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Bolsogay e a terceira via

Bolsogay do PSDB manda prender mulher por bater panela

A polícia do PSDB – a mando de seu chefe, tomou a frente na defesa do capitão boçal e tratou de acossar os manifestantes contrários ao desfile da extrema-direita


Neste sábado, 10, uma mulher foi presa pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul durante a “motociata” do fascista Jair Bolsonaro. A polícia de Eduardo Leite (PSDB), governador do estado, agiu conforme a maneira tradicional como o PSDB trata os trabalhadores e manifestantes do movimento popular: na base do cassetete e da prisão arbitrária. O caso chamou a atenção nas redes sociais. A polícia do PSDB – a mando de seu chefe, tomou a frente na defesa do capitão boçal e tratou de acossar os manifestantes contrários ao desfile da extrema-direita.

A burguesia é uma classe social astuta, utiliza dos mais variados recursos para enganar os incautos e manter seu domínio sobre o Estado. Mas nem sempre é possível engabelar a todos; principalmente quando a prática não corresponde à propaganda. O PSDB, como partido da burguesia, sem nem mesmo assinar os pedidos de impeachment contra Bolsonaro, vem tentando cooptar setores da esquerda para que o movimento contra o regime golpista se desvie para seus objetivos eleitorais. Os pais do bolsonarismo acharam que o golpe do identitarismo atenderia aos objetivos da Frente Ampla. É preciso, no entanto, ter clareza de uma coisa: a população já os conhece bem. Apesar do esforço da burguesia em emplacar um candidato alternativo a Bolsonaro, é difícil dissociar a forma como ambos tratam os manifestantes contrários ao governo.

Como um rebento e seu progenitor, Bolsonaro e o PSDB, respectivamente, tem em suas veias o mesmo sangue e compartilham do mesmo DNA – são ambos a materialização da ideologia burguesa e da política reacionária de ataque aos trabalhadores e organizações populares. Longe de desferir qualquer ataque aos fascistas, a manifestante estava apenas batendo panela em protesto à motociata fascista. O vereador Matheus Gomes (PSOL/Porto Alegre) chegará a postar em sua rede social tamanha arbitrariedade da polícia de Leite. “Abuso policial! Uma cidadã de Porto Alegre acabou de ser presa por bater panela, enquanto acontecia a motociata de Bolsonaro! Isso é um absurdo! É repressão ao direito de manifestação! Acabei de conversar com pessoas que presenciaram o fato e estamos vendo como auxiliar”, escreveu o vereador.

https://twitter.com/matheuspggomes/status/1413888926960525317

O episódio correu a imprensa e obrigou a Secretaria da Segurança Pública do Estado do Rio Grande do Sul a se posicionar diante da ação da polícia. Nesse caso como nos outros, a posição tomada foi a da direita e os critérios adotados para tal defesa insultou a complacência dos mais moderados. Segundo a Secretaria, a truculência da Brigada Militar serviu para “evitar um possível acidente”. Ainda segundo eles “apesar das repetidas tentativas das brigadas de afastar a mulher, ela desobedeceu a ordem, desacatou as s que a abordaram, tentou chutar um dos motociclistas e manteve as ameaças de agressão”, o que resultou na condução da manifestante de 47 anos até a 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), sendo posteriormente liberada após a produção de termo circunstanciado por desobediência. É evidente que os argumentos contra a manifestante não foram suficientes; os burocratas logo tratariam de forjar um meio de aliviar a pressão sobre eles mesmos. Assim sendo, foi informado que haverá apuração em nome da transparência e do rigor com os fatos, pois, segundo os burocratas, mesmo sendo “uma situação específica, onde apontam evidências que justificam o recolhimento da manifestante”.

Eduardo Leite, como um dos cavaleiro da batalha pela “terceira via”, anunciou seu apoio aos seus servos e enalteceu o papel da Brigada quanto ao tratamento aos manifestantes cuja palavra de ordem Fora, Bolsonaro põe abaixo toda a política de Bolsonaro e do PSDB que, agora se encobre sob a mística do identitarismo. O postulante a candidato da Frente Ampla, o Bolsogay, não foi capaz de se desgarrar do seu afeto com a política bolsonarista e deixou para outra ocasião suas encenações e seu trejeito. Em sua rede social, Eduardo Leite saiu em defesa da polícia. “A Brigada Militar atuou hoje para garantir a ordem e a segurança a manifestantes de ambos os lados – como pode ser visto neste vídeo. No único incidente, diante de ameaças de agressão e desacato a policiais, uma manifestante foi contida e levada à delegacia”, disse.

Assim como fizeram com o cozinheiro que se negou a cozinhar para Bolsonaro no RS, Leite e sua BM não titubearam em repetir a postura da extrema-direita bolsonarista. Sob as luzes do mundo real, o teatro e a fábula dos golpistas perde lugar para as necessidades do próprio movimento. Bolsonaro e o PSDB andam de mãos dadas na luta contra os direitos dos trabalhadores e no ataque a todos os oprimidos. Defensor da prisão da manifestante, Eduardo Leite não poderia permitir que o movimento contrário a sua própria política fermentasse embaixo de seu nariz. Sua polícia já estava a postos para impedir qualquer manifestação contrária a Bolsonaro. Esse situação revela, de maneira cristalina, que – quanto aos tucanos – não existe nada de civilizado nem mesmo uma suposta “oposição” a Bolsonaro. Por isso é um absurdo chamar o PSDB pro movimento Fora, Bolsonaro. Além disso, configura-se como um enorme erro político para toda a esquerda, ajudar o PSDB a se infiltrar nos atos, possibilitando que os mesmos usem o movimento para alavancar seu candidato que pode ser o próprio Eduardo Leite.

 

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