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Universidade Marxista

A luta do povo brasileiro contra a ocupação holandesa

Na última aula do curso "Brasil, 500 anos de história", Rui Costa Pimenta finalizou sua exposição acerca da ocupação holandesa no Brasil e iniciou a história dos bandeirantes


Nesta quarta-feira (30), Rui Costa Pimenta, Presidente Nacional do Partido da Causa Operária, ministrou ainda mais uma aula do mais novo curso da Universidade Marxista: Brasil, 500 anos de história. Dividido em 4 módulos, o presente curso promete trazer a primeira análise marxista de toda a história acerca do legado brasileiro, um golpe direto contra a política imperialista do identitarismo.

Na última aula, o companheiro Rui contou um pouco da odisseia que levou à primeira revolução no Brasil, com a expulsão dos holandeses do território nacional. Vejamos uma breve discussão do que foi dito.

O caráter da ocupação holandesa no Brasil

Depois de determinado tempo de conflitos, os holandeses conseguiram estabelecer uma dominação relativamente pacífica no Brasil. Entretanto, tanto as pessoas da terra quanto a coroa portuguesa nunca ficaram verdadeiramente satisfeitas com essa ocupação.

Os holandeses tratavam as pessoas com certa complacência, procurando evitar, principalmente quando controlaram a situação, o choque com a população. Isso é decorrência do fato de que eles precisavam ter boas relações com o povo para manter uma produção de açúcar aceitável para seus propósitos.

A revolta começa aos poucos, e os holandeses começam a reprimir essa revolta de maneira muito agressiva. Mais tarde, em 1643, a situação já é explosiva: há uma revolta generalizada contra os holandeses. Começa no Maranhão mas, prontamente, se espalha para o Ceará e atinge todas as capitanias do Norte do País.

Calúnias contra a história nacional

Existe um mito de que a população do Brasil teria se conformado com a ocupação holandesa. Isso não é bem verdade. Afinal, não houve praticamente nenhum ano de paz durante a permanência dos holandeses no País. Aqui, é importante entendermos que, de fato, houveram momentos de maior crise, mas a luta entre brasileiros e holandeses nunca parou.

Outro mito seria que os holandeses saíram do país porque foram pagos. Mentira! Eles foram expulsos após um longo período de luta.  Depois de um tempo, a dominação holandesa começou a ser um fardo intragável, fardo este que não era aceito pelo povo. Deve ficar claro que o movimento contra os holandeses foi uma insurreição em todos os lugares do Norte do País.

“É importantíssimo o fato de que não foi um enfrentamento militar, não é que veio um exército brasileiro ou português para expulsar os holandeses. Não, foi o próprio povo que, levantado em armas, expulsou os holandeses. É uma verdadeira revolução que se espalha, a primeira revolução que aconteceu no Brasil, a revolução pela independência da dominação holandesa”, colocou o companheiro Rui em sua exposição.

Fica claro, portanto, que os holandeses foram expulsos pelo povo brasileiro. Não existia qualquer possibilidade de sua permanência. São concepções que representam ainda mais uma tentativa de tentar apagar o legado nacional.

Por trás dos panos

Durante o conflito, a coroa portuguesa mandou ordens explícitas para parar a insurreição contra os holandeses. Qual seria o sentido dessa política?

O ponto é que Portugal tinha receio de que o embate se estendesse para o resto da Europa. O país já está acossado pelos espanhóis na guerra da restauração que vai durar cerca de 18 anos – mais detalhes abaixo. Ou seja, tinham medo de entrar numa guerra contra a Espanha e a Holanda ao mesmo tempo. Por isso, fizeram um acordo de trégua com a Holanda, dando prioridade à situação com os espanhóis que, de fato, era mais alarmante naquele momento.

Entretanto, com o desenvolver da luta contra a ocupação holandesa, os portugueses perceberam que sua expulsão era iminente, não havia como parar o povo que já havia desacatado às ordens de cessar fogo.

Por isso, Portugal apoia a revolta e, cercando por vias marítimas a costa de Pernambuco, expulsam, ao lado do povo, que havia invadido a cidade, os holandeses do Brasil. Em seguida, Portugal faz um acordo de paz com a Holanda e paga-lhe uma indenização.

