilizando de rasteiras e manobras sujas típicas da democracia burguesa”. É preciso escolher, ou foi uma mobilização dos trabalhadores ou foi uma rasteira (golpe) da burguesia. A tese do apoio popular é necessária para o PSTU pois eles estavam nas manifestações e é muito vergonhoso ter participado dos atos coxinhas. O texto afirma “O PSTU defendeu tirar todos eles e realizar eleições gerais” o que é uma farsa, logo após a derrubada de Dilma a “luta” do PSTU minguou e quase desapareceu nos primeiros anos de Bolsonaro. Não houve fora todos, apenas fora Dilma.

O artigo fecha com a base do que é a teoria da esquerda golpista hoje: “Em 2015-16, quase toda a esquerda se rendeu à defesa do governo do PT com seus aliados burgueses. Quando era preciso o oposto: organizar um terceiro campo, de classe, que colocasse para fora todos os corruptos, dissesse os ricos pagarem pela crise e lutasse por um governo socialista dos trabalhadores.” O grande erro no argumento é que defender o governo do PT significa se abster da luta independente pelo socialismo, a ideia do 3º campo é uma farsa. A luta pelo socialismo é a luta contra o imperialismo e portanto quando este ataca o governo do PT a luta em defesa do PT é uma luta em defesa do socialismo. A única necessidade é que o partido não abandone sua política entrando do PT, mas mantenha a sua política marxista lutando contra o golpe.

As duas classes sociais que disputavam em essência em 2016 eram o imperialismo e a classe operária brasileira. A classe operária estava, de forma desorganizada e muito desmobilizada, com o governo do PT. Quem portanto ficou de fora dessa luta, atuou no “3º campo” não travou a luta em meio a classe operária para evoluir a sua consciência. Pelo contrário, confundiu todo o quadro. Na prática o esse “3º campo” serviu como a ala esquerda do golpismo imperialista. Da mesma forma que o PSTU, o PCB, o MRT, a CST e quase toda a esquerda pequeno burguês quer fazer em 2023.

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