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Eleições 2022

“Minha candidatura serve para denunciar o imperialismo”

O Diário Causa Operária entrevistou Hermano Lemme, candidato ao senado pelo Partido da Causa Operária (PCO) no Rio de Janeiro


Em mais um episódio da série de entrevistas relativas às eleições de 2022, o Diário Causa Operária entrevistou Hermano Lemme, candidato a senador no Rio de Janeiro pelo Partido da Causa Operária (PCO). Hoje aposentado, Hermano compõe o Comitê Fora Bolsonaro Centro Zona Sul, tendo participado ativamente das manifestações que reivindicavam o Fora Bolsonaro nos últimos anos.

Confira a entrevista logo abaixo na íntegra.

Diário Causa Operária: conte rapidamente sobre a sua iniciação na política. A sua página de candidato comenta sobre a participação de seus pais nesse processo, certo?

Hermano Lemme: nasci em uma família de esquerda, com muitos membros que atuaram no antigo Partido Comunista. Meu avô materno, Hermano Batista Veiga, era açougueiro e comunista. Meu pai, Lemme Júnior, era dentista e intelectual, e foi um militante e dirigente do Partidão. Minha mãe, Eunice Veiga, foi aluna do Manoel Bandeira no colégio Pedro II e também atuou no PC. E por aí vai. Com cerca de dez anos de idade eu já sabia o que era mais-valia.

Com o golpe de 64 e, em especial depois que entrei para o Colégio de Aplicação da UFRJ, em 68, pude participar um pouco do DCE, que logo foi fechado, e senti a mão pesada da repressão. Sempre acompanhei a política e a luta contra a ditadura, participei das passeatas e movimentos contra a ditadura.

Mais recentemente, me filiei ao PT. Entretanto, não consegui atuar de forma satisfatória dentro do partido, achava que faltou garra e luta ao PT em momentos cruciais, como no golpe contra Dilma e na prisão de Lula. Durante a farsa do mensalão, por exemplo, a reação do partido foi de passividade.

Há cerca de cinco anos conheci o PCO e, em 2020, ajudei a fundar o Comitê Fora Bolsonaro Centro Zona Sul. Desde então, encontrei meu lugar na militância prática e um aprofundamento na reflexão política e não saí mais da rua, com pandemia ou sem pandemia.

Assista a participação do candidato no programa Central do Brasil:

DCO: e como você entrou no PCO?

HL: acompanho o PCO há cerca de cinco ou seis anos. Fui a Curitiba em 27 de outubro, para o aniversário de Lula, convocado pelo PCO. Participei da bela e forte manifestação que fizemos lá, pela libertação de Lula. Foi muito impactante e me aproximei ainda mais do Partido.

Mais recentemente, com a perseguição de Alexandre de Moraes ao PCO, fui convidado a entrar no partido e, então, resolvi aceitar. Além disso, o PCO teve um papel fundamental na organização do nosso Comitê de Luta, que me deu a preciosa oportunidade de atuar na prática, na rua, concretamente, junto à população, e onde conheci companheiros de luta formidáveis. Minha admiração e amizade por esses companheiros do comitê e pela militância do PCO, desde então, só cresce e fica mais sólida.

DCO: e sobre a sua categoria profissional, o que você pode nos falar?

HL: sou arquiteto por formação. Minha categoria é muito fragmentada e dependente da burguesia, não me lembro de ter havido alguma greve da categoria. Minha relação com o sindicato dos arquitetos também não foi boa, infelizmente. Trabalhei cerca de dez anos como autônomo e em escritórios de arquitetura. Depois, entrei para a prefeitura do Rio por concurso em 86 e lá permaneci por trinta anos, até me aposentar.

Pude ter uma visão real do serviço público, seu potencial, seus vícios, suas virtudes e vantagens. Conheci as necessidades, a grandeza e a miséria do povo do Rio. Estive sempre junto aos trabalhadores da construção civil e aprendi sempre e muito com eles. Vivenciei também a vida no campo desde criança pequena e trabalhei lado a lado com os camponeses do estado do Rio de Janeiro. Sei bem em que lado quero ficar na vida. Sei bem o que é a burocracia, o que é o trabalho real. Sei bem o que é a exploração do trabalho no Brasil.

DCO: como você vê a importância dos Comitês de Luta na mobilização da classe operária?

HL: acho fundamental. Não sei se é suficiente, mas é o que foi possível fazer até o momento, e acho que tem bom potencial para se desenvolver e crescer. A política do PCO de mobilizar através de comitês populares de luta me parece muito acertada.

Fiquei muito contente ao ver que, mais recentemente, Lula pediu ao PT que formasse cinco mil comitês populares de luta; pena que foi apenas com o intuito eleitoral naquele momento. Talvez esse embrião de organização popular possa dar mais frutos, pensei que finalmente o PT estava vencendo a própria timidez e tomando consciência do seu próprio tamanho e importância para o povo brasileiro.

Tenho muito orgulho de participar do Comitê Fora Bolsonaro Centro Zona Sul, que está nas ruas há mais de dois anos e meio. Acho que o nosso Comitê vai estar aí, na luta, enquanto for necessário. Tenho muita gratidão ao PCO e a todos os companheiros do comitê por indicar esse caminho e por todo o companheirismo e firmeza na luta.

DCO: no Rio, você participou da organização das mobilizações pelo Fora Bolsonaro por meio dos Comitês, não é? Como se deu isso?

HL: como já mencionei acima, o Comitê Fora Bolsonaro Centro Zona Sul está nas ruas há mais de dois anos e meio. O comitê foi fomentado e inspirado no PCO, embora seja um comitê com companheiros militantes do PT, de outros partidos de esquerda e gente sem filiação partidária.

Atuamos, principalmente, na praia de Copacabana, posto 2, reduto de coxinhas e bolsonaristas. Houve dias em que éramos seis ou sete militantes e havia dez ou doze viaturas policiais para nos dar “segurança”… Tomamos algumas duras, mas depois ficou tranquilo.

O comitê se reúne por Zoom todas as segundas-feiras às sete da noite, discutimos a conjuntura e as ações realizadas e as propostas para a semana seguinte. Produzimos panfletos, adesivos, faixas e apoiamos as greves dos trabalhadores. A mais recente foi a dos garis do Rio, na qual participamos intensamente, junto com o PCO.

DCO: por fim, qual o papel da sua candidatura pelo PCO tendo em vista que, no Rio de Janeiro, a esquerda cedeu praticamente todo o seu espaço para a direita?

HL: o PCO, do meu ponto de vista, é como um grilo falante do PT, a consciência mais profunda, política e moral do Partido dos Trabalhadores. Temos, nós do PCO, feito esse papel de estimular a reflexão em todos aqueles militantes sinceros e dispostos realmente a lutar por um governo dos trabalhadores e por uma democracia real neste país.

O PCO indica os caminhos corretos porque tem uma análise marxista profunda da realidade e uma vivência real junto à classe trabalhadora. Meu papel, enquanto candidato ao Senado, é mostrar e divulgar as ideias e o programa do partido. Denunciar as falcatruas da direita tramadas pelo imperialismo, denunciar os “adesismos” de setores da esquerda, criticar a esquerda em suas políticas erráticas e ingênuas e debater todos os temas vitais para a soberania nacional e para a vida dos brasileiros.

No fim, trata-se de estimular os militantes a atuar da forma mais integrada e organizada possível em torno de objetivos claros, dentro de uma estratégia revolucionária de longo ou médio prazos, que é a transformação de nossa sociedade rumo ao socialismo e ao comunismo.


COTV

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