Não param de pipocar denúncias sobre a investida dos patrões sobre os trabalhadores no âmbito eleitoral. São diversos relatos de reuniões onde os trabalhadores são constrangidos e ameaçados para votarem pela reeleição do ilegítimo presidente. Segundo denúncia da CUT e UGT além da ameaça de demissão e fechamento de lojas, trabalhadores estão sendo subornados para votar em Bolsonaro ou, em outras empresas, estimulados a se absterem caso sejam eleitores de Lula. Ações que passam impunes pela barreira “antifascista” do judiciário.
No Mato Grosso do Sul, por exemplo, trabalhadores da empresa JSRM Consultoria e Prestação de Serviços Elétricos denunciaram ameaça de demissão em massa e pressão para votar em Bolsonaro pelo empresário João Roberto Saueia Marques. Em entrevista a um portal de notícias, trabalhadores da empresa citaram frases como “se vocês votarem no ladrão, eu vou fechar minha empresa e tchau obrigado, vou mandar todos embora”, atribuídas ao patrão.
Em Minas Gerais dois frigoríficos, pertencentes aos mesmos investidores, protagonizaram episódios bastante grotescos nesse sentido. Os trabalhadores dos frigoríficos Serradão e Frigobet foram obrigados a usar camisetas amarelas com o slogan da campanha de Bolsonaro e o número do candidato à reeleição. Em seguida, tiveram que assistir a uma espécie de comício eleitoral, com a participação do deputado federal pelo PP Mauro Lopes, onde além da propaganda pró-Bolsonaro ouviram que caso Lula fosse eleito a empresa poderia fechar.
Já em Santa Catarina, o supermercado Braço do Norte responde a acusação de ter chegado a demitir trabalhadores por razões políticas. Além disso, foram denunciadas ofensas xenofóbicas contra nordestinos e nortistas do supermercado. A gerente chegou a proibir que os trabalhadores do supermercado se manifestassem politicamente nas redes sociais, sob ameaças de perseguição. A campanha está tão explícita que até o prefeito de Chapecó publicou vídeo orientando empresários a “pedir votos” para seus subordinados.
Enquanto isso, o judiciário só faz jogo de cena. Nesta terça-feira, o TSE passou a veicular uma mensagem de combate ao assédio eleitoral na televisão e rádios. A típica medida “para inglês ver”, que nem arranha o problema. Os patrões fazem o que querem no que tange o desrespeito aos direitos dos trabalhadores e não é uma curta mensagem que vai inibir o assédio eleitoral por parte da burguesia.
Os Ministérios Públicos do Trabalho de diversos estados protocolam acusações, alguns juízes dão andamento vagaroso às ações e a votação do segundo turno ocorre em 3 dias. Depois disso, “Inês é morta” e fica ainda mais fácil botar panos quentes nas graves acusações. É importante lembrar que até pouco tempo esquerdistas e jornalistas “progressistas” estavam exaltando juízes e tribunais como valiosos aliados na “luta contra o fascismo”. Temos que ter a clareza de que as instituições da burguesia não são armas contra ela própria e que se a burguesia decidir lançar mão de um governo verdadeiramente fascista será sob a conivência dos seus juízes.




