Na rodada de negociação entre a FENABAN (Federação Nacional dos Bancos) e o Comando Nacional de Negociação da categoria bancária, realizada nessa quarta-feira (24), os banqueiros, sanguessugas, propuseram o rebaixamento do índice repassados para os bancários a título de Participação de Lucros e Resultados. A proposta de correção de 6,22% sobre o valor de teto, reduz dos atuais 4,97% do lucro distribuído aos bancários, para 4,89%. Na parcela adicional, a redução passaria dos 1,69% para 1,63%. Com a recusa do Comando dos Bancários, os banqueiros vieram com uma outra chacota: em reajustar o teto em 6,73% que, resultaria no índice de distribuição para 4,85% na regra básica e, no adicional a redução seria de 1,69% para 1,64%.
Além de mais esse golpe, os banqueiros não apresentaram mais nenhuma proposta em relação ao reajuste salarial, ou seja, mantiveram o rebaixamento salarial, onde pretendem reajustá-los em apenas 5,89%, quando a inflação do período passa dos 12%.
Enquanto os bancários, os reais responsáveis pelos lucros dos bancos, a proposta é de rebaixamento dos índices de distribuição dos lucros, para os acionistas, em média serão repassados, conforme o ano passado onde foram distribuídos 45% e, para os executivos, está previsto, em relação a remuneração anual sobre os lucros, uma média de cerca de R$ 9 a milhões por diretor.
É preciso ter claro que a política de perpetuação de participação dos lucros pelos patrões é uma armadilha para os trabalhadores, ao contrário do prega a grande maioria das direções sindicais que, segundo eles, a PLR é uma reivindicação que é um direito dos trabalhadores e, portanto, deveríamos lutar por isso, o mesmo argumento de preocupação colocada pelos banqueiros. Se não, vejamos:
Na sua implementação a distribuição dos lucros se coloca de forma draconiana, já que só tem direito aqueles funcionários que não participem de greve, não tenha nenhuma falta não abonada pelo banco, não estejam de licença saúde ou que não tenham na Avaliação um bom desempenho, os funcionários aposentados.
Ao contrário que apregoa os banqueiros, a PLR serve, em primeiro lugar, como um meio para os patrões evitarem aumentos salariais, mantendo os salários congelados e, portanto, desvalorizando o poder de compra dos mesmo à medida em que aumenta a inflação. A PLR não se acrescenta ao salário, pois é um abono independente dele, o que permite aos patrões evitar sua incorporação nos salários, transformando-a em um mecanismo mais fácil de manipular que o abono comum.
A PLR é, também, um instrumento de barganha do patrão na hora que a categoria for discutir o aumento salarial. A empresa, manipulando as dificuldades econômicas dos trabalhadores, criadas pela sua política de arrocho salarial, desvia a reivindicação salarial para que os trabalhadores se contentem com esta espécie de abono, de periodicidade esporádica, que não incide na folha de pagamento, não é incorporada nos salários dos trabalhadores, nem nos seus benefícios e direitos (FGTS, horas extras, férias, décimo terceiro salário etc.). Ela é usada pelo empresariado para desviar a atenção trabalhadores, opondo-a a qualquer luta por aumento salarial. Ou seja, a PLR, é como a válvula de uma panela de pressão. Toda as vezes que os trabalhadores quiserem ir à luta contra o arrocho salarial, os patrões podem lançar mão da PLR para convencer a parcela mais atrasada da categoria a aceitar um ganho imediato e ilusório, abrindo mão da luta pelos salários.
A PLR é um instrumento político dos patrões e tem como natureza dividir os trabalhadores que, estimulados pela perspectiva de uma migalha a mais em seus orçamentos do mês se colocarão à disposição das metas exigidas pelo patrão; e essas metas que sempre envolvem uma maior produtividade tendem a criar uma acirrada competição entre os trabalhadores, que trabalharão mais intensamente para poderem aumentar sua parte nos “lucros”.
A medida divide os trabalhadores em torno da busca de uma melhor colocação na empresa e consequentemente o crescimento da dominação patronal sobre o setor mais atrasado da categoria e o abandono da luta unitária dos trabalhadores contra os patrões.
A PLR, nesse sentido, é uma arma ideológica dos patrões contra a unidade dos trabalhadores. Na consciência dos trabalhadores, a unidade contra os patrões, ou seja, contra a exploração capitalista e, portanto, contra o lucro capitalista, é substituída pela luta em defesa do lucro da empresa porque, deste modo, ao aumentar o lucro aumentaria também a fantasiosa “participação” do trabalhador neste lucro. Ao aceitar a PLR, os sindicatos estão estimulando a divisão entre os trabalhadores na luta contra o capital e impulsionando uma falsa unidade entre os trabalhadores e os patrões na defesa do lucro capitalista.
A força do trabalhador está na sua unidade. A criar a competição no meio da classe trabalhadora, a burguesia consegue enfraquecer sua resistência, fortalecendo a engrenagem capitalista e a exploração dos trabalhadores.
Os bancários, nesta campanha salarial, devem exigir que as direções do movimento organizem uma mobilização em torno das verdadeiras reivindicações dos trabalhadores, aprovadas na Conferência Nacional dos Bancários, realizada em julho no Município de São Paulo, com delegados eleitos em assembleias nas várias regiões do País, que deliberaram pela reposição das perdas salarias, ganho real, reajuste mensal dos salários de acordo com a inflação, estabilidade no emprego, piso salarial com base no salário mínio calculado pelo Dieese (R$ 6.754,33), dentre outras.
A PLR, não pode ser utilizada como uma das principais bandeiras de luta da categoria, é tudo que os banqueiros desejam, tal política é um abandono da defesa do poder de compra do salário dos bancários.




