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Roberto França

Militante do Partido da Causa Operária. Professor de Geografia da Unila. Redator e colunista do Diário Causa Operária e membro do Blog Internacionalismo.

Infiltração imperialista

A CIA e os ianomâmis

Forças armadas e ONGs capitalizam com a ação em território ianomami, além, obviamente, da CIA.


Por que, CIA?

No momento, a ordem amazônica foi restaurada, a joia da coroa do projeto do imperialismo norte-americano voltou a pertencer aos interesses internacionais, a partir da financeirização da floresta. A frente amplíssima que governa o Brasil aos poucos vai organizando o terreno para que um governo pró-imperialista. Lula, sem saber, promoveu um dos maiores atos em favor da tomada da Amazônia, sem que ela seja efetivamente colonizada por um novo “povo estrangeiro” que traga elementos da burocracia, armas e novos cultivares.  

O ato em favor do imperialismo foi o socorro aos ianomâmis em Roraima. Explico: é evidente que a vida dos ianomâmis é uma emergência, mas a discussão aqui é tentar responder algumas perguntas. Quem ganha e quem perde na ação de socorro e de grande impacto na imprensa internacional? Quem ocupará aquele território além dos ianomâmis? As mineradoras, chamadas pela imprensa de “garimpo ilegal” sairão? 

Para tentar responder a essas questões partiremos dos agentes da “linha de frente” do imperialismo, que são as ONGs. Com a crise da CIA após a atuação supostamente “desastrosa” da Irmandade Muçulmana no Afeganistão para uma guerra por procuração contra a União Soviética e contra a Revolução Iraniana, o Departamento de Estado dos EUA criou o NED e outros três organismos de Soft Power (Poder Brando), CIPE, USAID, NDI.  

Já existiam ONGs e think tanks como Atlantic Council, RAND Corporation para guerra, sem contar a Fundação Rockfeller e até a mais antiga fundação do mundo, nos moldes da filantropia, a inglesa Sociedade Fabiana, sem contar a filantropia não institucionalizada ou personificada como existe atualmente. A fusão de instituições como Harvard, Princeton, Oxford de perfil acadêmico, com instituições para produzir inteligência de guerra e a filantropia, nasceu as ONGs dentro da burocracia dos países imperialistas, das quais o NED é marcante por utilizar parte da política de direitos humanos defendida por setores pequeno-burgueses da esquerda. 

Sem contar a rede George Soros, composta por Open Society, Freedom House, Open Democracy e centenas de milhares de fundações e ONGs treinadas milimetricamente no mundo inteiro. A Fundação Stefan Batory é sua primeira obra de engenharia social, que em Varsóvia produziria o Solidariedade. Muitas pessoas foram recrutadas para derrubar o comunismo na Polônia a partir dos fundamentos da “defesa da democracia” e dos “direitos humanos”. Não tardou para a Polônia enfrentar uma enxurrada de privatizações e levar a uma mudança de regime completa. Esse movimento impulsionou novas ONGs a serem formadas e impulsionadas pelo NED e USAID e varrer do mapa a “cortina de ferro” e depois a União Soviética.  

Portanto, não há dúvidas que o bilionário húngaro-americano George Soros é a linha auxiliar da CIA e inovador na tecnologia que posteriormente seria caracterizada como “revolução colorida” e também dos protestos artificiais como dos “Anonimous” e “Occupy Wall Street”. Também não resta dúvida que o NED é a CIA. Atualmente podemos incluir, além de Soros, figuras como Bill Gates, Bill Clinton, dentre outros.

Quem ganha e quem perde na ação de socorro e de grande impacto na imprensa internacional? 

A “questão Ianomâmi” é bastante antiga, uma das regiões-chave por onde se pode ter acesso ao Orinoco e Caribe, além de saída para o Amazonas, uma das mais ricas em minérios. Isso é o que está em disputa, justamente o solo ianomâmi-brasileiro, mas ainda vinga na região problemas de demarcação internacional. Em 1900 essa região era alvo de disputa e até hoje é instrumento de questões internas na França e Inglaterra. Eliseé Reclus foi um dos geógrafos da missão francesa para verificar as condições da região, no que resultou no mapa a seguir, que não inclui Roraima nas pretensões francesas, mas coloca o Brasil com território indefinido frente aos ingleses.

