As últimas informações do Intercept Brasil, publicadas pelo El País nesta quarta-feira (7), mostram que Deltan Dallagnol e seus assistentes da Lava Jato levaram avante uma verdadeira operação de espionagem contra Gilmar Mendes assim que se sentiram tolhidos por algumas de suas decisões. O objetivo era claro: derrubar o Ministro e iniciar uma campanha de destruição de sua imagem pública, do mesmo modo como foi feito com todos os demais alvos da operação golpista.
A reportagem demonstra, através da troca de mensagens dos procuradores da Lava Jato, que eles buscaram, por meses a fio, achar qualquer coisa que pudesse ser usada contra Gilmar Mendes, ainda que um mero início de prova, para fundamentar um processo de impeachment contra o Ministro do STF.
A investigação ilegal contra Gilmar chegou até a Suíça, onde os procuradores da Lava Jato acreditavam que havia dinheiro depositado em favor de Mendes por Paulo Petro, operador financeiro do PSDB, e que havia sido preso em 19 de fevereiro de 2019, acusado de diversas atividades ilícitas.
“Ia ser top se aparecesse”, diz Athayde, um dos procuradores da Lava Jato, em conversa do Telegram, após Dallagnol dizer que havia um “boato” de que parte do dinheiro operado por Paulo Petro na Suíça, na verdade seria de Gilmar Mendes.
Dallagnol acreditava que este dinheiro seria encontrado se o pedido de cooperação com o MP suíço também investigasse cartões de crédito: “Robito, fizemos um pedido de cooperação específico para obter os docs do cartão de crédito? Se não, vale a pena.” O procurador Roberson (o Robito) responde: “Vai que tem um para o Gilmar… hehehe”.
Dallagnol conclui que ainda assim seria o caso de ampliar o pedido de cooperação: “hummm acho que vale falar com suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”.
Athayde ironiza: “ai você estara investigando ministro do supremo, robinho.. não pode rs”.
Mas o objetivo era simples e claro: “Sonho que Toffoli e GM acabem fora do STF rsrsrs”.
Outra estratégia era relacionar Mendes a Paulo Preto através do tucano Aloysio e mandar isto para a imprensa. Os três haviam trabalhado juntos no governo FHC. Para Dallagnol, já era o suficiente: “Tem q botar no papel. Mostrar suspeição. Pegar quem trabalhava nessa época no mesmo local. Imprensa é o ideal.”
É um vale tudo. Até mesmo listar todas as decisões de Gilmar Mendes para buscar, nas fundamentações, eventuais incongruências do Ministro com a Lava Jato.
Em mensagens, o procurador determina aos seus auxiliares: “Fábio, amplia agora a busca para recebimentos de denúncias por favor para vermos qual o padrão… ainda que demore um pouco mais, acho que vale. Depois disso, pede pros estagiários pegarem e gerarem arquivos para todos os casos em que Gilmar Mendes negou liminar ou indeferiu HC para revogar prisões desde 2014. Pede pra fazerem uma tabelona em que mostre um resumo da situação fática e qual o fundamento que usou para indeferir. O propósito é mostrar eventuais incongruências com os casos da Lava Jato. Faz tempo que já devíamos ter feito isso.”
Em maio de 2017, Dallagnol se mostra particularmente sensível com uma decisão de Gilmar Mendes. Naturalmente, envolvia alguém que seria crucial nos processos de Lula: Antônio Palocci. “Caros estive pensando e se perdermos o HC do Palocci creio que temos que representar/pedir o impeachment de GM”.
Estas novas informações não deixam mais nenhuma dúvida do caráter golpista e mafioso da Lava Jato, que persegue qualquer um que se oponha aos seus objetivos, e se sente totalmente à vontade para passar por cima qualquer lei, garantias constitucionais, foros privilegiados, e até mesmo da autoridade daqueles que deveriam ser superiores aos promotores ligados a esta operação.
As operações funcionam da mesma forma que qualquer organização mafiosa do crime organizado, perseguindo inimigos, buscando destruir qualquer um que se oponha aos seus objetivos.





