O governo Lula chegou a seu quinto dia e os ataques da imprensa burguesa seguem crescendo. O novo alvo é a política internacional de Lula, principalmente as relações com a Rússia e a China e portanto os BRICS. O responsável por divulgar a política internacional do imperialismo no Globo, Guga Chacra, expressou o ataque ao bloco com todas as letras em sua última Coluna “O que Lula fará com o Brics?”. O seu ponto principal é que qualquer medida nacionalista dos governos da Rússia, da China e da Índia devem ser repudiados por Lula que deve seguir como um servente do imperialismo dos EUA.
O bloco BRICS surgiu durante o governo Lula com a aliança das grandes nações do planeta que não compõem o bloco do imperialismo. Inicialmente Brasil, Rússia, Índia e China e depois a África do Sul. São o segundo escalão das nações do planeta, oprimidas pelo imperialismo mas que tem alguma força para bater de frente contra a sua política, principalmente quando tem um governo nacionalista em alguma medida, como é o caso das cinco nações após a derrota de Bolsonaro. Uma união cada vez maior entre esses países, que tendem a liderar a luta de todos os demais países oprimidos, é o pesadelo do imperialismo.
Guga Chacra deixa muito claro que as mudanças que existem de 2010 para cá são muito relevantes. Putin “deixou de ser respeitado no ocidente”, Xi Jinping “se tornou um autocrata” e a Índia agora é governada por Modi um “nacionalista e supremacista hindu”. Essas críticas não abordam o problema real que esses governos apresentam para o imperialismo que é que assumem uma política cada vez mais independente, deixam de ser escravos. No caso da Índia ele chega a usar a palavra nacionalista, mesmo que de forma pejorativa. Com Lula no governo do Brasil, possivelmente o mais industrializado desses países, o BRICS se torna um novo “eixo do mal”.
Aqui é preciso lembrar que o BRICS desde o ano de 2022, quando a guerra da Rússia contra a OTAN mostrou a debilidade total do imperialismo, tem uma tendência a se expandir muito. Nações de todos os continentes querem aderir ao BRICS: Nicarágua, Argentina, Argélia, Nigéria, Senegal, Egito, Arábia Saudita, Irã, Afeganistão, Cazaquistão e Indonésia. Somadas, todas essas nações comporiam mais da metade da população mundial, mais de 60% das reservas de gás e um PIB 30% maior do que o dos EUA. A possibilidade da união dos povos oprimidos é a origem do ataque da Globo aos BRICS, um Brasil nesse bloco seria muito mais forte.
O BRICS já possui um projeto de banco internacional que caso tome grandes proporções pode se mostrar uma alternativa ao dólar. O controle dos EUA sobre o sistema financeiro internacional é uma de suas principais ferramentas para dominar a economia dos países atrasados. E esse é apenas um dos estragos que pode causar o fortalecimento do BRICS. As alianças da Rússia e da China após a guerra contra a OTAN mostram que os países atrasados unidos têm uma capacidade maior de sustentar a crise atual do que a própria europa por exemplo.
Guga Chacra fecha o artigo afirmando categoricamente “o Brics como bloco deveria ser extinto.” e alega que Lula não deveria sentar ao lado de Putin por este ser um suposto criminoso de guerra. A subserviência do Globo ao imperialismo aqui é demonstrada em seu extremo. O Brasil pode se aliar aos EUA, de longe o maior criminoso de guerra do planeta só pelo fato de ser o país que participou de mais guerras nos últimos setenta anos. Mas não pode se aliar aos russos pois eles se protegem das agressões dos próprios EUA. Não podem se aliar aos chineses por causa da “autocracia” e aos indianos por causa do hinduísmo.
O interessante também é o ataque feito aos russos por se defenderem da OTAN na Ucrânia e dos chineses por responderem às provocações dos EUA em Taiuân. É esse tipo de medida que o Globo não quer que o Brasil tome, não expulsar os EUA da base de Alcântara, não expulsar as petroleiras que saqueiam os poços de petróleo riquíssimos do Brasil, não expulsar as ONGs imperialistas que arma um golpe para saquear a Amazônia etc. É preciso voltar ao que existia em 2010 quando a luta dos oprimidos contra o imperialismo estava muito mais latente.
O melhor de todo o ataque do Globo é que fica mais claro a importância do BRICS como um bloco que se opõe ao imperialismo. E como foi visto em 2022 não parece que ele está próximo de se extinguir mas sim de se tornar mais oficial, maior e mais forte. Lula foi crucial para a criação dos BRICS de princípio e agora pode ser também crucial em seu crescimento. Esse é o medo do Globo, emissário do imperialismo no Brasil. A união dos povos oprimidos será o seu grande desafio nos próximos anos.
A resposta para a pergunta de Chacra: “O que Lula fará com os Brics?” pode ser respondida da mesma forma que as perguntas, o que fará com a Petrobrás? O que fará com a Amazônia? O que fará com os direitos trabalhistas? O que fará com a dívida pública? A tendência é que caso haja uma mobilização da classe operária o governo Lula assuma políticas cada vez mais nacionalistas e de defesa dos trabalhadores, incluindo o fortalecimento do BRICS.



