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Ascânio Rubi

Ascânio Rubi é um trabalhador autodidata, que gosta de ler e de pensar. Os amigos me dizem que sou fisicamente parecido com certo “velho barbudo” de quem tomo emprestada a foto ao lado.

Pressão da burguesia

A luta só está começando

Será que o amor venceu e podemos esquecer as desavenças do passado?


A histórica eleição de Lula, no último domingo, deu-se em clima de final de campeonato, à semelhança daquelas partidas em que a decisão vai para os pênaltis e tudo pode acontecer. Nessas situações, o vencedor ergue a taça, a torcida vai ao delírio e o adversário, mesmo abalado, aceita a derrota e cumprimenta o vitorioso. Embora o adversário não se tenha notabilizado pelo fair play, esse ainda deve ser o menor dos problemas que Lula tem pela frente.

Os amigos de última hora, que se acotovelaram nos palanques de Lula às vésperas da decisão, foram os mesmos que apoiaram o golpe contra Dilma Rousseff e comemoraram a prisão dele. Ao mesmo tempo, boa parte da esquerda fez as pazes com a Rede Globo porque o apresentador William Bonner parecia “torcer” pela vitória de Lula durante a apuração (por certo, não passaria pela cabeça de Lula deixar de renovar a concessão da emissora, coisa que o ainda primeiro mandatário do país já andou cogitando). Será que, enfim, o amor venceu e podemos esquecer as velhas desavenças em nome da “democracia”?

Na festa da vitória, Lula disse a uma multidão vestida de vermelho que descansaria por dois dias e logo começaria a trabalhar na transição etc. A burguesia, incansável que é, já amanheceu nas páginas de jornais conclamando Lula a volver para o “centro”. Além disso, como já se sabe, a imprensa está preparando as armas de sempre para não dar sequer um minuto de respiro ao governo do PT.

A volta à tão propalada “normalidade”, entre outras coisas, passa pela volta da imprensa ao seu papel de mediador, que faz dela o chamado “quarto poder”. Não à toa, Bolsonaro a chutou com os dois pés desde o início, valendo-se dela, no entanto, na campanha eleitoral, quando usou a seu favor o farto material produzido contra Lula e o PT desde a antessala do golpe. Agora, a senhora Vera Magalhães poderá voltar suas baterias contra o governo sem correr o risco de ser ofendida ou de ser chamada de “vergonha do jornalismo brasileiro”. Será que ainda vamos ter saudade dos rompantes do Bolsonaro?

A burguesia, aparentemente, espera pressionar o governo em direção aos seus interesses, fazendo de Lula um “coxinha”. Até a esquerda já comprou a conversa de que Simone Tebet, Marina Silva ou Alckmin trouxeram para Lula os votos da vitória, ignorando completamente a realidade. O pessoal da “nova esquerda”, que vê a política pela ótica das identidades e parece mais preocupado com representações estéticas e simbólicas, certamente fará o jogo da burguesia, de cujas políticas tem estado sistematicamente a reboque.

Se o palanque do Lula parecia uma colcha de retalhos, seu governo precisa mostrar unidade em torno dos projetos que favoreçam os trabalhadores contra os interesses da burguesia. Os auxílios emergenciais, no momento, são necessários para atender a parcela mais frágil da sociedade, que sentiu no estômago os efeitos do golpe de estado. Isso, porém, não é tudo.

As camadas médias da sociedade, compostas de gente que vive do trabalho, foram condenadas a substituir o vínculo empregatício (e os consequentes direitos trabalhistas, já subtraídos pelas reformas golpistas) por um registro de microempreendedor individual, que, no mais das vezes, é um quebra-galho. Estamos voltando a passos largos para o tempo em que se trabalhava durante dezesseis horas por dia e não havia nem fim de semana nem férias – é essa a vida dos “empreendedores” modernos.

Lula terá muitos desafios pela frente, e o povo deve manter-se mobilizado para apoiá-lo na luta contra a pressão da burguesia. Esta, aliás, já começou.


COTV

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