Bolsonaro: como conciliar o sionismo e o nazismo?

Durante a campanha eleitoral no ano passado, Jair Bolsonaro fez uma campanha demagógica em torno de uma aproximação com Israel. O então presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), Ary Bergher, era um bolsonarista entusiasmado. Também no Rio de Janeiro, foi na Hebraica que Bolsonaro fez o famoso discurso contra os quilombolas referindo-se ao peso deles em “arrobas”. Era um evento de sua campanha, com apoio de figuras sionistas.

Trata-se de uma demagogia direitista que tem o fim de apelar aos sentimentos religiosos de setores evangélicos. Bolsonaro chegou, também, a ser batizado em Israel, nas águas do Rio Jordão. Em março, Bolsonaro fez uma visita oficial a Israel. E durante sua posse, foi prestigiado com a presença do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, primeiro mandatário israelense a vir em uma posse presidencial no Brasil. Por ocasião da tragédia em Brumadinho, com o rompimento da barragem, Bolsonaro trouxe militares israelenses para ajudar no resgate das vítimas, uma ação desnecessária usada pelos dois governos para fazer propaganda. Esses são alguns dos vários exemplos da demagogia bolsonarista em torno do sionismo.

Na última segunda-feira (1º), porém, o Exército Brasileiro comprometeu essa campanha demagógica de Bolsonaro. Os militares compõem o governo com uma ampla participação no ministério. E em sua conta oficial no Twitter, o Exército Brasileiro homenageou um soldado nazista que lutou durante a Segunda Guerra Mundial na frente oriental, o Major Otto. O texto publicado no sítio do Exército descrevia Otto como uma vítima das “prisões totalitárias soviéticas” e vítima da guerrilha no Brasil, que o assassinou no final dos anos 60.

Essa homenagem a um soldado nazista entra em contradição com a demagogia que vinha sendo feita junto aos sionistas para agradar evangélicos. Afinal, os judeus foram grandes vítimas dos nazistas, com 6 milhões de mortos, exterminados nos campos de concentração planejados para pelos nazistas para um extermínio executado em escala industrial. Como conciliar essa homenagem a um nazista, quando os nazistas foram os algozes dos judeus, e a demagogia com os judeus sionistas? A mesma Fierj divulgou, inclusive, uma nota de repúdio na terça-feira (2), condenando a homenagem feita pelo Exército.

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