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Imprensa nacional: o maior adversário da Seleção Brasileira


Muita gente se confunde com o comportamento da imprensa brasileira quando o assunto é Seleção e tem dificuldade de enxergar que essa imprensa é uma inimiga feroz e pérfida do futebol brasileiro.

A confusão se dá porque existe uma contradição entre a propaganda imediata, ou seja, aquela que planeja ganhar muito dinheiro com os negócios provenientes do futebol, e a campanha ideológica contra a Seleção, que obedece aos interesses imperialistas. Uma coisa é a atitude da imprensa nacional por audiência e venda de produtos, outra coisa são os interesses mais gerais do imperialismo contra o futebol brasileiro e que a imprensa nacional, sucursal do imperialismo, repercute diariamente.

São inúmeros artigos contra jogadores, contra técnicos, contra os times, contra a organização, contra o próprio futebol brasileiro, contra a Seleção, contra as torcidas e contra a CBF, que parece ser a única federação corrupta do mundo. A meta é convencer o povo de que nós somos ruins. Ruins em tudo, incluindo naquilo que incontestavelmente fazemos melhor que é jogar futebol. E por que? Simples, os países imperialistas não podem permitir que um país pobre como o Brasil domine com folga o esporte mais popular e lucrativo do mundo.

A convocação para a Copa do Catar saiu na semana passada, no último dia 7. A notícia poderia ser: “definido o esquadrão brasileiro que vai bailar, encantar e dominar o mundo com o hexa campeonato”, mas não foi. A convocação foi apenas mais um pretexto para abrirem o esgoto do jornalismo brasileiro contra a Seleção.

Ainda enquanto Tite cantava os nomes, Casagrande, ex-jogador agora funcionário da imprensa capitalista, despejava chorume contra Neymar, o principal jogador do time. “Neymar precisa decidir se será celebridade ou jogador”, disse ao vivo Casagrande. Esse tipo de crítica contra Neymar e outros jogadores é a regra. Sem vergonha do papel ridículo que fazem, cronistas, comentaristas, jornalistas e até ex-jogadores repetem essas ideias como se fossem sérias. Como se todos os jogadores da história não fossem celebridades. Sobre o futebol de Neymar ninguém tem nada a falar, mas como é obrigatório falar mal, achemos motivos quaisquer.

Uma jornalista da Uol/Folha de São Paulo, Milly Lacombe, encontrou “machismo” em uma resposta de Tite a uma repórter. Tudo é motivo.

São incontáveis o número de artigos da imprensa sobre os jogadores que não foram convocados, a fim de criar um clima intrigante entre os jogadores.

Já do lado dos que foram convocados, são incontáveis as contestações. Cada brasileiro é um técnico de futebol e tem o direito de dar palpite. Mas a imprensa nacional, ou melhor, a imprensa colonial, distribui críticas como se Tite pudesse convocar mais do que 26 jogadores, não o faz de má vontade. A abordagem da imprensa nos dá a impressão que convocação não implica necessariamente em ser obrigado a escolher uns e não escolher outros.

O ex-jogador Neto, que apresenta programa na Rede Bandeirantes, não para de latir contra Tite e a Seleção. Acusou Tite de ter chamado Daniel Alves por ser amigo dele. Aliás, Daniel Alves foi o ponto fraco encontrado pela imprensa para atacar a Seleção, mas ninguém entrou no mérito dos argumentos de Tite que considerou a experiência e a capacidade de liderança do lateral sobre o grupo.

Outro colunista da Folha perdeu seu tempo para palpitar: “Como torcer pelo Brasil de Neymar, apesar de Neymar?”. Dedica-se a criticar o principal jogador brasileiro pelas suas posições políticas e pela sua atitude nas redes sociais. Mas e o futebol? Sobre isso não se fala.

Não faltariam exemplos. E vai ser assim até o final da Copa e depois. E podemos ter certeza, se o Brasil perder, encontrarão muitos motivos para tentar nos convencer que realmente não somos os melhores. Se o Brasil ganhar, encontrarão motivos para dizer que a vitória não foi tão importante.

