Na quarta-feira, dia 23 de novembro, uma delegação da União Europeia, em visita à Palestina, declarou estar em “estado de choque” em razão da demolição – perpetrada pelo exército sionista – de uma escola primária na região de Masafer Yatta, na Cisjordânia ocupada. “Estamos chocados com as notícias de que o exército israelense demoliu a escola Sfai, mantida por meio de doações, nos territórios palestinos ocupados, apenas um dia após visita de diversos diplomatas de estados-membros da União Europeia”, destacou a delegação em comunicado. Mais adiante assinalou ainda: “O direito das crianças palestinas à educação deve ser respeitado”. “Ficamos profundamente alarmados pelos atos israelenses cujos alvos são estruturas humanitárias. Essas medidas coercitivas ameaça a existência das comunidades palestinas em Masafer Yatta” (Monitor do Oriente Médio, 23/11).
São muitas, dezenas, talvez centenas de declarações de “estupefação e choque” emitidos por comissões e delegações, dos mais variados organismos e fóruns internacionais “defensores dos direitos humanos” que visitam os territórios ocupados na Palestina (Gaza, Cisjordânia, etc), com todos se mostrando muito “indignados”, “comovidos” e “sensibilizados” com a tragédia humanitária vivenciada pelo povo palestino, submetido às piores e mais cruéis atrocidades perpetradas pelo estado criminoso de Israel contra a população civil indefesa em uma das regiões de maior densidade geográfica do planeta.
O que é preciso ser dito e também registrado, é que nenhuma dessas manifestações de sentimento, dor e lamento dos organismos internacionais, das missões humanitárias, das delegações e comissões de investigação sobre os crimes do sionismo contra o povo palestino, tem qualquer efeito prático para cessar o genocídio contra a população que vem sendo – há décadas – massacrada por uma das maiores máquinas militares de guerra do planeta, financiada, apoiada e treinada diretamente pelo imperialismo mundial, em particular pelos Estados Unidos e seus aliados europeus. Sim, o Estado de Israel é um enclave artificial sustentado econômica e militarmente pelo imperialismo para a defesa dos interesses de rapina do capitalismo mundial, contra a luta dos povos da região em defesa da sua soberania, da autodeterminação, pela emancipação política e social.
Já está na casa das centenas as resoluções da ONU que condenam as ações criminosas dos sionistas contra os palestinos, exigindo a retirada dos israelenses dos territórios ocupados, historicamente pertencente ao povo palestino. No entanto, os organismos internacionais nada fazem além de emitir declarações e resoluções. Chama a atenção, contudo, que quando se trata de alguma resolução que está em sintonia com os interesses do imperialismo, até mesmo tropas e exércitos são convocados para fazer cumprir as resoluções, como se viu na guerra dos balcãs, na década de noventa do século passado, quando as missões autorizadas pela ONU perpetraram um dos maiores massacres contra as que compunham a antiga Iugoslávia. Isso para ficar apenas em um único exemplo, mas, obviamente, há dezenas de outros.
A luta da classe operária mundial pela sua emancipação econômica e social exige das suas direções a mais ampla delimitação política e organizativa no que diz respeito ao imperialismo e suas “agências humanitárias”, todas, de uma forma ou outra, comprometidas e acumpliciadas com a opressão da burguesia mundial exploradora e genocida, inimiga da humanidade.





