O turbulento cenário político nacional ficou tomado nos últimos dias por expectativas relacionadas ao julgamento do pedido de habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula, em dezembro de 2018, marcado para acontecer em sessão do dia 25 de junho, onde a segunda turma do STF se posicionaria sobre o pleito dos advogados, acatando ou não as argumentações da defesa. Desde então passaram a surgir especulações em torno ao assunto sobre uma suposta posição “garantista/progressista” assumida por um dos onze ministros da suprema corte de justiça do país, o STF, que deram lugar a comentários e opiniões no universo jornalístico nacional, envolvendo sítios, portais, blogs e plataformas digitais da imprensa alternativa, em especial aqueles identificados com o pensamento de esquerda.
Gilmar Mendes, ministro indicado ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente golpista Fernando Henrique Cardoso, tido e reconhecido nos meios jurídicos como um dos ministros mais reacionários e direitistas da casa, estaria se deslocando para posições alinhadas ao bloco denominado “garantista” do Supremo, aquela ala do STF supostamente identificada com as posturas em que prevaleceriam, em suas decisões, o respeito e a observância aos preceitos constitucionais, em oposição ao núcleo “punitivista”, vulgarmente conhecido como turma “câmara de gás”, onde ninguém que ali cair se salva.
Não pode deixar de ser dito, inicialmente, que Gilmar Mendes sempre foi um convicto reacionário, opositor de primeira linha da esquerda, raivosamente antipetista e inimigo quase que declarado do ex-presidente Lula. São incontáveis as posições claramente direitistas assumidas por Mendes em um sem número de votações na suprema corte, não deixando qualquer dúvida sobre o perfil reacionário-conservador do ministro agora “garantista”. Portanto, as especulações em torno a um deslocamento do ministro que por mais de uma vez protegeu e blindou políticos do PSDB (Aécio Neves e outros) para posições progressistas está mais para uma encenação, um teatro.
Não é possível entender as movimentações nos estratos superiores da sociedade nacional sem considerar o delicado quadro político do país, marcado por crises e divisões no seio da burguesia. As fissuras nos representantes dos escalões superiores do regime, portanto, expressam esse quadro de agudização das disputas intestinas dos diversos segmentos que compõem a burguesia nacional. Não é de se estranhar, portanto, que essas mutações sazonais ocorram e se manifestem também na mais alta corte jurídica do país, onde ali estão representados, através dos onze ministros, os múltiplos e intrincados interesses que permeiam as classes sociais que gravitam em torno do regime político, marcado pelo trauma recente do golpe de Estado que depôs, de forma arbitrária e inconstitucional, o governo eleito pelo voto popular em 2014.
Não pode cair no esquecimento que o Supremo Tribunal Federal – independentemente da posição assumida por alguns dos seus membros em determinados questões – foi o avalizador de toda a operação golpista que mergulhou o país no caos, na escuridão e no obscurantismo. Foi esse mesmo STF que endossou todas as maiores arbitrariedades contra os governos petistas, enquanto fazia “tábula rasa” com os crimes dos golpistas usurpadores. A suprema corte do país – e isso precisa ficar claro – não abandonou sua vocação golpista, reacionáia e direitista. O STF não quer soltar Lula, não quer reconhecer a sua inocência, não quer admitir que o ex-presidente foi condenado em processos fraudulentos, julgado e condenado por um juiz parcial, inquisidor, golpista e perseguidor, pois isso implicaria na anulação de todos os processos contra Lula e até mesmo contra outros condenados nos processos fraudulentos da Lava Jato.
Lula somente deixará a masmorra de Curitiba se for levada adiante uma luta encarniçada contra os golpistas; contra os juízes e Procuradores inquisitoriais; contra a Operação Lava “vaza” Jato; contra a fraude que representou a eleição de Jair Bolsonaro; enfim, contra o conluio estabelecido pelo regime político golpista e suas diversas frações; contra a burguesia em seu conjunto e o imperialismo.





