Não é nenhuma surpresa o tratamento dado pelo governo de Jair Bolsonaro ao tema da Cultura. Desde a campanha presidencial, seu plano de governo não apresentava nenhuma menção à área a não ser na utilização da expressão vazia “marxismo cultural”. Passados seis meses do início de seu “governo”, é inexistente uma política pública voltada para a cultura e, muito menos, diretrizes para esta área. As únicas propostas que aprovou foram a extinção do Ministério da Cultura e a mudança na Lei Rouanet.
A Secretaria Especial da Cultura apenas mantém programas e editais que já estavam agendados. A novidade fica por conta da nomeação do diretor teatral Roberto Alvim para a frente do Centro de Artes Cênicas da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Alvim já antecipou que vai criar uma “máquina de guerra cultural” com artistas de direita alinhados “aos valores conservadores”. Ele está totalmente alinhado e compatível com o resto do governo Bolsonaro, pois um governo que é inimigo da cultura não poderia ter ninguém mais apropriado do que esse diretor. Alvim é fruto de uma geração teatral de grupos da cidade de São Paulo, a mesma que agora ele próprio condena. Ele se converteu ao bolsonarismo e agora se vitimiza ao dizer que a classe artística virou as costas para ele depois que ele começou a acreditar em Deus e em Bolsonaro. Porém, vai ganhar uma boquinha no governo de Bolsonaro.
A Lei de Incentivo à Cultura existente não é o resultado de um debate com a sociedade, os produtores e a classe artística. Uma das suas principais alterações foi o valor máximo a ser captado por projeto que antes era de R$ 60 milhões e agora foi drasticamente reduzido para R$ 1 milhão.
No entanto, em relação aos projetos maiores como projetos de restauração, conservação e preservação de acervos, orquestras sinfônicas e museus foram estabelecidas algumas exceções, algumas com limite de até 6 milhões e outras sem teto de captação.
A extinção do Ministério da Cultura e os cortes bruscos realizados para a área durante estes seis meses de governo Bolsonaro evidenciam que os golpistas são inimigos da cultura. Ao considerar a cultura como algo supérfluo, eles não apenas cortam as verbas como também passam a entendê-la a partir de um viés ideológico. Por isso, a burguesia e a direita querem aniquilar tanto a cultura como a ciência e a inteligência. O governo Bolsonaro é exemplar nisso.




