Ladeira abaixo ou ascenso das lutas?

No dia 5 de junho, o portal GGN publicou um artigo intitulado “Zero a zero ladeira abaixo”. Assinado por Ricardo Capelli, o artigo defende, como argumento central, que os atos contra o governo Bolsonaro tiveram praticamente a mesma expressão que os atos a favor do governo Bolsonaro. Isto é, que as iniciativas oposicionistas estariam sendo anuladas pelas forças que sustentam o governo e que isso estava levando a um impasse negativo para o país.

Para Capelli, o país está indo “ladeira abaixo”, rumo a um colapso social. Em sua visão, a direita estaria naufragando, impedida de levar adiante uma política agressiva por causa das mobilizações, e a esquerda não estaria em condições de exigir nada do regime político, pois não seria forte o suficiente para se impor.

A tese do “zero a zero ladeira abaixo”, no entanto, não descreve precisamente os acontecimentos. Em primeiro lugar, os atos bolsonaristas não foram expressivos: todos eles contaram com um esquema volumoso de financiamento e foram um fiasco. Os atos da esquerda, por outro lado, não podem ser analisados apenas com base no número de pessoas que compareceram ao dia 15 de maio e as pessoas que compareceram ao dia 30 de maio. A questão mais importante a ser considerada sobre tais atos é que há um desenvolvimento da luta política: a apatia dos primeiros meses do governo Bolsonaro deu lugar a um clima de intensa mobilização – as pessoas estão indo para as ruas cada vez com mais frequência.

Que o governo Bolsonaro está levando o país para um colapso, assim como está acontecendo na Argentina, é um fato; contudo, é necessário considerar que a possibilidade de uma intervenção das massas no regime político está se tornando cada vez mais concreta. O movimento contra o governo Bolsonaro e contra todo o regime político de conjunto está em uma ascensão – a prova disso é que a Marcha da Maconha, que acontece todo ano, teve um número expressivo de pessoas.

Diante desse cenário, a política que deve ser levada adiante é a de mobilizar toda a população pela derrubada imediata do governo Bolsonaro, pela liberdade de Lula e pela convocação de eleições gerais. Com essas reivindicações, é possível tirar o movimento operário e popular da defensiva e colocar os golpistas que vêm saqueando o país contra a parede.

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