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Pró-Cultura

Analog Horror: uma comunidade em decadência

O terror analógico saturou, mas deixou para trás muitas pérolas e tem o potencial para deixar mais ainda


Não faz muito tempo que, pelos confins da Internet, o terror analógico (analog horror) era febre entre criadores de conteúdo de todos os cantos. Esse tipo de vídeo, que é caracterizado pela estética das transmissões de televisão do século XX, com seu característico ruído de imagem e cores saturadas (quando colorido), é uma imitação do estilo das gravações, narrações e edições da época.

Isso, aplicado ao terror, se mostrou muito cativante, em especial pelo estranhamento extra causado pelo estilo visual antiquado, produzindo uma inundação de vídeos que se enquadravam na categoria e que carregavam as mais variadas ideias. Essa abundância de conteúdo ocasionou, como já é tradicional da Internet, uma rápida saturação do terror analógico, que acabou por fazer o público caracterizar o nicho em uma repetição de uma pequena fórmula técnica de edição de vídeo, somada a um conjunto de clichês, como rostos deformados em preto e branco e telejornais apocalípticos.

Apesar disso, essa comunidade abriga diversos elementos ótimos de conteúdo, com ideias interessantes e boas produções, frequentemente contendo ARGs (alternate reality games) que adicionam à riqueza do conteúdo.

Um exemplo de terror analógico que conseguiu subir a um patamar tão alto que furou a bolha do nicho e se popularizou Internet afora é o caso dos backrooms, que foi um sucesso absoluto, apesar de não exatamente ter surgido nessa comunidade e fugir bastante da proposta do gênero, sendo mais uma obra relacionada ao fenômeno dos espaços liminares.

Algumas das ideias mais interessantes, geralmente, se passam em realidades paralelas em que existem formas de vida (normalmente alienígenas ou micróbios) que produzem situações de perigo à humanidade ou a um determinado grupo. Alguns bons exemplos de analog horror que abordam esse tipo de tema são:

  1. Gemini Home Enterntainment: aborda em um de seus episódios o tema dos animais mais esquisitos do mundo, neste citando dois pássaros comuns em regiões do estado americano de Minessota, seguido do Woodcrawler, um ótimo caçador que conseguiria se movimentar por praticamente qualquer terreno sem fazer barulho e que produzem ninhos em casas de grandes famílias, com o intuito de roubar seus corpos e se passar por elas;
  2. The Smile Tapes: uma doença misteriosa causa crises de riso nas pessoas e deformações na aparência dos infectados, o causador da doença misteriosa parece ser um fungo oriundo do espaço, que, além de causar as crises de riso, provoca comportamentos violentos e direciona os infectados para infectar mais pessoas.

Esse tipo de tema, de doenças e monstros extraterrestres, é muito comum em analog horror, e é abordado nos principais exemplos do gênero. Isso contribui muito para a sua saturação, pois muitos criadores menores se baseiam nelas para suas criações, ocasionando muitos vídeos iguais e criando clichês em torno de elementos usados nas grandes obras do gênero, como já dito antes, o telejornal e os rostos deformados em preto e branco.

Todavia, isso não impede outros criadores de produzirem mais conteúdos com premissas mais originais, o que mostra que o estilo de terror analógico pode ter um fôlego extra se mais bem pensado.

Alguns exemplos de obras com premissas mais diferente são, por exemplo, Monument Mythos, que mostra que determinados monumentos famosos, como a estátua da liberdade e a torre Eiffel, escondem segredos sinistros por trás das aparências; The Blue Channel, que conta com vários episódios de um suposto canal azul da televisão norte-americana – em um dos mais interessantes deste últimos, nos é apresentada a Thalassina, um medicamento que seria capaz de manipular as emoções, podendo estimulá-las diretamente. Depois, ele nos apresenta a Thalassina+, que é capaz de gerar sentimentos artificiais não criados naturalmente pelo cérebro humano -; e Corner Folk, que mostra a busca de um jovem por compreender o comportamento e a existência de um conjunto de seres que vive em sua casa e pode trafegar entre os planos bi e tridimensional.

Fora os citados, temos muitos outros que podemos mencionar, como o curta Life Meat, o famoso Local 58, Walten Files, que foi inspirado em FNAF, Mandela Catalogue, que mostra a ameaça de um grupo de seres chamados alternates, e FNAF VHS, que é um complemento feito por fãs da história do universo de Five Nights at Freddy’s.

A solução para a saturação do terror analógico é bem simples: ao invés de ser tratado com um gênero destacado, deve ser tratado com uma solução estética, pois, ao se livrar das amarras de determinados elementos comuns ao terror analógico, como vários que já citamos, muitos criadores são muito talentosos e criativos e o movimento que se formou em torno dessa comunidade é muito significativo. Um salvamento dessa estética seria muito positivo e ocasionaria uma nova onda de bons vídeos com boas ideias.

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