Na última quinta-feira (11), Ciro Gomes comentou, para o jornal Estado de S. Paulo, sobre os votos a favor da reforma da Previdência dentro do PDT. As afirmações mais interessantes, porém, ficaram nas entrelinhas. A reforma da Previdência foi aprovada por um placar esmagador na Câmara dos deputados, 379 contra 131. Quando Ciro tirou conclusões sobre o que aconteceu, afirmou que a oposição não pode mais “transformar cada embate em um terceiro turno”, e que deveria reconhecer “o tamanho que tem”. Além disso, afirmou ainda que “nosso papel é atrair Bolsonaro para o jogo democrático e, no Congresso, ter uma política de redução de danos, em uma tática de diálogo com Maia”.
Analisemos o significado dessas declarações. Em primeiro lugar, quando Ciro diz que a oposição agora sabe “o tamanho que tem” e que não deve “transformar cada embate em um terceiro turno”, ele quer dizer que a única oposição que se deve fazer ao governo é dentro do Congresso, onde os trabalhadores estão extremamente sub-representados, e que o governo ilegítimo de Bolsonaro, eleito em uma fraude, deve ser reconhecido e aceito por todos.
Em segundo lugar, reconhecido o governo e abandonada a oposição nas ruas, Ciro quer “atrair Bolsonaro para o jogo democrático”, política que consiste em ser a oposição consentida de um regime cada vez mais autoritário, dando a ele um verniz democrático e uma fachada de legitimidade. Em um momento em que o governo de direita está em crise e é contestado nas ruas, essa política de Ciro consiste em uma colaboração com Bolsonaro.
Enquanto os trabalhadores precisam se mobilizar nas ruas contra Bolsonaro e pela queda do governo, Ciro Gomes defende, em nome da esquerda, que a única coisa que resta a fazer seria assistir ao governo aprovar tudo que quiser dentro do Congresso, procurando conquistar algumas migalhas em negociações com os parlamentares da direita. A reforma da Previdência já mostrou aonde levará essa política: a uma brutal piora nas condições de vida da população brasileira.





