As direções das chamadas centrais sindicais resolveram apostar nas negociações com parlamentares ao invés de mobilizar os trabalhadores contra a direita golpista.
No governo golpista de Michel Temer, apesar das dificuldades e de toda a articulação da direita no Congresso, as centrais sindicais, em particular a CUT, valendo-se da divisão da burguesia e da enorme rejeição ao golpe, mostrou capacidade de mobilização e, naquele momento, conseguiu barrar a “reforma” da Previdência.
Nesse momento, num governo de extrema-direita, em que estão mais claras as pretensões do governo em relação aos trabalhadores, às políticas sociais, sua política econômica que visa retirar mais ainda dos pobres e enriquecer rentistas, entregar o patrimônio público, privatizar até os bancos públicos, mobilização ocorrida no primeiro semestre, foi substituída pela atividade de sindicalistas junto a parlamentares direitistas, comprometidos com o ataque à classe trabalhadora.
Mesmo sabendo que isso não deu certo em nenhum momento da história e que na tramitação da reforma da previdência na Câmara dos Deputados, as centrais foram solenemente ignoradas, humilhadas, e que, portanto, deveriam ter preparado as maiores mobilizações possíveis.
Na maioria das vezes responsabilizando os trabalhadores, a maioria da burocracia sindical, se recusam até mesmo a convocar uma efetiva paralisação, passando a defender que o caminho estaria na pressão, inútil, sobre os parlamentares.
Sem mobilização contra os golpistas, sem que se tenha claro o objetivo de por um fim no governo Bolsonaro, sem ir às ruas contra essas “reformas” e todos os ataques do governo ilegítimo, será impossível derrotar a ofensiva da direita e defender – de fato – as reivindicações dos explorados.





