Na última quarta-feira (16), o deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) divulgou, em seus perfis nas redes sociais, uma foto em que aparece sorrindo ao lado do também deputado federal David Miranda (PSOL-RJ). A foto, que foi tirada pelo deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), chamou bastante atenção, uma vez que Miranda e Frota estariam atuando, supostamente, em campos opostos da política nacional.
Alexandre Frota, que se tornou uma sub-celebridade devido a sua carreira como ator da indústria pornográfica, foi um dos principais cabos eleitorais do fascista Jair Bolsonaro, hoje presidente da República. Frota iniciou sua carreira como deputado no mesmo partido que Bolsonaro – o PSL – e fez intensa campanha em favor do golpe de Estado de 2016. Já David Miranda é filiado ao PSOL, que se autointitulou como “partido número 1 na resistência ao governo Bolsonaro”, e assumiu o mandato de deputado federal após seu colega de legenda, Jean Wyllys, decidir fugir do país por se sentir ameaçado pela extrema-direita.
O aparente paradoxo, no entanto, não passa de uma política do PSOL, que tem em Marcelo Freixo o seu principal propagandista. Há muito tempo, em nome da “arte de dialogar”, o PSOL vem se aproximando e até mesmo defendendo a extrema-direita nacional. Veja abaixo alguns casos:
1 – “Tchelo e Jana”
Em um dos casos mais escandalosos da aproximação do PSOL com a extrema-direita, Marcelo Freixo, que é um dos principais dirigentes nacional do partido, decidiu participar de uma entrevista junto com a fascista Janaína Paschoal, que foi a autora do pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. Na entrevista, ambos chegaram a trocar elogios.
2 – Chico beija-mão
Outro dirigente histórico do PSOL, Chico Alencar, não teve qualquer pudor em indicar à sua base a política de colaboração com a direita que defende. Em 2017, Alencar beijou a mão do então senador Aécio Neves e falou que o PSDB não era tão corrupto como o PMDB. Na época, o PSDB era o principal partido do golpe e responsável pela organização da extrema-direita nacional.
3 – Heloísa Helena de Calcutá
Nas eleições presidenciais de 2006, o PSOL lançava seu primeiro candidato a presidência da República: a alagoana Heloísa Helena. Impulsionada pela burguesia, a psolista alcançou milhões de votos. A que troco? Helena se tornou a principal liderança de uma campanha ultra-reacionária, a campanha pela criminalização do aborto.
4 – Frente única pelo fim do foro privilegiado
No início de seu mandato, o deputado federal David Miranda, que apareceu ao lado de Alexandre Frota na foto, declarou que gostaria de trabalhar junto com Carlos Bolsonaro pelo fim do foro privilegiado. O fim do foro é um dos objetivos da direita golpista, que procura criar condições para que o imperialismo esmague seus inimigos com maior eficiência.
O “amor” que não salva
A política de aproximações com a extrema-direita é inevitavelmente desastrosa. Afinal, por mais que o PSOL esteja disposto a “dialogar” com a extrema-direita, a burguesia não quer diálogo algum com a esquerda. Assim que tiver a oportunidade, os golpistas que hoje são afagados pelo PSOL puxarão seu tapete. Aconteceu, por exemplo, com Marcelo Freixo, que pouco depois de aparecer em uma entrevista com Janaína Paschoal, a viu ir a público dizer que a esquerda era “maldade e ditadura”.
A única maneira de fazer com que os trabalhadores tenham suas reivindicações atendidas pelo regime golpista é por meio da mobilização popular. Em vez de “amar” e “dialogar” com a direita, é necessário derrubar imediatamente o governo Bolsonaro e todos os golpistas.