A imprensa brasileira é a pior inimiga da Seleção. Os jogadores já saíram do Brasil, é um bom começo. Apesar da internet, a distância ajuda a se livrar um pouco do clima ruim criado pela imprensa e que acaba influenciando muitas pessoas. Esse é um problema antigo. Nelson Rodrigues, que além de dramaturgo, era cronista esportivo e um sincero defensor do futebol brasileiro, percebia muito bem o comportamento da imprensa nacional:

“O escrete parte hoje. Termina o seu exílio e, se não ouviram bem, repito: — o seu exílio era o Brasil. Os nossos jogadores são tratados como se fossem estrangeiros. Ou pior. Porque os estrangeiros merecem, não raro, uma polidez convencional, sim, um mínimo de cerimônia.

(…)

Graças a Deus o escrete parte. O que nem todos percebem é que o time nacional leva um maravilhoso trunfo. No México, ele se sentirá muito menos estrangeiro do que aqui. E estará protegido pela distância. Acreditem que a distância será a nossa ressurreição. Se me perguntarem o que deverá fazer a seleção para ganhar a Copa, direi, singelamente: — “Não nos ler.” Sei que as nossas crônicas vão aparecer, por lá, como abutres impressos. Não importa. O que interessa é fugir da feia e cava depressão que dos nossos textos emana.

(…) 

Já vimos que um dos colegas escreveu, a título de juízo final: — ‘Não somos os melhores.’ Esse tom de catástrofe é de quase toda a imprensa brasileira

Os pessimistas são os alienados. Por exemplo: — o ilustre cronista diz que data de 66 o ocaso do nosso futebol. Quem fala assim é, obviamente, um ressentido contra os fatos. Ele não os aceita e parece dizer: — “Se os fatos não confirmam o que escrevo, pior para os fatos.” Quem quer que tenha um mínimo de isenção, de objetividade, de apreço aos fatos sabe que o futebol brasileiro é o melhor do mundo. Não sou eu que o digo, mas o óbvio, sim, o óbvio ululante.”

João Saldanha, que recebeu a alcunha de João Sem Medo do próprio Nelson Rodrigues, que além de técnico que classificou a Seleção de 70 era comunista, jornalista e defensor do futebol brasileiro, também destaca o comportamento nefasto da imprensa. Em coluna homenageando a conquista do tricampeonato, Saldanha afirma: 

“vou fazer uma série de cobrantinas. Cobrantina de quem disse que o Brito não sabia nem amortecer uma bola. Cobrantina de quem disse que o Brasil não tinha ponta direita, ou que Jair não era ponta direita no Botafogo. Hoje está aí Jairzinho, consagrado como o melhor ponta direita da Taça do Mundo.”

As “cobrantinas” estão voltadas à crônica esportiva dedicada a avacalhar os jogadores e a Seleção.

Hoje, a Seleção de 70 é considerada o maior time de futebol que já existiu, e de fato é. Mas nem esse time, nem esses jogadores, foram poupados pela nossa imprensa. Precisou se “exilar do próprio país” para poder jogar em paz.

E nesse caso, vale uma advertência para aqueles que acreditam que a burguesia brasileira morre de amores pela Seleção. Em plena ditadura militar, com censura e repressão, os jornalistas podiam falar qualquer coisa sobre a Seleção Brasileira. Não é interessante?

É a prova de que avacalhar o nosso futebol é uma política orientada pelo imperialismo. A própria ditadura militar permitiu os ataques contra a Seleção, o que mostra algo bastante diferente daquilo que dizem sobre a Copa de 70. Ela, na verdade, foi boicotada pelo regime, tão lacaio do imperialismo que, não fosse a enorme qualidade dos jogadores, teria entregue a Copa para outra Seleção.

Olhar para o passado serve para entender o presente. A política coordenada da imprensa de desmoralização do nosso futebol e da Seleção é uma orientação que vem de cima, dos países europeus, que não querem perder dinheiro. Porque se o Brasil ganhar mais do que já ganha no futebol, o Europeu perde dinheiro.

A Seleção não está mais no Brasil; exilou-se. Nos resto torcer. Torcer para que a Seleção jogue o que sabe, jogue o bom futebol brasileiro e traga a taça. E torcer para que as besteiras ditas aqui não influenciem nosso escrete.

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