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Futebol

A fuga de jogadores para Europa é o problema da África?

José Mourinho afirma que impedir jogadores africanos de atuarem em outras seleções como a França resolveria o problema do desempenho de seus países


A Copa do Mundo, maior competição internacional de futebol do planeta, que neste ano de 2022 será sediada no Qatar, se aproxima e, diante da grande bajulação da imprensa brasileira aos técnicos estrangeiros que atuam no Brasil, em especial, o português Abel Ferreira no comando do Palmeiras, resolvemos resgatar algumas declarações polêmicas do seu compatriota José Mourinho, atual treinador da equipe italiana Roma, sobre o problema do baixo desempenho das seleções africanas. Para o técnico português, a mudança desta realidade dependeria da Federação Internacional de Futebol (FIFA) impedir que jogadores de países da África atuassem em outras seleções como a França – campeã da última edição do torneio em 2018.  

“Quero que o mundo perceba que a África é igual a todos, os africanos têm capacidade de vencer qualquer jogo, eles não vão bem apenas porque seus melhores jogadores estão espalhados pelo mundo atuando por outros países além de sua terra natal”. Esta declaração de Mourinho pode parecer para algum desavisado algo revolucionário e causar algum impacto em setores dominados pelo identitarismo, de o chamaram até de “visionário”. É evidente que a fuga de jogadores para outros países é prejudicial ao desenvolvimento do futebol nos países da África, mas o técnico português deveria explicar o alto desempenho do Brasil sendo a maior indústria futebolística do mundo e exportando milhares de atletas todos os anos. Também não se trata de dizer que os jogadores africanos não podem evoluir, porém é preciso estabelecer em quais condições materiais isso seria possível.  

O técnico Mourinho disse que “com o conhecimento e a cultura tática que vão adquirindo nos grandes clubes onde jogam e, desde que os seus países consigam se estruturar em termos de condições de trabalho, os africanos vão estar preparados dentro de pouco tempo”. Há três aspectos que chamam atenção em suas colocações que as tornam inviáveis: esperar que os países imperialistas que se beneficiam com essa situação coloquem fim a mesma (são eles que controlam o futebol e a FIFA), não considerar que a cultura de um povo se desenvolve socialmente (não se pode importar de outros países uma identidade neste esporte) e acreditar que tornar o futebol africano competitivo se resume uma questão de vontade (se não é econômica, como financiar tal estrutura?).       

O ex-meio-campista de trajetória desconhecida e desconhecido como treinador para nós brasileiros, apesar de colecionar títulos como técnico de equipes de diferentes países da Europa (Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha), demonstra que também desconhece qualquer coisa sobre futebol ao afirmar que “os jogadores africanos são, do ponto de vista físico e técnico, superdotados. Sobretudo do ponto de vista físico, são mais dotados que o tradicional jogador europeu ou mesmo o sul-americano”. Mourinho parece estar empenhado em atender as expectativas dos identitários, não há nada que sustente a suposta superioridade dos jogadores africanos em relação aos sul-americanos, o Brasil foi país que projetou os maiores futebolistas que o mundo já conheceu, que incluso desenvolveram um estilo de jogo (futebol arte) para superar a força física dos brucutus europeus, já em relação a estes, temos que concordar até porque os africanos são fundamentais para reforçar as seleções desses países.

A questão central desse problema pode ser explicada com base no futebol brasileiro, apesar do Brasil também ser um país de capitalismo atrasado, nossa nação foi a que mais conseguiu se desenvolver do ponto de vista econômico, esta característica está associada intimamente ao processo de constituição do Brasil, que diferente dos demais países atrasados, permitiu uma maior independência em relação ao julgo do imperialismo. Claro que o processo de evolução do futebol no Brasil tem característica próprias, sua massificação atingiu uma população majoritariamente negra, que teve que desenvolver uma técnica superior à da elite para conquistar seu espaço nos gramados deste esporte, um futebol alegre das periferias e dos bairros operários que trouxe consigo também o samba, o qual não só furou o bloqueio imposto aos negros dentro país como também superou os países imperialistas, os quais desde então buscam a todo custo sabotar o melhor futebol do planeta. Fica demonstrado assim que a questão econômica é fator fundamental para que os países africanos consigam melhores resultados em competições internacionais como a Copa do Mundo.  

O aparente discurso progressista de José Mourinho tem características bastante reacionárias. Em 2007, quando era técnico da equipe inglesa Chelsea, o português falou que “se me perguntarem se quero mais jogadores africanos, a minha resposta é não”. A alegação de Mourinho contra a presença de atletas da África nas equipes européias sob seu comando se tratava de não poder contar com esses jogadores no período da Taça das Nações Africanas. Tal chantagem é uma contradição com a suposta defesa do futebol africano, os atletas teriam que decidir entre atuar nos clubes europeus ou nas seleções de seus país. A possibilidade de fechar as portas do futebol europeu para atuação de jogadores africanos equivale a proibição da entrada de africanos que buscam melhores condições de vida em países da Europa. Isso demonstra que Mourinho não tem qualquer compromisso com o futebol africano e que de suas palavras se aproveita absolutamente nada. 

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