O presidente fake, postiço e fraudulento Jair Bolsonaro raramente perde a oportunidade para se colocar como “homem de bem”. O ocupante clandestino da cadeira presidencial diz ser também o “escolhido de Deus” para o cargo de presidente “para cumprir uma missão”; Bolsonaro se apresenta também como portador de uma sublime e elevada moral, frequentando cultos evangélicos, estando neste momento casado com uma evangélica de “sólida formação cristã”, portadora de “íntegros valores e princípios morais”. Toda esta “superior moralidade”, sustentada em discursos, frases de efeito, declarações e “tuitadas”, no entanto, vem se desmanchando no ar, como bolhas de sabão ao vento, diante dos fatos e acontecimentos que vem se sucedendo desde a sua posse, em janeiro.
O presidente de extrema-direita, fascista, que presta homenagem a torturadores, defensor da ditadura militar assassina de 1964, amigo dos generais golpistas; que aparece em fotografias ao lado de policiais milicianos que integram grupos de extermínio; defensor da pena de morte (inclusive para traficantes!!!), parece estar neste momento diversificando e ampliando seus contatos e suas relações com a rede de malfeitores, de quem sempre se disse opositor e “inimigo”.
De malas prontas para uma viagem ao Japão, onde participará da reunião do chamado G20, Bolsonaro constituiu sua comitiva oficial com seus colaboradores mais próximos, aqueles a quem o presidente acredita serem seus “homens de confiança”; aquelas pessoas que no dia-a-dia lhe prestam – ou deveriam prestar – todos os bons serviços, incluindo a garantia da sua própria segurança. Tudo pronto, com tudo em ordem, todos os itens de segurança checados, aeronave presidencial levanta voo, partiu Japão, com primeira escala em território espanhol, na cidade de Sevilha. Opa! Será mesmo que todos os itens de segurança foram checados? Todas as bagagens da comitiva foram averiguadas, foram revistadas? Ou não haveria a necessidade de tanto rigor assim na revista de bagagens, considerando tratar-se de uma insuspeita comitiva presidencial que voaria na aeronave oficial da Presidência da República?
Mas, deixando de lado o que deveria ser e o que realmente foi, o fato objetivo é que na comitiva presidencial estava presente um traficante, ocupante do cargo de Segundo-sargento da Aeronáutica, identificado como Manoel Silva Rodrigues, bolsonarista de primeira hora, acompanhante do presidente Jair Bolsonaro em outras viagens; ou seja, gente da intimidade e do convívio presidencial. O militar eleitor bolsonarista, ao passar pela revista no aeroporto de Sevilha, Espanha, foi interceptado e em sua bagem foram encontrados 37 pacotes de cocaína, onde se constatou haver 39 quilos da droga, cujo destino, de acordo com informações da imprensa, seria a própria Espanha.
Rapidamente, os esforços para abafar/minimizar mais um escândalo (agora internacional) envolvendo gente muito próxima ao presidente foram colocados em prática. Na verdade, o escândalo é do próprio governo Bolsonaro, protagonizado por um militar bolsonarista, que viaja de forma frequente com Bolsonaro nos deslocamentos internos e ao exterior do presidente. O truculento, reacionário e direitista General Augusto Heleno, Ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para não perder o costume, entrou de cabeça no assunto, com declarações típicas de um “soldado raso”, bem ao seu estilo. “Podia não ter acontecido, né? Foi uma falta de sorte acontecer exatamente na hora de um evento mundial e acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido. Foi um fato muito desagradável para todo mundo” (FSP, 27/06). Pode parecer meio difícil de acreditar, mas foram exatamente essas as palavras do General Heleno: “falta de sorte”. Aconteceu um caso de tráfico internacional de drogas com cocaína sendo transportada na aeronave da comitiva presidencial e o responsável pelo Gabinete de Segurança Institucional do governo declara que, em outras palavras, nada demais aconteceu, foi apenas uma “falta de sorte”, um “fato desagradável”. É possível imaginar o que poderia ter acontecido se esta “falta de sorte”, este “fato desagradável” tivesse ocorrido em uma viagem internacional do ex-presidente Lula, onde fossem encontrados – não 39 quilos de cocaína – mas somente uma ou duas trouxinhas de maconha na bagagem de algum integrante da comitiva? É possível imaginar quantas “edições extras” do Jornal Nacional haveriam acontecido dando contra do monumental “escândalo”?
Já o ministro da Defesa, General Azevedo e Silva declarou que o militar infrator será julgado sem “nenhuma condescendência” e que o acontecido foi um “fato isolado”. Queremos refrescar a memória do senhor General dizendo que o fato não é tão isolado assim, pois há outros precedentes de envolvimento de militares com o tráfico de drogas, como a apreensão de 3 toneladas de maconha encontradas na carroceria de um caminhão do Exército, em uma rodovia paulista, na região de Campinas, em agosto de 2016, já sob o “governo” do golpista Michel Temer, endossado e sustentando na cadeira presidencial pelas Forças Armadas, não obstante as inúmeras acusações de corrupção protagonizadas pelo vice usurpador.
Uma indagação precisa ser feita agora diretamente ao “enérgico e moralizador” presidente, quando um brasileiro, Marcelo Archer, foi preso e condenado à morte na Indonésia. Bolsonaro, em 2006, ainda como deputado federal, parabenizou a execução do brasileiro pego com 13 quilos de cocaína, enviando congratulações ao presidente indonésio pela execução. O procedimento será o mesmo para com o seu amigo militar da Aeronáutica, bolsonarista e que transportava o triplo da quantidade? E agora presidente? A sua postura intransigente de defesa da “moralidade”, do “cidadão de bem”, sua luta contra os malfeitores, contra o crime, contra o tráfico irá fazer com que você proceda de que forma?
O fato é que a folha de parreira da moralidade golpista mal dá para encobrir até os mais comezinhos desatinos de um governo que não passa de um cadáver insepulto, amplamente repudiado por setores cada vez maiores da sociedade, com a popularidade em queda, sustentado unicamente na tutela militar e nos golpes cotidianos do judiciário, que vem violando sistematicamente a carta magna do país, não só atropelando dispositivos constitucionais como a prisão em segunda instância, como mantendo preso, sem provas, a maior liderança operária e popular do país, o ex-presidente Lula.





