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Domínio dos monopolios

Seleções europeias, a exploração da mão de obra barata no futebol

Todas as seleções de países imperialistas, incluindo EUA e Canadá, possuem jogadores africanos que são uma das bases de sustentação de seu futebol decadente


A primeira fase da Copa do Mundo terminou e o Brasil segue sendo o franco favorito, mesmo com seu time reserva tendo perdido para Camarões. Por outro lado, as seleções europeias não se destacaram tanto este ano, contudo algo que ficou muito evidente é a participação dos imigrantes nos grandes times europeus. Em sua maioria africanos, tanto do norte, árabes e berberes, quanto da região subsaariana são eles um fator essencial para elevar o futebol das nações imperialistas. É mais uma das formas de exploração dos países oprimidos.

A presença de imigrantes e seus descendentes nas seleções europeias não é uma novidade. Na Copa de 2018 isso veio a tona com a vitória da França com uma seleção titular com uma minoria de brancos, na própria vitória da França em 1998 isso também ficou evidente sendo o maior craque Zinedine Zidane, um argelino. O mesmo é valido para a Inglaterra, a Alemanha e para muitos países europeus como Bélgica, Portugal, Holanda, Espanha, Dinamarca e a Suíça, em menor escala que a seleção da França.

Com essa composição de países está evidente que essa presença de africanos, e no caso da Inglaterra também caribenhos, é um fenômeno do imperialismo. Há seleções europeias de países não imperialistas, como Sérvia, Croácia e Polônia. Estas são as com o maior número de brancos na Copa justamente por não serem países que importam mão de obra de suas ex colônias. Isto significa que os mesmos países que importaram milhões de imigrantes para trabalharem como operários são os que tem imigrantes em suas seleções, não é uma coincidência.

A imprensa libanesa Al Mayadeen criou um infográfico mostrando a origem dos jogadores de diversas seleções. O gráfico não tem a escalação exata da Copa, contendo jogadores que estavam nos últimos jogos de antes do início do campeonato, mas é um bom indício do quadro geral. À exceção do Catar, que importou muitos jogadores pois não possuía um time próprio, as nações europeias são as que mais possuem africanos, fora os próprios países da África.

A França é de longe a campeã com 13 jogadores, a Alemanha tem 7, a Bélgica 6, a Suíça 6, Portugal 5, Espanha 4, Holanda 4, Dinamarca 2, Inglaterra 1 e até o País de Gales tem 3. No infográfico também estão presentes os EUA com 3, isso sem contar a sua própria população negra, o Canadá com 4, e a Austrália com 4. A Inglaterra se destaca com poucos jogadores no infográfico, contudo o número de negros em seu time é alto, inclusive dos 9 gols marcados até agora 6 foram por jogadores negros.

Em relação a número de gols a prevalência dos imigrantes também fica clara. Até o dia 1 de dezembro, só 5 jogadores marcaram 3 gols, 4 de seleções europeias, Mbappe, Gakpo, Rashford e Morata, destes apenas o último, Espanhol, é branco. O quinto jogador foi Enner Valencia, o craque equatoriano que também é negro, fosse ele de um país africano talvez estivesse jogando em alguma seleção europeia.

Os dados de chutes a gol também são reveladores: os 3 primeiros colocados jogam na França e na Alemanha e são descendentes de africanos. O próprio Mbappe, da França, Jamal Musiala e Serge Gnabry, estes da seleção alemã. Da lista dos 10 com mais chutes a gol, 6 são europeus e 4 são negros, os dois brancos são espanhóis. A Espanha nesse sentido parece destoar um pouco das outras seleções e também é uma das que apresenta um futebol mais original, apesar de feio, uma continuação do “tiki-taka”, famoso pela Copa de 2010.

A importação de jogadores africanos para as seleções dos países imperialistas também criou absurdos na Copa. Um deles foi na partida da Suíça contra Camarões, em que o camaronês Embolo jogando pela seleção suíça fez o gol da vitória. Outro caso é o de Timothy Weah, filho de um dos mais importantes jogadores africanos da história, George Weah, agora presidente da Libéria. Weah filho joga pela Seleção dos EUA. A Libéria foi a única Colônia formal dos EUA na África e agora cede jogadores ao país na Copa do Mundo. Há também o caso de Lukaku, o maior craque da Bélgica, que semelhante a Weah, é filho de um importante jogador do Congo.

