Marcelo Marcelino

Membro Auditoria Cidadã da Dívida Pública (ACD) nacional, sociólogo, economista e cientista político, pesquisador do Núcleo de Estudos Paranaenses – análise sociológica das famílias históricas da classe dominante do Brasil e membro do Partido da Causa Operária – Curitiba.

Vampiros, sempre vampiros

Esses nossos “queridos banqueiros e especuladores”

Vampiros capitalistas podem abrir o seu próprio banco de sangue com o aval do Estado jurídico burguês

Quase “nunca” na história desse país um “trio de ferro” foi tão bem-sucedido em termos de conquistas de enriquecimento às custas de fraudes e manobras econômicas com lastros nos bastidores do poder político, em especial, do golpe para cá. O trio banqueiro e proprietários de diversos negócios, muitos desses suspeitos, se fortaleceu desde a derrubada da presidenta Dilma em diante. Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Teles são banqueiros e acionistas que se deram bem com a ascensão dos governos neoliberais de Collor e FHC, atravessando incólumes pelos governos petistas. O próprio presidente Lula por diversas vezes afirmou que os empresários “nunca ganharam tanto dinheiro quanto no meu governo”. Porém, apesar de terem ganho de fato, governos mais populares nunca foram o “prato principal” ou “sonho de consumo” da burguesia. Tanto que, no momento mais adequado, a presidenta Dilma passa a ser o alvo predileto dos ataques do consórcio golpista nacional em total harmonia e acordo com o imperialismo; que naquela oportunidade era administrado pelos “democratas” Obama e Biden.

Desse grande acordo nacional “com supremo e tudo” nasceu a transição golpista que abriria as portas para todo tipo de escárnio nacional, com seus tentáculos externos, aos olhos do “Tio Sam”. De Temer a Bolsonaro, desde “com supremo e tudo” até “passando a boiada” em plena pandemia, os mais audaciosos “empreendedores” “meritocráticos” avançaram suas fileiras na frente de batalha ultraliberal, com todas as armas possíveis, numa engrenagem de fazer inveja a máquina de guerra russa na Ucrânia. Jorge Paulo Lemann, o bilionário mais rico do país com uma fortuna estimada de quase 100 bilhões de reais foi um dos principais patrocinadores das investidas contra o governo do PT, principalmente a partir das “Jornadas de Junho” de 2013 e não se arrependeu, muito pelo contrário; primeiro porque os capitalistas selvagens e delinquentes nunca se arrependem de seus crimes verdadeiramente “hediondos contra o Estado e contra o povo e segundo porque de fato seus negócios subiram de “grau de investimento” desde então.

Passados praticamente sete anos da derrubada do governo legitimamente eleito de Dilma Rousseff em 2016 o “trio de ferro” comandado pelo Jorge Paulo Lemann abriu várias frentes de “negócios”. Ampliou os negócios nas Lojas Americanas, continuaram sua saga na Ambev, uma das maiores cervejarias do mundo, adquiriram centrais elétricas no Piauí (CEPISA), Maranhão (CEMAR) e Rio de Janeiro (LIGHT), além da “galinha dos ovos de ouro” Eletrobrás. Esses negócios envolvendo as centrais elétricas estão sob o controle da Equatorial Energia lastreada pelo embrião dos negócios financeiros relacionados com o Banco Garantia, originalmente pertencentes ao “trio de ferro” , proprietários de todos esses negócios; muitos desses “suspeitos” de manipulações e fraudes envolvendo o governo Bolsonaro em licitações para além de escusas. E, agora, após o escandaloso “esquema” envolvendo as fraudes nas Lojas Americanas, uma espantosa decisão judicial reabre a discussão sobre os negócios dos banqueiros e especuladores. O rombo nas Lojas Americanas de cerca de 43 bilhões de reais acelerou as disputas judiciais entre banqueiro e demais acionistas de grande calibre interessados. Tanto que, o juiz da quarta vara empresarial do Rio de Janeiro Paulo Assed Estefan autorizou o trio de acionistas bilionários emprestar 1 bilhão para a empresa, afim de poder garantir o capital de giro da empresa.

As denominadas inconsistências contábeis giram em torno de 20 bilhões e reais e a dívida da empresa varejista de cerca de 48 bilhões. O processo de recuperação judicial passa pela garantia de que a empresa tenha condições de custeio da empresa, e, portanto, de poder permitir que a mesma posso garantir a sua operacionalidade. O mesmo juiz determinou a apuração sobre a suspeita de fraude, informação essa, levantada pelo colunista Ancelmo Gois do Jornal O Globo. Mas, a questão de fundo permanece. Porque dissemos que a decisão do juiz pareceu imediatamente suspeita? O que está por trás desse empréstimo por parte dos bilionários acionistas? A decisão em si, aos olhos da apreciação jurídica não parece incongruente; mas o que é espantoso não está na frente dos olhos do senso comum ou mesmo da justiça econômica. Então, vamos apenas explicar de maneira palatável ao leitor sem dicionário econômico em mãos: a autorização para o empréstimo na verdade é de 2 bilhões de reais, mas na prática eles irão emprestar 1 bilhão e emitir mais outro bilhão em debêntures que são títulos de dívidas de empresas privadas.

Caso essas debêntures não sejam compradas pelo tal “mercado” o grupo 3G controlado pelo “trio de ferro” da Ambev e outras empresas irá aportar esse um bilhão para as Lojas Americanas. Na verdade, esse recurso não sairá do bolso do trio de ferro, mas sim, proveniente de empréstimo da seguinte maneira; o trio de ferro executará um dispositivo denominado DIP que é um financiamento dentro da própria recuperação judicial e quem opta por esse dispositivo tem preferência em receber dentro da própria recuperação judicial. Isto é, eles vão emprestar e irão receber na frente de todos os outros. Mais uma sacada bem esperta dos ávidos acionistas bilionários que em conluio com as disposições legais podem fazer um empréstimo para eles mesmos usufruírem antes dos demais, permitindo inclusive aplicações no mercado financeiro e nas bolsas de valores. É ou não é um baita negócio feito sob medida para a classe dominante? Afinal, vampiros capitalistas podem abrir o seu próprio banco de sangue com o aval do Estado jurídico burguês.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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