Marcelo Marcelino

Membro Auditoria Cidadã da Dívida Pública (ACD) nacional, sociólogo, economista e cientista político, pesquisador do Núcleo de Estudos Paranaenses – análise sociológica das famílias históricas da classe dominante do Brasil e membro do Partido da Causa Operária – Curitiba.

Marx e a liberdade

Marx e a liberdade de imprensa deve inspirar levante da esquerda

A esquerda pequeno burguesa adotou a conciliação de classes com maior ênfase desde a posse do presidente Lula em 2003 e não acorda do seu sono profundo, onde Marx está morto.

A partir da assim denominada redemocratização no país e a derrocada da Ex-União Soviética os meios de comunicação da burguesia nacional e do imperialismo impulsionaram de maneira voraz o “anti-marxismo”. A cultura de massa encontrou terreno fértil a partir do exemplo da ex-União Soviética para criticar e desmontar as interpretações que diziam respeito ao socialismo e ao comunismo. A queda do muro de Berlim, à guinada à direita da China no mesmo período e a implementação do Consenso de Washington na década de 1990 como diretriz estratégica da globalização econômica e financeira neoliberal foram processos avassaladores no sentido da imposição dos ditames do imperialismo.

A ideologia neoliberal passou energicamente a ser defendida em Escolas de Economia no interior das universidades brasileiras, inclusive nas públicas   com epicentro em São Paulo. Os estudantes de ciência política, ciências sociais, história, antropologia entre outras áreas das ciências humanas foram adotando um discurso apaziguador, pretensamente científico em relação as abordagens de estudos e pesquisas voltados a compreender a sociedade. O pós modernismo havia atingido seu ápice entre o final da década de 1990 e a primeira década dos anos 2000. A esquerda passa a ser cooptada pelos interesses do capital com discurso pragmático eleitoreiro e os sindicatos aceitam a partir de então uma conciliação desavergonhada com governos direitistas e patrões algozes do povo.

No bojo das suas conquistas vorazes do imperialismo sobre o trabalho na década de 1990 uma rendição à burguesia aparece como solução frente aos retrocessos evidentes. A convicção por parte da esquerda em se apresentar como palatável e disposta a cooperar com a burguesia e o imperialismo em troca de alguns poucos avanços sociais é quase uma unanimidade perante a situação deplorável da classe trabalhadora e da população de conjunto no final da Era FHC.

O peleguismo quase incólume na crítica política da esquerda e o pragmatismo típico da direita mais cafajeste, chula e oportunista contamina a esquerda em torno dos políticos profissionais, sindicatos e demais entidades relacionadas aos movimentos sociais. A eleição do presidente Lula no final de 2002 e o “sucesso” do seu governo no final de 2010, contando ainda com a vitória de uma mulher desconhecida à presidência, sob a batuta de Lula, consolidou de vez a visão de que o caminho da conciliação burguesa foi a mais acertada política desde a redemocratização.

A esquerda, que não é a profissional, também passa a sofrer das alucinações do ópio ideológico burguês e adota o tom da “necessidade” de alianças com a direita das mais variadas. A ideologia da esquerda pequeno burguesa canta versos uníssonos na direção do apoio da política de coalizão de forças com a classe dominante e o imperialismo nos bastidores. As corretas críticas ao governo Lula pela esquerda mais combativa como o PCO desde o início do seu governo foram varridas pra debaixo do tapete completamente pela esquerda durante mais de uma década de governos petistas. Marx sempre foi combatido pela direita por motivos óbvios, mas quem sepultou Marx do debate acadêmico e da análise de conjuntura foi a esquerda com fortíssimos exemp0los a partir do próprio governo Lula.

Sob a gestão de Paulo Bernardo ocorreu o maior fechamento de rádios comunitárias e José Dirceu até explodir o caso do “mensalão” derramava lágrimas sob o sepultamento do maioral das organizações Globo – Roberto Irineu Marinho. A mesma Globo que o perseguiu, assim como outros companheiros logo à frente, faria anos mais tarde com Dilma e por último com Lula n bojo do golpe de Estado.