O futebol europeu, fora da Copa do Mundo, já atua na prática como um futebol internacional, sendo os melhores clubes os que possuem jogadores de todo o mundo, principalmente brasileiros. A Seleção Brasileira de 2022 tem 22 jogadores que jogam na Europa, 10 deles na Inglaterra, país que tem apenas uma vitória em Copas. Outra dado é o dos prêmios de melhor jogador do mundo, o Bola de Ouro, controlado pelos franceses. À exceção de Cristiano Ronaldo, o último jogador de um país imperialista premiado foi Michael Owen em 2001.

Esse fator também não pode ser ignorado pois eleva como um todo o nível do futebol Europeu. A maior parte dos jogadores que joga nas ligas da Espanha, Inglaterra, França e Alemanha não joga nas seleções desses países, disputando a taça pela sua própria Seleção. Contudo isso eleva o nível dos jogadores daquele país pois melhora o nível do futebol que é jogado nos campeonatos europeus. Nesse sentido a importação em massa de jogadores para a Europa é um dos fatores que torna o futebol europeu competitivo na Copa do Mundo.

Analisando os dados, o que fica claro é que os principais países do imperialismo são os que mais baseiam seu futebol nessa importação de jogadores. A Espanha destoa um pouco pois a sua principal área de influência é a América Latina, onde o futebol é desenvolvido e, apesar de ser um continente exportador, os maiores craques ainda jogam pelos seus países de origem. Portugal por sua vez importa jogadores das suas antigas colônias africanas mas é um país minoritário do imperialismo e por isso também destoa um pouco dos maiores, sendo um único que tem o próprio craque do século XXI, Cristiano Ronaldo.

A França tendo herdado uma enorme esfera de influência com as suas ex colônias africanas, com destaque para os árabes, que também jogam na seleção, é a que melhor expressa essa importação de jogadores. A Alemanha mesmo não tendo herdado também entra no clube dado seu poder econômico, e ela ainda importa jogadores turcos e do leste europeu, sua grande esfera de domínio econômico na Eurásia. E a Inglaterra apenas aparenta ser a que menos importa jogadores pois seu processo de imigração é tão antigo que já não fica tão explícito, contudo os descendentes de suas ex colônias, da África, do Caribe e até da Irlanda são importantíssimos para a seleção.

A questão da importação de africanos para as seleções europeias escancara o domínio imperialista do planeta. Afora o Brasil e a Argentina, que se mantêm firmes nas fases de eliminação das copas, raramente um país oprimido consegue avançar. Os países imperialistas usam todos os mecanismos a seu alcance para tentar manter seu domínio sobre o futebol, que perderam na prática para o Brasil em 1970, mas que o mantêm artificialmente devido ao poder econômico. Um desses mecanismos é justamente importar a “mão de obra” assim como fazem para outros setores de sua economia.

Os países imperialistas disputam a Copa com a vantagem econômica, o privilégio de importar jogadores, e tem os monopólios da imprensa ao seu lado. E apesar disso não estão dando conta de se manter dominantes. Ninguém teve 100% de aproveitamento na fase de grupos. A Alemanha e a Bélgica já foram eliminadas, a França se classificou empatada com a Austrália e a Espanha abaixo do Japão, países sem tradição no futebol.

Os países Europeus na Copa do Mundo, entretanto, não têm o recurso mais valioso de todos no que tange ao futebol: os jogadores brasileiros. O Brasil tendo se tornado uma potência do futebol já na década de 1950 e superando o futebol europeu na Copa de 1970 consegue prender os seus craques à seleção, mesmo que joguem em clubes de fora, porque o sonho de todo o jogador brasileiro é jogar pela nossa seleção, precisamente por ela ser esse colosso futebolístico que faz as potências tremerem.

O futebol Europeu, assim, é o futebol do opressor, o futebol dos monopólios capitalistas, o futebol dos que jogam com a imprensa, que fazem campanhas políticas para desestabilizar o Brasil, a Rússia e o Catar. Que saqueiam a África economicamente e depois roubam seus melhores jogadores, que exploram os negros como cidadãos de segunda categoria em seus países mas aproveitam a sua habilidade no futebol. Que dividem os povos oprimidos para se colocar acima de todos. O futebol Brasileiro é oposto, é o futebol arte, é o futebol que ante a destruição do país não se diminui, mas se reergue sobre a força da classe operária e se reafirma como o melhor futebol do mundo.

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