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Isaias Filho

Membro da Direção Nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e da Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

Nada de Guardiola e Ancelotti!

Técnico estrangeiro é o caral*##o!!

A desmoralização dos técnicos brasileiros é parte geral da campanha contra o futebol nacional


Os abutres do futebol brasileiro agora colocaram em marcha a campanha em defesa de um treinador estrangeiro para a seleção. Com a saída de Tite do comando da equipe, o lobby para que Pep Guardiola, Carlo Ancelotti, Abel Ferreira, Jorge Jesus ou algum outro europeu (ou discípulo latinoamericano de europeu) assuma a seleção nacional ganhou novo impulso, e nunca essa possibilidade se mostrou tão real como no presente momento.

O ataque contra os técnicos brasileiros não começou hoje, é verdade. Obsoletos, ultrapassados, incompetentes etc. ― os adjetivos que a imprensa burguesa nacional, principal porta-voz da campanha contra os técnicos brasileiros, vão daí para pior. Há vários anos, mais de uma década pelo menos, basta assistir a algum programa de debate esportivo na TV para se deparar com a campanha. Se fôssemos fazer uma pesquisa mais profunda, talvez chegássemos à conclusão de que essa campanha é ainda mais antiga e que Nelson Rodrigues já falava do tema nos anos de 1960 e 1970. Ainda faremos essa pesquisa.

A desmoralização dos técnicos brasileiros é parte geral da campanha contra o futebol nacional. Ela anda junto com os ataques contra os jogadores brasileiros ― expressos sobretudo na artilharia suja e desonesta contra Neymar ― e contra os clubes brasileiros ― que se traduzem na defesa da sua transformação em “clubes-empresa”, isto é, na entrega integral e definitiva dos clubes para grandes capitalistas. É mais um capítulo da luta do imperialismo contra uma das maiores conquistas e expressões do povo pobre e trabalhador brasileiro.

Os monopólios da imprensa burguesa trabalham para aplainar o terreno para o pouso de um treinador estrangeiro no país. Nos últimos dias, praticamente todos os órgãos da burguesia publicaram matérias afirmando que a seleção brasileira já foi dirigida por estrangeiros. O objetivo evidente é criar o clima de normalidade para a contratação de um estrangeiro, mostrar que não se trata de uma novidade, de uma quebra de tradição. 

As matérias dão conta que o uruguaio Ramón Platero comandou a seleção brasileira no Sul-Americano de 1925. Oficialmente, a CBD, a CBF da época, havia escolhido o brasileiro Joaquim Guimarães como técnico, mas relatórios da entidade indicam que o uruguaio foi quem comandou a equipe no torneio, tendo o brasileiro se tornado diretor técnico. O uruguaio teria dirigido o Brasil por cinco partidas. O português Jorge Gomes de Lima, o popular Joreca, então treinador do São Paulo, dividiu o comando da seleção com o brasileiro Flávio Costa, na época treinador do Flamengo, em dois amistosos festivos em 1944, quando o cargo de treinador estava vago por conta da Segunda Guerra Mundial. Situação semelhante aconteceu com o argentino Filpo Nuñez, treinador do Palmeiras na década de 1960. O Palmeiras, na ocasião, foi escolhido pela CBD para representar o Brasil no festival de abertura do Mineirão, em 1965. 

A única conclusão que podemos tirar das matérias é que, na verdade, a seleção brasileira nunca foi realmente treinada por um técnico estrangeiro. Os três casos mencionados apenas comprovam que estrangeiros assumiram a seleção em circunstâncias absolutamente improvisadas e excepcionais. Amistosos festivos em que a seleção foi representada por um clube (casos de Joreca e Filpo Nuñez) ou situação em que a estrutura da delegação brasileira teve que ser reorganizada de última hora (caso de Platero). Nada sólido, nada definitivo, nada consistente. Tivemos três “lampejos” de técnicos estrangeiros na seleção, e nada mais.

Em Copas do Mundo, o Brasil jamais foi dirigido por um técnico estrangeiro. Os cinco títulos mundiais conquistados foram todos obras de jogadores e treinadores brasileiros. Vicente Feola, Aymoré Moreira, Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari foram os comandantes das conquistas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, respectivamente. Desde que o Brasil atingiu o seu apogeu e conquistou seu lugar no topo mais alto do futebol, transformando-o em mais do que um esporte, mas numa arte no sentido legítimo do termo, os técnicos brasileiros foram um dos pilares fundamentais do seu domínio. Na verdade, eram uma manifestação natural do processo de apropriação do esporte criado pelos ingleses pelas massas populares brasileiras. Não é acidental que sejam um dos setores mais atacados pela imprensa venal neste momento.

Ficamos felizes, no entanto, quando vemos que a campanha de avacalhação contra os técnicos brasileiros será enfrentada por gente grande. O craque Rivaldo, o meia canhoto que brilhou na conquista do pentacampeonato em 2002, foi um dos jogadores que se colocou contra a ideia do treinador estrangeiro.
“Eu não concordo e acho uma falta de respeito com os treinadores brasileiros que seja cogitado a contratação de um treinador estrangeiro para nossa seleção. Acredito que temos treinadores capacitados de assumir a seleção brasileira neste momento e fazer um bom trabalho, como: Rogério Ceni, Fernando Diniz, Cuca, Renato Gaúcho e Dorival Jr. Trazer treinador estrangeiro não é certeza que seremos campeões mundiais. Até porque se fosse certeza, acredito que o treinador estrangeiro gostaria de ser campeão mundial pelo seu país e alegrar sua nação, que com certeza a sua seleção precisa mais que o Brasil, porque apenas nós somos penta”, disse o craque do penta em sua conta no Instagram.

O técnico Dorival Júnior, que treinou o Flamengo em 2022 e conquistou a Libertadores e o Brasileirão, foi outro que se postou contra a ideia. O hoje ex-treinador do Flamengo ainda cravou corretamente: “Não ganhamos cinco Copas do Mundo por termos somente grandes jogadores. Sempre tivemos um grande comandante também”. Além disso, Dorival denunciou ainda a sabotagem que o imperialismo europeu promove contra os técnicos brasileiros, proibindo a sua entrada no mercado europeu ao não reconhecer a licença de treinador concedida pela CBF:
“Nosso curso não é reconhecido fora do país. Um preparador, um treinador brasileiro não pode sair fora do país, porque a Uefa não reconhece nossos cursos até hoje. Então nós recebemos profissionais de todo o mundo, e nós não podemos sair. Não podemos ir para Portugal trabalhar. Se alguém vier aqui te convidar, não temos condições, porque a Uefa não aceita a nossa licença até hoje. E não se dá uma resposta.”

A sabotagem contra os treinadores brasileiros é pesada. Assim como no caso de Neymar, em quem a imprensa burguesa joga o seu esgoto e a quem tenta aposentar da seleção, é preciso lançar uma ofensiva em defesa dos técnicos brasileiros, parte indissolúvel da cultura e do futebol brasileiros. Nada de técnico estrangeiro na seleção!!

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