Paraguai

Fogo contra repressão e rejeição do impeachment

Milhares saíram às ruas exigindo "fora todos eles", e queimaram a sede do Partido Colorado

No último dia 17, a oposição parlamentar paraguaia protocolou um pedido de impeachment contra o presidente Mario Abdo Benítez, sob a pressão dos protestos, que há várias semanas pedem sua saída por conta da gestão genocida levada adiante por ele durante a pandemia.

No mesmo dia o processo foi rejeitado na Câmara, por 42 a 36 votos. A oposição esperava contar com os votos da ala mais à direita do Partido Colorado, controlada pelo magnata e ex-presidente do país, Horácio Cartes, aliado de Benítez; o que não aconteceu.

Rejeição do impeachment gerou protestos

A derrota do impeachment gerou uma enorme revolta e milhares de pessoas saíram às ruas em mais uma noite de intensos protestos, com grito de “fora todos eles!”. Desde o começo de março, os paraguaios vêm saindo às ruas contra a política criminosa do governo local de deixar o povo entregue à própria sorte diante da pandemia, que vem agravando a situação de caos do fracasso econômico, deseemprego e aumento da repressão contra a população pobre.

A mobilização começou em frente ao Congresso, onde os manifestantes se reuniram para acompanhar a votação, e tomou as ruas de Assunção.

Em frente à sede da Assembleia Nacional Republicana, o Partido Colorado paraguaio, do qual Mario Abdo faz parte, um segurança – já identificado pela Polícia Nacional – disparou contra os manifestantes com uma escopeta.Manifestante é morto por policial em ataque ao Congresso do Paraguai -  Metrópoles

Os manifestantes gritavam paavas de ordem contra o presidente, os deputados e o Partido Colorado. Fatos semelhantes ocorreram em outras regiões do País.

Tentando ganhar tempo

Enquanto buscava salvar seu cargo, Benítez aliado político do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro, tenta ganhar tempo e tapear a população apresentando soluções “milagrosas” para a crise do coronavírus e os pedidos crescentes da população por vacina. 

Uma dessas soluções anunciadas seria a cessão pelo governo de Taiwan de uma remessa das vacinas para o Paraguai, supostamente em decorrência da boa relação entre os países. 

Isso, no entanto, foi negado pelo governo de Taiwan, que negou que houvesse qualquer tipo de acordo e garantiram que a prioridade é a de vacinar sua própria população, desmentindo o governo paraguaio. 

A lorota da vacina do Brasil

Na sequência, o chanceler paraguaio Euclides Acevedo veio ao Brasil para solicitar a doação de vacinas por parte do governo de Jair Bolsonaro, aliado de Benítez.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, garantiu que as vacinas seriam doadas. No entanto, somente quando o próprio Brasil tiver condições de vacinar toda a população. No ritmo atual, demoraria quatro ou cinco anos.

Além das vacinas, para tentar acalmar os ânimos dos paraguaios, a reunião também determinou que o acordo energético que diz respeito à usina de Itaipu seria revisto.

O acordo determina que a energia elétrica da Usina deve ser dividida na metade entre os países e que o excedente de cada país deve ser vendido ao outro caso solicitado.

Acontece que o Paraguai utiliza muito menos dos 50% que tem direito sobre a usina, vendendo o restante para o Brasil a um preço muito abaixo do mercado por conta do acordo. 

Em 2019, Benítez já havia sofrido um processo de impeachment após realizar um acordo às escondidas com Bolsonaro para garantir que o acordo se mantivesse até 2022, o que gerou um prejuízo de pelo menos 200 milhões de dólares ao Paraguai. 

Ambas as tentativas de enganar a população não adiantaram e o povo continuam indo às ruas para pedir o fim do governo direitista.

Sem vacinas e mais crise

Também ficou claro que as vacinas não virão com facilidade para a América Latina e que, sem as mobilizações que coloquem em xeque a dominação da burguesia e do imperialismo na região, nada será alcançado. Isso porque o governo alegou que havia feito um depósito no valor de US$6,8 milhões para a Organização Panamericana de Saúde, esperando com isso comprar vacinas.

No entanto, verificou-se depois que o valor depositado não era para a compra de vacinas, mas sim, para o ingresso na plataforma Covax, propagandeada pelo imperialismo como uma alternativa para a aquisição de vacinas nos países pobres.

Uma aberração, uma plataforma pode ajudar os países pobres cobrando deles quase 7 milhões de dólares apenas para o ingresso?

Após o caso, o governo ainda tentou comprar vacinas novamente, mas, como alega o governo, depositou cerca de 2,8 milhões de dólares em uma conta errada. O dinheiro voltou, mas, com “medo” de depositar errado novamente, o governo supostamente decidiu comprar apenas 36 mil doses de vacinas, o equivalente a 158 mil dólares.

Fica claro que há também uma pressão do imperialismo para impedir a aquisição de vacinas pelo Paraguai e que Abdo aceita tudo tranquilamente.

Como no Brasil, somente aintensificação das mobilizações e a superação da política da oposição paralamentar, que procurou semear a ilusão de que tudo seria resovlido pela via parlamentar, podera provocar uma mudança na correlação de forças em favor do povo paraguaio e do atendimento de suas reivindicações/

No Paraguai, coloca-se como urgente a tarefa da construção de um partido próprio dos trabalhadores para levar adiante uma luta por uma alternativa própria dos explorados diante da crise, um governo operário e camponês, que exproprie a burguesia e imponha um governo que defenda os interesses do povo, contra a covardia da burguesia nacional a imensa opressão que o País se vê submetido desde  o final do século XIX, com a criminosa devastação (pelo menos 300 mil mortos) promovida pelos exércitos brasileiro, argentino e uruguaio, que também destruíram economicamente o País, servindo os interesses do imperialismo britânico.

Nas ruas,  o povo paraguaio está apontando o caminho para enfrentar e derrotar os governos da direita, súditos do imperialismo e tomar em suas mãos a resolução dos seus graves problemas.

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