Mais uma vez, essa política vem como uma forma de livrar Portugal de demais problemas na Europa. Até porque eles possuíam acordos comerciais muito favoráveis com a Holanda, sem contar na mina de ouro que o Brasil representava. Fica claro que o dinheiro entrava.

Panorama internacional

A esmagadora maioria dos historiadores relata a história do Brasil – e, na realidade, de praticamente todo o mundo – como uma sucessão maçante de acontecimentos que, segundo suas lógicas, não possuem causas e nem consequências tão claras. Com isso, ignoram completamente o problema internacional, ou seja, que influências estrangeiras determinado episódio sofreu?

Apesar desta grave falta analítica, todos os acontecimentos da história da humanidade se relacionaram de alguma forma com o que acontecia no resto do mundo. No Brasil, isso não seria diferente.

Em uma de suas obras mais importantes, Karl Marx analisou as principais etapas das revoluções burguesas ao longo da história. Ele afirma que a revolução holandesa, no século XVI, é circunscrita a um pequeno grupo de países. Por outro lado, a revolução inglesa tem um caráter europeu, que afeta toda a Europa. Por fim, a revolução francesa tem um caráter universal, que afeta o mundo inteiro.

À época da crise dos holandeses no Brasil, a Europa passava pela segunda onda das revoluções burguesas, que tinham como centro a revolução na Inglaterra. Era um movimento bastante radical, que derruba e corta a cabeça do rei inglês. Foi, além disso, liderada por Oliver Cromwell, que, posteriormente, se transformou em um governante, assumindo um poder quase que absoluto. Mas, de maneira clara, é uma revolução da burguesia contra a aristocracia feudal que já era extremamente caduca naquele momento.

A Guerra de Restauração (1640-1668) foi, por sua vez, uma espécie de revolução contra a Espanha. O povo e a burguesia eram, obviamente, contrários ao domínio espanhol, o que resultou em uma instabilidade em Portugal e, mais tarde, em uma luta ferrenha do povo contra a aristocracia espanhola.

Ou seja,  estamos em uma fase muito importante das revoluções burguesas, a etapa mais importante antes da revolução francesa. Esses acontecimentos, logicamente, abalaram as estruturas políticas de todos os países europeus. Portanto, fica claro que a cronologia das revoluções em Portugal e no Brasil não é mera coincidência. Afinal, o Brasil estava intimamente ligado à Europa que, naquele momento, passava por um processo profundamente revolucionário.

E depois? Descubra…

Temos, aqui, o principal acontecimento político do século XVII no Brasil. Não é o principal acontecimento, pois, de uma maneira escura, está em marcha um outro movimento que é, provavelmente, tão importante quanto este: o bandeirantismo.

A exploração do interior brasileiro pelos bandeirantes vai levar a dois acontecimentos muito grandes: a descoberta de metais preciosos em Cuiabá e em Minas Gerais; e a ampliação massiva das fronteiras nacionais. Mais um acontecimento revolucionário no seio do que hoje conhecemos como Brasil.

Este é o sinal que você estava aguardando. Inscreva-se!

Caro leitor, aqui, neste limitado artigo, relatamos somente os aspectos mais gerais da discussão feita nas aulas do curso Brasil, 500 anos de história. Nas aulas, o companheiro Pimenta não só analisa a fundo o que de fato ocorreu no Brasil, como também relata anedotas indispensáveis àqueles que se interessam pela história do País. Sem contar nas inúmeras polêmicas com as posições que procuram sabotar esse legado.

Sem contar que é um espaço onde qualquer telespectador pode realizar perguntas diretamente para o companheiro Rui! Uma oportunidade imperdível.

Não perca mais nenhuma aula e inscreva-se agora mesmo na Universidade Marxista por meio deste link. Lembrando que, àqueles recém chegados, todas as aulas ficam gravadas, então você não vai perder absolutamente nada.

Além disso, a primeira aula do curso está disponível gratuitamente pelo canal no YouTube Causa Operária TV (COTV). Confira, abaixo, o vídeo na íntegra e descubra o que lhe aguarda:


COTV

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