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Imperialismo

Os tentáculos dos EUA no golpe no Peru

Agentes norte-americanos acompanharam todo o processo do golpe no Peru, e até agora desempenham papel de articuladores do governo e da repressão


No dia 7 de dezembro, o presidente do Peru, Pedro Castillo, foi deposto pelo Congresso daquele país e preso. A operação ocorria desde a posse do mandatário, em 2021, buscando impedi-lo de governar e removê-lo do cargo. A derrubada do presidente, apesar de eleito como esquerdista que após a posse rompeu com a própria esquerda e o povo, se tratou de um golpe contra os trabalhadores do Peru, que saíram espontaneamente às ruas em protesto, elevando a temperatura da crise política pela qual passa o país.

A participação dos Estados Unidos no golpe, o que reforça ainda o caráter de golpe do ocorrido, esteve presente em todo o processo. O governo da vice-presidente, Dina Boluarte, foi imediatamente reconhecido pelos EUA, como disse um representante do Departamento de Estado: “Nós elogiamos as instituições e autoridades civis por assegurarem a estabilidade democrática e continuaremos a apoiar o Peru sob o governo de unidade que a presidente Dina Boluarte se comprometeu a formar.”

Os protestos foram reprimidos duramente, levando ao assassinato de sete pessoas pelas forças da repressão policial. A coisa se desenvolveu, levando à queimada de prédios públicos, como delegacias e sedes locais do ministério público peruano, além do bloqueio de estradas, paralisações e bloqueio de aeroportos pelos trabalhadores revoltados.

No dia seguinte ao golpe, o governo da Venezuela denunciou a manobra do Congresso peruano e da extrema-direita daquele país. Outros governos nacionalistas da América do Sul reconheceram Pedro Castillo como presidente legítimo do Peru, e expressaram “profunda preocupação” com a sucessão. Entre eles, México, Colômbia, Argentina e Bolívia. Logo após a quase denúncia internacional, o embaixador da ONU no Peru, Igor Garafulic, reconheceu o governo de Dina Boluarte, em mais uma manifestação do imperialismo. Outros países, da América Central, também não reconheceram a presidente, como Cuba e Honduras.

Pouco menos de uma semana após o golpe, com os protestos em franca ascensão, a presidente golpista se reuniu com a embaixadora dos EUA no Peru, Lisa Kenna, no dia 13. A embaixadora trabalhou por nove anos na CIA, organização de inteligência dedicada a golpes de Estado dos EUA, além de no Pentágono, órgão de coordenação de operações de intervenção dos EUA.

A embaixada dos EUA no Peru comentou no Twitter: “Os Estados Unidos reafirma seu respeito pelas instituições democráticas no Peru e rechaça qualquer desinformação que fomente ideias contrárias. Seguimos apoiando o povo do Peru e chamamos à paz e à unidade.” Um contraste com o acontecimentos, pois a embaixadora e ex-agente da CIA, Lisa Kenna, se reuniu com o Ministro da Defesa do país no dia anterior (6) ao golpe. O ministro renunciou logo após a derrubada do presidente, no dia 7.

A reunião da embaixadora dos EUA com Dina Boluarte foi denunciada pelo presidente deposto, Pedro Castillo, em carta escrita à mão, da prisão, e publicada em suas redes sociais no dia 15. A carta declara: 

“Alerta compatriotas! A visita da embaixadora dos EUA ao Palácio de Governo não foi grátis, tampouco a favor do país. Foi para dar a ordem de colocar as tropas nas ruas e massacrar o meu povo indefeso; e, ainda, deixar o caminho livre para as explorações minerais, como o caso de Conga, Tía María e outros. Disso a imprensa peruana não apenas se calará como o negará.

Atentamente, Pedro Castillo Terrones

Presidente Constitucional do Peru.”

Após a reunião com a embaixadora dos EUA e a denúncia de Castillo, a presidente golpista, Dina Boluarte, de fato convocou as tropas militares para a repressão. Nas redes, vídeos gráficos de assassinatos a tiros de civis circulam.

Pouco após a reunião, no dia 16, o Secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, falou com Boluarte em ligação. De acordo com o sítio da secretaria dos EUA: “O secretário Blinken encorajou as instituições e autoridades civis peruanas a redobrar seus esforços para fazer as necessárias reformas e salvaguardar a estabilidade democrática. Os Estados Unidos anseia por trabalhar de maneira próxima com a presidente Boluarte em objetivos e valores compartilhados em relação à democracia, direitos humanos, segurança, anti-corrupção, e prosperidade econômica. O secretário Blinken destacou a necessidade de todos os atores no Peru de se engajar em diálogo construtivo para diminuir as divisões políticas e focar na reconciliação.”

O objetivo dos EUA é buscar estabilizar o governo eleito, o que não demonstra sinais de ocorrer. Enquanto a repressão e os assassinatos de manifestantes se multiplicam, a revolta da população é intensificada. Segundo o Ministério da Saúde do Peru, já são 26 manifestantes mortos, em pouco mais de uma semana de protestos. Os trabalhadores do Peru se mantêm firmes, os EUA apertam o cerco sobre a América Latina.

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