Afonso Teixeira

Tradutor, formado em Letras pela USP e doutorado em Linguística com tese em tradução. Tem formação como músico, biólogo e cientista político.

Política internacional

A guerra suja

A imprensa internacional e a guerra na Ucrânia

O portal de notícias da CNN internacional de ontem (1º.6.2023) trouxe a seguinte manchete: “OTAN corre contra o tempo para livrar-se de um grande embaraço”.

Parecia que, finalmente, a imprensa imperialista começava a admitir a verdade sobre a guerra, a de que a Ucrânia está devastada e que o imperialismo não consegue fazer nada de eficiente para ajudá-la.

Mas não. A matéria tratava de um possível fracasso relativo à entrada da Suécia na Organização. Com as eleições turcas resolvidas e a vitória de Erdogan consolidada, espera-se que a Turquia barre o caminho da Suécia. A divergência se dá pelo fato de o país nórdico abrigar células curdas. Os curdos, um povo que vive nas franjas do Iraque, Irã e Turquia, reivindica um Estado livre naquela região, o que vai contra o interesse da Turquia e de seus vizinhos.

Esse seria o grande embaraço. Nenhum outro. O resto vai bem. A Ucrânia prepara a sua grande ofensiva e, com os novos equipamentos fornecidos pelos Estados Unidos e pela Europa, haverá uma grande reviravolta na guerra. Grande reviravolta? Mas a Ucrânia não estava vencendo? O equipamento antiaéreo da OTAN não estava destruindo os drones russos? Os russos não estavam ficando sem munições?

Reviravolta, nesse caso, seria, então, a favor da Rússia.

Na verdade, o grande embaraço não é só da OTAN, mas da imprensa internacional. Hoje, 2 de junho, tudo o que falam da guerra é sobre os ataques da Ucrânia a cidades fronteiriças da Rússia. É como dar doce a um moribundo; esperança a um condenado.

Quando a guerra começou, o escritor israelense Yuval Harari, sem nenhum pudor de expor-se ao ridículo, afirmou: “A cada dia que passa, fica mais claro que a aposta de Putin fracassa. O povo ucraniano resiste de todo coração, conquistando a admiração do mundo inteiro e vencendo a guerra.” Essa notícia foi publicada no The Guardian em 28.2.2022, ou seja, uma semana depois do início dos conflitos. Daí por diante, a Ucrânia começou a ser destruída. Perdeu parte substancial de seu território, e um quarto da população deixou o país (a maioria para a própria Rússia).

Mas, apesar disso, não devemos deixar de ler a imprensa imperialista. O segredo para isso é perceber não o que dizem, mas o que não dizem. Naquilo que escondem é que se encontra a verdade.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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