As lições do golpe de Estado de 2016, a princípio não foram bem aprendidas pelo PT e pela esquerda de conjunto, já que a direita bolsonarista e tradicional são a maioria no Congresso nacional e demais instituições de Estado e os meios de comunicação monopolistas da grande imprensa começam a atacar o governo Lula com menos de cinco meses de mandato em 2023. Sem meios de comunicação fortes e coesos será a Globo e demais consórcios da imprensa capitalista que irão defender a democracia e barrar a fabrica de mentiras disseminadas nas redes sociais? A imprensa da grande burguesia não mente? Mas, não foram os grandes meios de comunicação de massa que começaram a espalhar os vociferados ódios ainda propagados hoje contra o PT, Lula, Dilma e toda a esquerda? E o golpe de Estado no Brasil não teve a participação das organizações Globo e demais veículos da desinformação ou “fake reality” cotidianos? E mais uma pergunta para que não se torne cansativa essa reflexão: mas pera aí; não foram os canais alternativos das tais “big techs” como a TV 247 e Causa Operária, entre tantos canais que denunciaram incisivamente a farsa da operação “Lava Jato”, do impeachment da Dilma e da condenação e posterior prisão do presidente Lula? O monopólio da imprensa capitalista tradicional alguma vez falou em golpe? Não! Porque foram esses veículos que deram o golpe de maneira uníssona com a burguesia oportunista e entreguista nacional em conluio com o imperialismo.

Mas no projeto conhecido como das “Fake News” esses meios de comunicação terão algum tipo de sanção? Não! Somente as plataformas nas redes sociais veiculadas pela internet. Mas, se fosse um projeto democrático ao menos poderia se pensar nessa possibilidade a despeito de muitos concordarem ou não com quaisquer sanções, represálias ou regulações. Das conveniências dos políticos profissionais da direita e infelizmente da esquerda podemos esperar muita coisa negativa, mas cabe ressaltar, que todos aqueles que defendem o povo e a soberania nacional nesse momento precisam questionar essas medidas antidemocráticas, e quem sabe retomarem princípios basilares norteadores que retornam com ainda mais força, apesar da ideologia burguesa se esforçar muito em apaga-los.

Mentiras se combatem com verdades! Mas afinal, o que seria a verdade? Em relação a alguns fatos isso pode ser facilmente comprovado e demonstrado, mas a medida que o grau de complexidade aumenta e um conjunto de interpretações sobre o mundo, além da feroz luta política entre a burguesia e o povo aumentam quem detém o monopólio da verdade? São os grupos que controlam as opiniões segundo sua visão de mundo; portanto, a classe dominante. Marx e Engels escreveram juntos entre 1843-44 um livro extremamente importante e didático denominado “A ideologia alemã”. Se as pessoas se dizem de esquerda e ainda não compreenderam quem fabrica, controla e detém a verdade considero relevante abandonar pelo menos um instante a “imprensa verdadeira” controlada pelo imperialismo e pela burguesia para ler, ao menos alguns trechos desse belo exemplar. Conforme os autores revolucionários abordam: “as ideias, valores e todas as formas de cultura na sociedade disseminados pelos veículos da imprensa capitalista e demais aparelhos ideológicos refletem a visão de mundo e os interesses da classe dominante”.

Portanto, o princípio balizar passa a ser o da defesa da imprensa operária e popular contra quaisquer formas repressoras e de censura, seja nas redes como da imprensa em geral. Marx sabiamente enfatizou diversas vezes a necessidade da defesa da liberdade de imprensa e para consolidar essa defesa também através dessa matéria no DCO retiramos um trecho de uma de suas obras mais militantes nesse sentido. “A liberdade de imprensa também é uma beleza – embora não seja precisamente feminina – que o indivíduo deve ter amado para assim poder defendê-la.  Amado verdadeiramente – isto é, um ser cuja a existência sinta como uma necessidade, como um ser sem o qual seu próprio ser não pode ter uma existência satisfatória, não realizada. Os defensores da liberdade de imprensa parecem estar realizados sem a existência da liberdade de imprensa”.

A passagem do livro “Liberdade de imprensa” escrito por Marx em meados do século XIX denota leveza e ironia; primeiro a partir da observação dos escritos de Goethe sobre o pintor que só pinta com êxito aquelas belezas femininas que ela tenha amado como seres vivos e segundo ironicamente critica aqueles que dizem exaltar a liberdade de imprensa defendendo em alguns casos a sua supressão. A esquerda mundial e especificamente brasileira irá acordar do seu sono profundo e se levantar contra os verdadeiros inimigos com armas em punho; repudiando acordos com a burguesia e o imperialismo a troca de repressão e supressão dos direitos ou sucumbirá em nome das pretensas causas democráticas e antifascistas nas redes sociais? Vale lembrar das lições de Marx hoje e sempre.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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