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Eleições 2022

Por que a campanha de Haddad fracassou?

Mais uma vez, a política de alianças entre a esquerda e a burguesia se mostrou uma farsa que, em São Paulo, entregou a maior quantidade de votos ao bolsonarismo


Desde o começo da movimentação em torno das eleições deste ano, o Partido dos Trabalhadores (PT), repetindo seus erros do passado, apostou firmemente que sua vitória eleitoral se daria em decorrência de alianças com setores do chamado “centrão”, ou seja, da direita. Figuras que, ligadas à burguesia avessa – pelo menos neste momento – a Bolsonaro, trariam algum benefício a Lula e aos seus candidatos.

O principal elemento desta campanha é, sem sombra de dúvidas, Geraldo Alckmin (PSB), inimigo consagrado dos trabalhadores que foi escolhido para ocupar a vice-presidência na chapa de Lula. Sua aproximação com o PT foi feita justamente com o argumento de que Alckmin traria o apoio de empresários e de políticos do “centro” à campanha petista, aumentando suas chances de vitória.

Um dos principais objetivos da inclusão de Alckmin na campanha de Lula era o de impulsionar a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Não é à toa que foi ele quem, segundo o mesmo, teve papel de destaque na aproximação de Alckmin a Lula e na consequente consolidação de sua chapa.

Mas por que Alckmin, especificamente? Ora, Alckmin é uma pessoa muito articulada em São Paulo, já ocupou o Palácio dos Bandeirantes por 4 mandatos diferentes nos últimos 20 anos. De maneira geral, foi uma figura central no que diz respeito ao controle dos tucanos sobre o estado, constituindo-se como eixo do PSDB paulista. Portanto, dada a sua influência, poderia, teoricamente, mexer alguns “pauzinhos” para garantir que Haddad fosse eleito em São Paulo. Todavia, não foi isso que aconteceu.

Após a realização do primeiro turno das eleições de 2022, em São Paulo, Haddad ficou em segundo lugar na votação, com 35,70% dos votos. Em primeiro lugar, para a surpresa de muitos e demonstrando uma falência total da política do PT em São Paulo, está Tarcísio, o candidato de Bolsonaro, com 42,32% dos votos. Já em terceiro lugar, dessa vez, evidenciando a decadência do centro político representado pelo PSDB, está Rodrigo Garcia, o candidato tucano, com 18,40%.

Haddad, como se vê, não só não ganhou as eleições de lavada, algo que foi quase que garantido ao incluir-se Alckmin na chapa de Lula, como conseguiu a façanha de, sendo um candidato do maior partido de esquerda da América Latina, ser amplamente ultrapassado pelo candidato de Bolsonaro.

Se o principal motivo pelo qual Alckmin foi incluído na chapa de Lula falhou miseravelmente, então qual seria a verdadeira razão pela sua participação na campanha petista? Finalmente, Lula não levou a vitória no primeiro turno, como dizia a campanha do “Já Ganhou” e, consequentemente, toda a sua política de frente ampla mostrou-se uma verdadeira armadilha que, ao invés de impulsionar a sua candidatura, faz o contrário.

Nesse sentido, Alckmin afundou a campanha de Haddad em São Paulo, pois, no final, a militância petista e, de modo geral, toda a esquerda, ficou profundamente descontente com a inclusão dos tucanos na campanha de Lula. Finalmente, o PSDB e afins, durante todos os seus governos, mostraram que vieram para massacrar a classe operária brasileira. Como é que qualquer pessoa verdadeiramente progressista apoiará a direita infiltrada no seio da esquerda? É completamente desmoralizante.

A participação de Alckmin na campanha de Lula e de Haddad teve dois propósitos: reviver o próprio Alckmin que, não fosse assim, desapareceria da política brasileira; e, acima disso, empurrar a campanha do PT cada vez mais à direita. Haddad já é um político que, em diversas ocasiões, mostrou estar mais à direita do que à esquerda. Com Alckmin, se endireita ainda mais.

Isso fica claro com a declaração que Haddad deu após a declaração de que haveria um segundo turno em São Paulo:

“Orgulho de ter feito a maior campanha do campo progressista. Estamos com uma diferença pequena em relação ao Tarcísio, em 2012 também foi assim. Passamos por mais de 150 cidades na campanha, fomos bem recebidos sem exceção. Não houve incidentes graves nem leves. Muito agradecimento pelo carinho nessa jornada. Chegamos aos 36%, não era o que almejávamos, mas perto da meta. Acreditamos que Lula chegará a 48% ou até mais e temos que conversar agora com os outros setores da sociedade, que não nos apoiaram nesse início. Tenho todo o interesse de conversar com Rodrigo Garcia (PSDB)”, disse o petista.

Ou seja, Haddad, não satisfeito com o enfraquecimento proveniente de sua aliança com Alckmin, também quer ir atrás dos tucanos que continuam no PSDB e continuam firmes na luta contra o povo trabalhador paulista. É uma política que o primeiro turno já mostrou não funcionar. Por que seria diferente, ainda mais quando levado em consideração que Rodrigo Garcia é, neste momento, uma figura ainda mais reacionária que Alckmin?

Finalmente, Haddad e o PT, como um todo, devem se apoiar na mobilização popular, e unicamente nesta, para levar adiante uma campanha verdadeiramente de esquerda. A política “por cima”, por meio de alianças das mais aventureiras possíveisl, é uma enganação que não demonstra resultados positivos e que, por definição, afasta os trabalhadores das candidaturas do campo progressista.

É uma tendência que pode ser, inclusive, observada em todo o mundo. Enquanto a esquerda se compromete com a política do imperialismo e com os seus agentes, a classe operária, completamente avessa à burguesia por ser a que mais sofre na pele com seus ataques, se volta para a extrema-direita, expert em fazer demagogia com as necessidades do povo.

Logo, a única forma de Haddad vencer o bolsonarismo neste segundo turno é dando um giro de 180 graus em sua campanha e começar a, de fato, mobilizar o povo em torno de sua candidatura. Alckmin avacalhou a campanha do petista no estado e a aproximação de demais setores direitistas do PT promete fazer o mesmo, senão pior.


COTV

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