Na última terça-feira (2), o sítio direitista O Antagonista publicou uma nota afirmando que que a Polícia Federal pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras um relatório das movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald. O jornalista norte-americano foi responsável pelo vazamento de conversas privadas de membros da Lava Jato, por meio de seu sítio The Intercept Brasil. Esses vazamentos comprovaram as denúncias de parcialidade nos processos da Lava Jato contra Lula, o PT e a esquerda.
No mesmo dia em que foi publicada a nota do Antagonista, que é uma espécie de porta-voz não oficial da Lava Jato, Moro compareceu a uma audiência na Câmara dos Deputados. Durante a sessão, Moro fugiu de várias perguntas da oposição. Uma das questões que Moro evitou responder foi justamente relativa a essa “investigação” contra Greenwald. Moro ouviu mais de uma vez a pergunta se essa “investigação” de fato existia, se as movimentações financeiras do jornalista de fato estariam sendo devassadas. E, diante dessa pergunta, recusou-se a negar a informação.
O pretexto apresentado na nota do Antagonista para a PF bisbilhotar as contas bancárias de Greenwald é “verificar qualquer movimentação atípica que possa estar relacionada à invasão dos celulares de integrantes da Lava Jato”. Ainda segundo a nota, o jornalista só seria “investigado se houver algum indício de que tenha encomendado o serviço criminoso”.
Isso não passa de uma desculpa muito ruim para empreender uma perseguição usando o aparato do Estado. Glenn Greenwald está sendo “investigado” pela PF sob o comando de Moro porque publicou matérias que desagradaram o ministro da Justiça. Matérias que confirmaram as denúncias de parcialidade contra Moro que a defesa de Lula e parte da esquerda sempre fizeram.
Além disso, a atitude de Moro só reforça o caráter autoritário que transparece nas conversas vazadas pelo Intercept. O ministro da Justiça mobiliza o aparato sob seu comando para perseguir alguém que o desagradou. Como tudo indica que fez durante o processo de Lula, quando comandou pessoalmente a Lava Jato, conforme mostram as conversas com Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato em Curitiba.
A única suspeita plausível que recai sobre Greenwald é de jornalismo e de livre expressão. Isso bastou para que um governo ilegítimo e contestado passasse a tratá-lo como um criminoso, colocando sua polícia atrás de um jornalista para tentar montar alguma acusação contra ele.
É preciso colocar-se contra essa perseguição ao jornalista do Intercept, que é mais uma ofensiva da direita golpista contra a liberdade de expressão e os direitos de toda a população. Essa perseguição revela o caráter ditatorial do governo de Jair Bolsonaro, e se esse governo puder se impor irá calar toda a oposição que ouse contestá-lo. É preciso impedir isso mobilizando-se contra o governo e denunciando essa ditadura que procura se consolidar.





