No País do futebol

Times pequenos sofrem ainda mais com a pandemia

Jogados à própria sorte, times pequenos terão que operar milagres para disputar as competições menos abastadas no país pentacampeão mundial.

Assim como a pandemia deixou mais evidentes os contrastes sociais no Brasil, os contrastes econômicos no futebol são mais visíveis do que antes. Sem apoio das entidades esportivas e dos governos, os times pequenos terão que fazer malabarismos financeiros para conseguir disputar os campeonatos.

Por conta dos protocolos de segurança contra o novo coronavírus, os custos mensais de algumas equipes chegarão até a dobrar. Os times pequenos, que sobrevivem mesmo sem qualquer apoio institucional, se veem abandonados à própria sorte nessa pandemia.

Para a disputa da quarta divisão do Campeonato Paulista, as equipes deverão arcar com os custos de rodadas de exames PCR, contratação de duas ambulâncias por partida e comprar jogos extras de uniformes, que deverão ser trocados no intervalo das partidas. A Federação Paulista de Futebol (FPF) vai limitar sua ajuda financeira a custear parte dos testes da primeira fase do campeonato, isentar os times de taxas de inscrição e custear viagens nos casos em que uma equipe não puder jogar na própria cidade. Os clubes, por sua vez, não receberão cotas de participação.

A situação é tão dramática que alguns desses times vão jogar com atletas sem salários. Isso mesmo, no país do futebol os atletas mais pobres jogarão de graça, em troca apenas da “vitrine”. Ou seja, tentarão mostrar o melhor de suas habilidades para ver se despertam o interesse de algum time que tenha condições de oferecer ao menos um salário.

Com a obrigatoriedade da troca de uniformes nos intervalos das partidas, por exemplo, alguns dirigentes além de torcer pela vitória dos seus times vão ter que torcer também para nenhum uniforme se rasgar. Essa realidade expõe o acentuado contraste em relação aos grandes clubes, onde mesmo com as dificuldades as cifras envolvidas são milionárias e as preocupações são bem diferentes.

Como muitos desses clubes pequenos gostam de ressaltar, eles se mantêm em funcionamento por amor ao esporte mais popular do mundo. Longe de poder ser considerada uma situação normal, essa persistência nos permite vislumbrar como seria a realidade do futebol brasileiro se não existisse esse boicote sistemático.

A direita e a esquerda pequeno-burguesa aproveitam qualquer oportunidade para criticar o futebol nacional e suas características próprias, sempre em comparação com o futebol europeu. Ao invés de defender a valorização do futebol de base e das diversas divisões do nosso futebol, se limitam a sugerir que o futebol brasileiro, que encanta o mundo há décadas, precisa de adaptar ao “novo futebol” ou seja ao futebol europeu, quadrado e “objetivo”.

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