Israel

Imperialismo retoma processo contra Netanyahu

O imperialismo se vê diante da necessidade de retomar os julgamentos contra o primeiro-ministro, como uma saída para a crise que se agudiza no Oriente Médio.

Após ter sido suspenso por determinação emergencial do Ministro da Justiça de “Israel”, no dia 7 de outubro, o julgamento do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por inúmeras acusações de corrupção foi retomado nessa segunda-feira (4).

No primeiro semestre deste ano, “Israel” foi tomado por grandes protestos contra o governo Netanyahu em razão de sua tentativa de passar a chamada “Reforma Judicial”, que diminuiria o controle da Suprema Corte de “Israel” sobre o Knesset e o governo.

Dentre a justificativas ideológicas que serviram para inflamar as manifestações, utilizou-se a questão da democracia. Netanyahu estaria agindo como um fascista, um membro da extrema-direita que é, e violando a democracia ao tentar diminui os poderes da Suprema cortes. Os protestos, então, eram propagandeados como em prol da democracia.

Formalmente, o primeiro-ministro já vinha enfrentando acusações de fraude, suborno e quebra de confiança em três casos abertos em 2019, conhecidos como Casos 1000, 2000 e 4000. Tais acusações também serviram de apoio ideológico para as manifestações.

Protestos massivos em prol da democracia e contra a corrupção possuem, via de regra, o dedo do imperialismo, de forma que, à época, se suspeitou que os Estados Unidos pudessem estar preparando uma revolução colorida contra o governo Netanyahu:

https://causaoperaria.org.br/2023/pressao-contra-netanyahu-impulsiona-repressao-aos-palestinos/

Não demorou e foi revelado que o próprio Mossad, um dos três órgãos que compõem a inteligência de “Israel”, esteve envolvido no fomento e impulsionamento dos protestos:

https://causaoperaria.org.br/2023/vazamento-do-pentagono-mossad-impulsionou-atos-contra-netanyahu/

No dia 6/11/2023, em sua tradicional Análise Internacional, Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO), confirmou a intervenção do imperialismo nos protestos que haviam ocorrido contra Netanyahu no primeiro semestre e analisou o sentido dos mesmos, declarando que se tratava de uma tentativa dos Estados Unidos de substituir o setor de extrema-direita da política israelenses por um fascismo de face mais humanitária, antes que a situação política fugisse do controle. Contudo, não houve condições políticas para isto:

“[…] fica claro agora que eles [o imperialismo] queriam evitar essa situação [a guerra]. O problema é que não tem como evitar. A política israelense está dominada pela extrema-direita. Os liberais. Acontece o seguinte: é um país que foi fundado sobre a direção do Partido Trabalhista Israelense, que o pessoal falava que era socialista, o Mapai, do Ben Gurion. Esse pessoal dominou a política israelense até a década de 1970. Contudo, eles entraram em uma crise terminal, sendo que quem assumiu a dianteira na política israelense foi a extrema-direita, o Likud, [um partido] herdeiro de uma organização terrorista […], o Irgun, cujo fundador era uma pessoa que mantinhas relações extremamente amigáveis com Benito Mussolini, o Józef Piłsudski, com o fascismo europeu […] Esse pessoal que domina a política israelense está em uma crise terminal. O que o imperialismo precisaria fazer é colocar um fascismo com uma face humana para o mundo compreender. Não deu tempo, não houve condições, e [agora] o mundo está vendo que são uns criminosos, fascistas, nazistas”.

Nesse sentido, a retomada dos julgamentos contra Netanyahu indicam que o imperialismo está tentando pressioná-lo com dois objetivos em mente: ou para que o primeiro-ministro saia do governo e assuma uma figura mais ligada à política imperialista – algo como trocar os pneus de um carro em movimento -; ou para colocá-lo na linha, mantendo Netanyahu, mas expulsando os setores mais carniceiros da extrema direita de dentro do governo.

Com ação da resistência no dia 7, que expôs a fraqueza do sionismo, a reação de “Israel”, matando já mais de 15 mil palestinos, dentre as quais seis mil crianças, gerou ondas de mobilizações populares, aprofundando a crise dos sionistas e do imperialismo em geral. No decorrer do último mês e meio, a resistência, liderada pelo Hamas, alcançou outra vitória, a trégua do dia 24, aprofundando a crise de “Israel”.

Com isso, o secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken, retornou a Israel e alertou que o governo deveria ter uma política menos agressiva, de um massacre mais humanitário em relação aos palestinos, por assim dizer. No mesmo sentido, vem se posicionando a União Europeia.

Essa mudança de posição indica que o imperialismo reconhece que a crise de “Israel” é de enorme gravidade, conforme apontado por Rui, em sua mais recente Análise Política da Semana, o que poderia até mesmo levar à dissolução de Israel:

“Isto é um reconhecimento de que as coisas ficaram feia para eles. Porque a primeira posição dos norte-americanos foi ‘deixem os israelenses matarem esse povo’; mas a coisa está escapando do controle: a pressão internacional é gigantesca e eles não vão conseguir ocupar a Faixa de Gaza […] e tudo isto pode levar a um desastre colossal […] um mito que está presente nessa situação é o de que o Estado de ‘Israel’ é uma fortaleza. Mas é um castelo de cartas, uma coisa muito frágil. E o problema é que ele está cercado pela proteção do imperialismo […] se eles não derem uma solução para a situação, o castelo irá se desmanchar”.

Mesmo com as mobilizações de massas em prol da Palestina que ocorrem por todo o mundo, com as pressões de inúmeros países, inclusive imperialistas, sobre “Israel”, o governo Netanyahu, cedendo à pressão do setor mais fascista da política israelenses, rompeu a trégua nesse dia 1º e voltou a bombardear Gaza de forma indiscriminada, já tendo assassinado mais de 1.000 palestinos.

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