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Campanha contra a Seleção

Casagrande, um moralista contra o futebol

Ao fazer acusações morais contra Neymar, Casagrande parece esquecer do passado


O ex-jogador e comentarista da Rede Globo, Walter Casagrande Jr., criticou Neymar em uma transmissão ao vivo no Uol Esporte durante a convocação da Seleção Brasileira. Neymar curtiu um comentário de um perfil humorístico do Twitter, Joaquin Teixeira, satirizando os problemas que Casagrande teve com drogas. Em coluna ao mesmo Uol, Casagrande respondeu Neymar.

Enfim, a discussão ganhou muita repercussão na internet e na imprensa, às vésperas da Copa do Mundo. Mas nossa intenção neste artigo não é entrar no mérito do debate de tipo moralista, que até agora foi a única coisa destacada na discussão. De fundo, não estão as lições de moral que Casagrande pensa estar dando em Neymar, nem o comportamento “sarrista” do jogador, acusado por alguns e pelo próprio Casagrande de ser imaturo. O que interessa aqui é o futebol e apenas os argumentos relativos ao futebol.

Em primeiro lugar chama a atenção o comportamento da imprensa golpista contra a Seleção Brasileira às vésperas da Copa. Casagrande, nesse momento, não está falando em nome próprio nem como ex-jogador, Casagrande há muito tempo fala como um funcionário dessa imprensa golpista, que usa sua autoridade de ex-jogador para criar um clima negativo em relação ao futebol brasileiro. Para quem tem dúvida, é bom lembrar que o Uol pertence à Folha de S. Paulo, um dos principais órgãos da imprensa capitalista e golpista. Sem contar que o ex-jogador é também funcionário da golpista rede Globo.

A imprensa golpista brasileira é uma sucursal da imprensa imperialista. Nesse sentido, ela repercute todas as perfídias contra os jogadores e o futebol brasileiro que nascem, na realidade, nos escritórios das empresas europeias. Não devemos confundir a propaganda ideológica geral com a necessidade que a imprensa local tem de ganhar dinheiro com a Copa do Mundo, e para isso precisa disfarçar seus verdadeiros objetivos. Convencer o brasileiro de que o melhor futebol do mundo não é o melhor do mundo tem sido um objetivo perseguido há décadas pelo imperialismo, usando a imprensa nacional. Para quem tem dúvidas disso, basta ler algumas das crônicas de Nelson Rodrigues sobre o futebol.

Casagrande infelizmente cumpre esse papel. E Neymar é o principal alvo dessa campanha ideológica atualmente por motivos óbvios: é o melhor jogador brasileiro e peça-chave na Seleção. Por isso, comentaristas como Casagrande têm predileção por atacar justamente Neymar. O que eles não percebem – ou sabem muito bem – é que atacar Neymar gratuitamente às vésperas da Copa é puramente um ataque contra a Seleção e o futebol brasileiro.

É nessa perspectiva que devem ser entendidas as críticas de Casagrande. Mas será que as críticas são válidas, apesar do momento inadequado? Vejamos.

Segundo matéria do Uol, a principal crítica de Casagrande é a seguinte:  “Ele (Neymar) precisa decidir se ele vai ser jogador de seleção brasileira ou celebridade, se ele decidir ser jogador é um grande passo, agora, se ele decidir pintar o cabelo, se jogar no chão para chamar atenção igual ele fez em 2018, pular quando alguém encosta nele, não vai dar em nada”.

Veja que todas as críticas passam por fora do futebol. Segundo Casagrande, “não vai dar em nada” não pelo futebol que Neymar joga, que Casagrande poderia avaliar ser de qualidade ou não, mas pelo que Casagrande moralmente avalia como sendo atitudes ruins do jogador fora de campo: “ser celebridade”, “pintar o cabelo”. Apenas o “se jogar no chão” seria mais próximo a uma crítica futebolística, embora não haja nenhuma explicação mais detalhada sobre essa questão.

Sobre ser celebridade, a crítica de Casagrande é injusta. Muitos foram os ídolos brasileiros que se tornaram celebridades. Nesse sentido, Neymar é apenas o ídolo e celebridade da geração atual. Leônidas da Silva, o Diamante Negro, foi ídolo de sua época e é considerado pelos historiadores do futebol como o primeiro jogador a se tornar uma verdadeira celebridade. Tamanho foi seu sucesso que sua alcunha se tornou nome de chocolate que perdura até hoje. Há dúvidas sobre a qualidade de Leônidas da Silva porque ele virou marca de chocolate? Claro que não.

Podemos viajar no tempo, lembrar que Pelé, o Rei, atleta do século, figurou em filmes, foi visitado por inúmeras celebridades no mundo todo, foi capa de revistas, jornais, propagandas. Pelé é o rei do futebol e foi celebridade. Podemos lembrar de Ronaldinho Fenômeno, de Ronaldinha Gaúcho.

Podemos listar aqui uma quantidade enorme de jogadores que viraram celebridades. O quanto isso afetou no seu futebol, seria preciso mostrar concretamente. No caso de Neymar – e isso não é exclusividade de Casagrande – as acusações desse tipo são feitas por si só: “ou é celebridade ou é jogador”.

Pintar o cabelo? Bom, a não ser que Casagrande nos prove que a tinta afeta o rendimento do jogador, essa é uma acusação meramente moral. Além disso, hoje em dia é raro haver algum jogador que não pinte o cabelo.

Todas essas acusações só fazem sentido se mostrarem que afetam o seu desempenho como jogador. Não negamos que isso pode acontecer, mas Casagranda se limita a acusar. Não mostra os números, não mostra que Neymar é artilheiro da Seleção. Nada, basta a acusação moral.

Sobre a acusação de cai-cai, divulgada na Copa de 2018 com o nítido objetivo de deslegitimar as faltas que o jogador recebia em campo, Casagrande também deveria provar até que ponto isso prejudicou o futebol de Neymar. Mas novamente Casagrande se contenta em acusar.

O que Casagrande não percebe é que suas acusações meramente morais, se voltam contra ele mesmo. Para nós, por exemplo, o envolvimento do ex-jogador com as drogas não vai mudar o fato de que ele foi um grande jogador. Nem mesmo as opiniões de Casagrande que consideramos erradas vão influenciar na avaliação de seu futebol. Por que então Casagrande acusa Neymar moralmente?

A resposta é simples, Casagrande, consciente ou inconscientemente, serve de porta-voz daqueles que querem atacar o futebol brasileiro.

E o mais grave, essa campanha da qual Casagrande é um porta-voz, apesar de ser fora de campo, pode, sim, influenciar os jogadores da Seleção. Essa pressão sofrida pelos jogadores sempre foi decisiva nas Copas e o moralista Casagrande está contribuindo para isso.

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