Sentence du Conseil fédéral suisse, Anexo 1 – BGE, Département de Cartes et Plans, tiroir Amérique latine – cartes partielles 
Fotografia: Alberto Campi (2013)  – Disponível em https://journals.openedition.org/terrabrasilis/744

A imprensa internacional, que não apoiaria de modo algum uma guinada nacionalista mais radical de Lula, tratou a visita do presidente à Roraima sem críticas hostis (ao contrário do que fez a imprensa venal brasileira, especialmente Estadão e Folha), porém o recado dado nos jornais como BBC, NYT, Washington Post, DW, e outros jornais imperialistas, é o compromisso com a Amazônia e com o controle sobre as “mudanças climáticas”. 

Logo após Lula deixar a região, o que vimos foi a entrada de organizações governamentais como Ação da Cidadania e Central Única das Favelas (que pretendemos futuramente colocar uma lupa sobre sua atuação), além de hospitais de campanha com militares, dentre eles, muito provavelmente especialistas “pysiop” (operações psicológicas) visando o controle da situação. Os militares estão nas mãos do imperialismo, conforme demonstrado na animosidade do general Etchegoyen, do IREE/NED, e também pela ação de desgaste do poder executivo federal. 

Quem ganha na ação, portanto, é mesmo o imperialismo, que colocará seus peões no território ianomâmi, um poder paralelo ao governo, permitindo não somente o fluxo de informações, mas também a presença das mais de 450 empresas de mineração atuantes na região, a maioria legalizadas, mas que conseguem exportar sem transferir um centavo ao País. Esse problema, que não é atual, nunca foi tratado como devido, pois uma região como essa precisa de logística, precisa de ocupação industrial nacional, precisa transferir recursos oriundos da floresta aos indígenas, que estão à míngua em todo Brasil.

Post scriptum

Ontem fui importunado por um cidadão de nome Rômulus Maya, que me fez uma série de acusações por causa de um artigo que questiono o uso indiscriminado e difuso do termo “guerra híbrida” por Piero Lierner. Em minhas investigações sobre a guerra nas versões Poder Brando e Poder Duro, que resultou na “batalha do Planalto” ou 8 de janeiro, compartilhei um conteúdo rico em informações sobre os militares na ação (Um domingo como outro qualquer, com Marcelo Pimentel e Piero Leirner, no Canal Carlos Alberto Jr. YouTube). Porém, como era de se imaginar, o conteúdo é limitado, pois não contempla o fundamental, o impulso colocado pelo imperialismo nos eventos.

Nenhuma ação está fora do radar da inteligência da CIA, que além do “terceiro setor” tem seus “olheiros” na imprensa em geral. O clima criado em torno do “capitólio tropical” foi gestado para uma ação a partir de pessoas comuns, simples, que passaram por uma ação psicológica com as tecnologias fornecidas pela própria maquinaria do Poder Brando. A produção de fanáticos, pessoas dispostas a lutar por uma causa é gestada em laboratório e já foi operada desde a Iugoslávia, passando pela Ucrânia e Geórgia em 2004 (falhando na Belarus naquele ano) e chegando na famosa primavera árabe. Isso não quer dizer que foi tentado um golpe, mas o imperialismo quis demonstrar que Lula não pode ir muito além de matar a fome dos ianomâmis. Há, sem dúvida, um controle em todas as ações que só podem ser desarmadas com mobilização popular e negação da ajuda de ONGs, missionários e militares neste momento, mas uma guarda do povo e a contratação de médicos e enfermeiros entre outros funcionários públicos capazes de manter a soberania na região.

Esquema de controle

A CIA está mais forte do que nunca no Brasil, com os dois pés do Oiapoque ao Chuí, e Lula terá muito trabalho para diminuir o impacto das infiltrações do imperialismo, sendo uma dessas formas, romper com as ONGs financiadas pelo imperialismo e mudar as estratégias de lida com as forças armadas, não com demissões de generais, mas com olhar para o outro lado do mundo, com a cooperação com países dos BRICS, com a ampliação desse bloco de nações. O cuidado máximo na lida do uso das informações precisa passar por um novo comando desde já.

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*As opiniões dos colunistas não expressam, necessariamente, as deste Diário.

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