No último domingo (10), as Forças Amadas do Iêmen anunciaram um bloqueio nos mares Arábico e Vermelho a fim de impedir o trânsito de quaisquer embarcações destinadas a “Israel”, independentemente da nacionalidade oficial dos navios, bloqueio este posto em prática “imediatamente”, segundo declaração do General Iahia Saree, porta-voz dos militares iemenitas. Ainda segundo o militar, o bloqueio durará até que medicamentos e comidas necessários à subsistência do povo palestino possam entrar em Gaza.
Em sua declaração, Saree deixou claro que o bloqueio se estende tão somente às embarcações israelenses e àquelas destinadas à “Israel”, e alertou para que não tentem furar o bloqueio:
“[As Forças Armadas do Iémen], em seu compromisso com a segurança da navegação marítima, alerta todos os navios e empresas contra lidar com portos israelenses […] enfatizam o seu total compromisso com a continuidade do movimento comercial global através do Mar Vermelho e do Mar Arábico para todos os navios e todos os países, exceto os navios associados a Israel ou aqueles que transportarão mercadorias à entidade de ocupação.”
A medida configura um grave golpe econômico contra “Israel” e o imperialismo, aprofundando a crise de ambos.
Na segunda-feira (11), a Resistência Islâmica no Iraque, que inclui grupos xiitas como o Kata’ib Hesbolá (iraquiano), a 12ª Brigada e também o Braço Sírio do Hesbolá (libanês); anunciou como alvo de um ataque de foguetes a base de al-Shadadi, onde estão estacionadas as tropas de ocupação dos Estados Unidos, ao sul da cidade de al-Hasakah, na Síria.
Conforme noticiado pela rede de notícias libanesa Al Mayadeen no dia 12, moradores locais ouviram várias explosões no local, ainda na segunda. Na terça-feira (12), outra base do imperialismo norte-americano na Síria foi alvo de ataques por parte da Resistência Iraquiana. Desta vez, foi a base de Ain al-Assad. Ademais disto, a base de ocupação dos EUA no campo petrolífero de al-Omar, na Síria, foi igualmente atacada.
O Hesbolá, partido islâmico libanês, cujas alas paramilitares são o Conselho da Jiade e as Brigadas da Resistência Libanesa (força estimada em 100 mil homens), está em confronto com “Israel” pela fronteira norte desde a primeira semana em que teve início o genocídio.
Desde então, promoveram inúmeras baixas às Forças de Defesa de “Israel”, também destruindo seus equipamentos militares e estruturas fortificadas. Os ataques dos militantes libaneses do Hesbolá, em auxílio aos palestinos que travam uma luta encarniçada contra a ditadura sionista, está sendo um fato de aprofundamento da crise de “Israel”, desencadeada pelo 7 de Outubro (Operação Dilúvio al-Aqsa).
Tanto é assim que mesmo órgãos de imprensa israelenses não conseguem mais esconder a realidade. É o caso do canal militar Kan, que entrevistou recentemente o judeu israelense especialista em assuntos militares Roi Sharon. Segundo ele, o Hesbolá “está comandando as coisas no Norte”, de forma que, se os combates continuarem a se intensificar, poderiam se transformar em uma guerra aberta, conforme a análise do especialista. E a tendência é que se intensifique, pois o Partido de Alá segue em seus ataques aos sionistas diariamente. A título de exemplo, no último dia 8, foram executadas inúmeras operações militares contra instalações militares israelenses nos territórios palestinos ocupados, tais como as de Ma’ayan Baruch e outras localizadas em al-Marj e Ramim. No dia anterior (7), um grupo de soldados israelenses, posicionados perto do quartel de Mitat, foram alvo do partido.
Sobre uma possível guerra aberta entre o Hesbolá e o Estado sionista, deve-se lembrar que no ano 2006, “Israel” saiu derrotado da guerra que travou contra o Hesbolá, no Líbano. Desde então, o partido só cresceu, aumentando seu poderio militar e sua popularidade perante o povo libanês; enquanto que “Israel” decaiu, econômica, militar e politicamente.
Os fatos relatados acima mostram que a resistência armada contra o imperialismo e o sionismo (direta ou indiretamente) em outros países do Oriente Médio, em apoio aos palestinos, aumenta a cada dia.
Não bastando as mobilizações de milhões de trabalhadores por todo o mundo em apoio à Palestina, bem como a própria resistência armada palestina, liderada pelo Hamas; o imperialismo e “Israel” também estão tendo que atuar em outras frentes de combate, quais sejam: o Líbano, o Iraque, a Síria e o Iêmen, em especial no que se refere às rotas comerciais marítimas, neste último caso.
A intensificação da atividade resistência é inclusive reconhecida pelos próprios norte-americanos. Em recente declaração, datada do dia 9, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que os ataques contra os militares dos EUA no Iraque e na Síria aumentaram em 45% “nas últimas três semanas”.
Nesse mesmo sentido, a revista norte-americana The American Conservative, publicada pelo think tank American Ideas Institute, publicou coluna de Gregg Carlstrom, jornalista correspondente do The Economist no Oriente Médio, em que são apontados os “os perigos de manter as forças dos EUA na Síria e no Iraque“, sublinhando que a “paralisia política e a falta de coragem política“ podem causar “uma perda catastrófica de vidas americanas e iniciar uma guerra regional”. O título da coluna é Our National Disgrace in Iraq and Syria e, nela, Carlstorm chega à conclusão de que “a retirada é o único caminho a seguir que prioriza tanto as vidas como os interesses americanos”.
Situação que demonstra que a crise de “Israel” e do imperialismo se aprofunda a cada dia, em especial graças à resistência armada à agressão do Estado sionista, seja a própria resistência palestina, liderada pelo Hamas, seja a resistência somada dos houtis, iraquianos, libaneses e sírios, todos grupos islâmicos xiitas.




