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Henrique Áreas de Araujo

Viva ou queime o Butantã?

“Viva Butantã”? Identitários “negacionistas” atacam Vital-Brazil

Vital-Brazil fez mais pela vida dos trabalhadores negros brasileiros do que qualquer identitário do PSOL da USP


A esquerda pequeno-burguesa se dedicou a fazer propaganda eleitoral do PSDB no ano passado. Segundo a maior parte dessa esquerda, Bolsonaro, que fazia declarações absurdas sobre a pandemia, era a direita “bárbara”; já João Doria, que não falava tanta asneira, mas não fez nada contra a pandemia em São Paulo, era a direita “civilizada”.

Uma das maneiras como essa propaganda aparecia era por meio de uma defesa da “ciência”, do Butantã e do SUS. Não que essa esquerda estivesse muito preocupada em realmente defender o SUS, afinal, ela se recusou a sair na rua para reivindicar uma política decente de combate à pandemia durante todo o ano de 2020, enquanto o povo morria feito mosca.

Não é necessário dizer que João Doria não é a favor do SUS. Como bom representante do PSDB, é um defensor de privatizar a saúde no País, destruindo o Sistema Público de Saúde. Privatizar e destruir, quase sinônimos. No caso do Butantã, o governo do PSDB já deixou o maior acervo de serpentes do mundo ser destruído por um incêndio em 2010.

Tudo isso, no entanto, não foi suficiente para envergonhar a esquerda pequeno-burguesa que, ao mesmo tempo em que se recusava a lutar por medidas reais contra a pandemia, denunciando tanto Bolsonaro como João Doria, levantava a palavra de ordem de “viva o SUS” e “viva o Butantã”.

Quem acompanha a história recente da esquerda brasileira sabe que a maioria desses grupos é “maria vai com as outras”. A imprensa golpista falou para fazer propaganda de Doria, e lá estava a esquerda para repetir: “viva o Butantã”.

Como está claro, essa esquerda está condicionada a seguir tudo o que a direita pró-imperialista fala e acaba passando vergonha.

A moda agora é atacar a história do Brasil e seus personagens. Tudo bastante a propósito dos interesses do imperialismo. Alguns esquerdistas, adeptos da ideologia imperialista do identitarismo, foram devidamente divulgados pela imprensa golpista, como G1 e Folha de S. Paulo e outros trocando alguns nomes de rua.

E qual não foi a surpresa que alguns integrantes do PSOL, ligados aos centros acadêmicos da USP, “trocaram” o nome da avenida Vital-Brazil.

E de repente, os que falavam “viva o SUS” e “viva o Butantã”, fazendo propaganda de João Doria, agora dizem que o primeiro diretor do instituto era um racista. Isso porque, Vital-Brazil teria participado do evento de fundação da sociedade eugênica brasileira no início do século XX.

Por causa disso, um dos mais importantes cientistas brasileiros foi condenado ao fogo do inferno identitário. Nem mesmo pode existir uma avenida que o homenageia, perto do instituto que ele ajudou a fundar e desenvolver.

Vital-Brazil é considerado o maior nome do mundo no que diz respeito ao desenvolvimento de soros antiofídicos. O Butantã se tornou reconhecido mundialmente por isso e pelo desenvolvimento de outros medicamentos e vacinas.

Vital-Brazil não era perfeito como são os identitários e psolistas da USP. Vital-Brazil era racista? Difícil saber, mas com certeza essa não seria a maior característica que deveríamos apontar nele, é ridículo. Guardadas às proporções, é como lembrar de Charles Darwin não pelas suas descobertas, mas pelas suas posições conservadoras.

Os ataques são apenas uma “modinha” que não leva a lugar nenhum, luta nenhuma e menos ainda vão resolver o problema da opressão dos negros. Já o que Vital-Brazil desenvolveu para a ciência, que no fim das contas é o que importa, teve infinitamente mais importância para o povo brasileiro do que qualquer ação cirandeira desses esquerdistas identitários. A descoberta do “racista” Vital-Brazil salvou e salva a vida de milhares e milhares (é difícil fazer essa conta) de trabalhadores rurais – a maioria negros – que na época morriam por picadas de serpentes nas lavouras brasileiras todos os anos.

Mas qual a importância disso tudo para um identitário que vive nas salas de aula da USP aprendendo teoria importada das universidades norte-americanas? Nenhuma. Nesse caso concreto, “vidas negras não importam”, ou melhor, só tem importância para fazer discurso demagógico.

Fica a pergunta para os psolistas identitários que mudaram o nome da avenida: deveríamos destruir o Butantã, criado por esse “racista” de nome Vital-Brazil? Bom, o PSDB já está fazendo isso.

A política demagógica leva os grupos da esquerda a errarem todas as vezes. Defendem o Butantã para fazer propaganda do criminoso João Doria, mas atacam Vital-Brazil para favorecer o imperialismo, que logicamente tem todo o interesse em acabar com a história e as conquistas do povo brasileiro.


COTV

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