O ex-juiz e atual ministro, Sergio Moro, premiado pelo presidente ilegítimo com dois cargos ministeriais em dois poderes da República (o presidente já anunciou que será dele a indicação para uma vaga no STF), por ter afastado da disputa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de condenações fraudulentas, prisões ilegais e todo tipo de arbitrariedade na comprovadamente criminosa operação lava jato, voltou ao parlamento, desta vez à Câmara dos Deputados, na última terça (dia 2), para “prestar esclarecimentos” na Comissão de Constituição e Justiça daquela Casa.
Obviamente que nada esclareceu. Não foi capaz de , quando desafiado, negar que tenha enviado e recebido as mensagens vazadas pelo site The Intercept (e agora por vários outros órgãos) dando conta do esquema fraudulento e ilegal da operação de perseguição a Lula e outros adversários do regime golpista. Tentou atacar o jornalista Glenn Edward Greenwald, defendendo a tese oposto que sustentou quando vazou ilicitamente e de forma criminosa (apoiado no aparato do Estado, no cargo de juiz) a conversa privada entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula: o importante era o conteúdo e não a forma.
A presença do ministro e tentativa de um punhado de deputados do segundo time da direita golpista em enaltece-lo, quando o mesmo perde alguma credibilidade que tinha até entre os apoiadores do governo Bolsonaro, evidencia o desespero de que foi acometido o governo Bolsonaro e toda a direita golpista, o que fica ainda mais destacado na ação da maioria dos órgãos da imprensa capitalista em defende-lo, uma vez que seu ocaso, num momento de crise total do governo Bolsonaro, de avanço da crise econômica etc. ameaça abalar um dos pilares importantes de todo o edifício golpista, a operação lava jato, defendida até mesmo pela maioria da esquerda burguesa e pequeno burguesa.
Moro repetiu na Câmara, basicamente, as mesmas alegações feitas na semana anterior no Senado sobre as mensagens que trocou com procuradores na época em que era juiz da Lava Jato.
Como era de se esperar, por sua composição com a presença de um maior número de ativos parlamentares da esquerda, “os deputados foram bem mais agressivos com Moro do que os senadores“, segundo analisaram vários órgãos da imprensa burguesa.
Obviamente que que o “pergunta-responde” da CCJ não tem qualquer valor legal e não tem condições de promover nenhum resultado maior diante da crise e, de certa forma, serve apenas para dar uma aparente legalidade ao funcionamento “normal” das pseudos instituições democráticas que, de fato, inexiste no regime de arbítrio do golpe de Estado, no qual a interferência do juiz Moro no procedimento dos procuradores, a falsificação grosseira de provas etc. são apenas um dos muitos aspectos do funcionamento regular que é a violação da Constituição Federal, não só contra Lula e o PT, mas contra todo o povo brasileiro.
Da mesma forma que, no STF, os ministros tutelados pelos militares encenam um funcionamento “normal” em uma situação em que nenhum direito fundamental de Lula e do povo é respeitado, com a participação coadjuvante dos advogados de defesa, no Parlamento Moro e os deputados da direita encenam o espetáculo do “esclarecimento”, para buscar abafar “democraticamente” toda a patifaria em torno do golpe de Estado e da ascensão de um governo com apoio minoritário entre a população à serviço dos interesses dos maiores inimigos do povo brasileiro, como o capital norte-americano.
Se a direita atua, como lhe cabe, para defender Moro e a Lava Jato, a esquerda parlamentar atua, fundamentalmente para dar a aparência de que o espetáculo é serio e que a situação pode ser resolvida por meio de iniciativas parlamentares e até com a colaboração do ex-juiz fascista, várias vezes instados por parlamentares a reconhecer seus crimes e até a renunciar.
A imprensa golpista, preocupada em preservar a imagem enlameada de Moro e do governo em decomposição, critica para prestigiar o ocorrido, atacando o PT, “incapaz de lidar com o tema da moralidade” e responsabilizando-o pelo inexistente sucesso de Moro, uma vez que a atuação do partido “engrandece o algoz aos olhos da plateia“.
O ultra direitista jornal O Estado de S. Paulo, sob o título “Um espetáculo deprimente”(4/07/19 ), apresenta – interesseiramente – o episódio como sendo o “melhor para o PT”, para em seguida cobrir de “elogios” direitistas o ministro, “algoz de muitos petistas”, para, depois, tecer-lhe as insípidas críticas, como as de de que Moro “deu lugar à ambição política”, de que “deveria ser capaz de presumir as consequências de suas escolhas” e que “dar orientações aos procuradores da Lava Jato… constitui comportamento impróprio” (será???).
Por fim o Estadão, inventa em meio ao desespero geral da direita que “o outro grupo político que ganha com o confronto visto na CCJ da Câmara é o dos bolsonaristas, ansiosos para consolidar a ideia de que o País vai mal não como consequência do amadorismo do governo, mas porque os petistas e seus tentáculos no Estado e nas instituições não permitem que avance”. Buscando apresentar como realidade a vontade de setores da direita de que o governo ilegítimo em crise supere seu caráter improvisado e consiga encontrar um eixo de reagrupamento que supere as profundas contradições internas do grande capital em crise que, além de golpear duramente os trabalhadores (“reformas”, cortes…) e destruir entregar largas parcelas da economia para os imperialistas (privatizações, acordos etc.) permita enfrentar a tendências de luta que se expressam cada vez mais na situação por parte dos trabalhadores e da juventude.
É evidente que o espetáculo parlamentar não serve em nada como alternativa dos trabalhadores, é um caminho de ilusão que embora trazer alguns arranhões para o governo e seus integrantes, não abre caminho para a sua necessária derrubada e sua superação, o que só é possível por meio de uma mobilização revolucionária das massas exploradas e das suas organizações de luta, que busque “desmoralizar” não apenas atores menores dessa farsa golpista – enquanto busca preservar suas instituições, mas que sirva para enfrentar e derrubar todo o edifício golpista, para o que – muito além de discursos no congresso – é preciso impulsionar uma ampla mobilização pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas, pela liberdade de Lula e de todos os presos políticos e por novas eleições, com Lula candidato.





